MotoGP

‘Diários de Motocicleta’: Termas de Río Hondo cai no gosto dos pilotos antes mesmo dos treinos livres

As atividades só começam nesta sexta-feira, mas já é possível dizer que a pacata e afastada Termas de Río Hondo agradou aos pilotos, tanto a pista quanto o público. A chegada da MotoGP à Argentina já rendeu histórias (e risos)

Warm Up, de Termas do Río Hondo / EVELYN GUIMARÃES, de Termas do Río Hondo
Arte: Rodrigo Berton

 
A QUINTA-FEIRA
(24) em Termas de Río Hondo foi de reconhecimento e de últimos retoques para o GP da Argentina da MotoGP. Os organizadores trabalharam bem. A pista em si está impecável: zebras, áreas de escape amplas, asfalto novinho, instalações de boxes espaçosas e acessos fáceis. Ao que parece, os argentinos se prepararam como nunca para receber as categorias do Mundial. Ainda que pese que a localização do circuito está em lugar longe de grandes centros urbanos, como Buenos Aires e Córdoba, não há maiores problemas para chegar aqui.
 
O autódromo, hoje, recebeu os ajustes finais. A instalação de todos os lances de arquibancadas tubulares foi finalizada, assim como a colocação dos painéis e a limpeza geral do traçado de Termas. Há muito policiamento dentro, ao redor e em toda a cidade e cercanias.
 
Pelo lado da competição, os pilotos também usaram o dia para reconhecer a pista. Praticamente todos percorreram o traçado a pé e em motinhos, na tentativa de já entender os pontos de freada e tangência. Resta ainda saber qual será o nível de aderência. Muitos pilotos também manifestaram preocupação por uma exigência grande dos freios. Mas a impressão geral foi um tanto positiva: a pista é rápida, possui grandes retas, curvas longas, esses, subidas e descidas.
Dani Pedrosa dá volta no circuito de Termas (Foto: Getty Images)
As características, aliás, foram bastante celebradas pelos lados da Yamaha. Depois da decepcionante prova de Austin — pista também que não casa com a exigente M1 —, o pessoal de Iwata está ávido por um ambiente menos hostil. Wilco Zeelenberg, chefe de equipe da casa dos três diapasões, disse ao GRANDE PRÊMIO que a “pista parece muito favorável à moto japonesa”, mas ainda que ainda não é possível dizer se Termas será uma pista para a Yamaha, o que o excêntrico circuito texano é para a rival Honda.
 
A quinta também foi dedicada às entrevistas com os pilotos. Jorge Lorenzo, depois do erro na largada em Austin, pareceu muito sereno e disposto a colocar um fim neste início desastroso de ano. A palavra de ordem do espanhol é reagir o mais rápido possível. Por isso, a esperança de que realmente o traçado argentino se mostre ao estilo da M1. Apesar de viver uma fase menos conturbada que a do companheiro de equipe, Valentino Rossi também enfrenta seus demônios.

Depois da grande apresentação no Catar, o italiano teve problemas de pneu na corrida nos EUA, especialmente na dianteira. O composto se desgastou de tal forma que o multicampeão não teve como brigar mais perto da Honda. Além disso, Rossi enfatizou que a M1 é competitiva, mas admitiu que ainda há muito trabalho pela frente. Valentino, com seu habitual bom humor, também disse que, além tudo, vão precisar de sorte.
 
Falando da equipe campeã, Marc Márquez afirmou pela primeira vez que está 100% para pilotar, depois da recuperação da fratura que sofreu antes do início do ano. O espanhol se disse muito forte com a atual fase e confiante. É fato: mesmo Termas parecendo ser um traçado mais ao gosto da Yamaha, será difícil de parar o menino Marc. Ótima forma, equipe afinadíssima ao redor. Receita de sucesso. Daí a sorte mencionada antes por Vale.
 
Aliás, os dois — Marc e Valentino — também protagonizaram a cena deste início de fim de semana argentino. O espanhol já havia mencionado a entusiasmo dos fãs em Termas. Mas a coisa foi bem mais longe.
Marc Márquez e Valentino Rossi sempre aproveitam a coletiva de imprensa para colocar o papo em dia (Foto: Divulgação/MotoGP)
Ao jantarem na cidade na noite de ontem, ambos tiveram de deixar os restaurantes onde estavam escoltados pela polícia, tamanha quantidade de gente se aglomerou na porta dos estabelecimentos.

“Nós entendemos um pouco o sentimento dos animais no zoológico, com todos tirando fotos o tempo todo. Não foi muito engraçado", brincou. "Agora a minha estratégia agora é permanecer trancado no circuito e no hotel", disse ll Dottore à imprensa, arrancando risos. Ao comentar o episódio, Márquez teve melhor senso de espírito. "Ontem a noite o problema foi o Valentino. Eu estava em um restaurante na frente e todas as pessoas estavam esperando por ele, mas quando ele saiu, alguém disse: 'Olha o Márquez'. Aí todas as pessoas vieram para cima de mim".
 
Amanhã, começa ‘la mortadela’ de verdade. A Moto3 será a primeira a entrar na pista, a partir das 9h (de Brasília).

GRANDE PRÊMIO cobre 'in loco' a terceira etapa da MotoGP com as repórteres Evelyn Guimarães e Juliana Tesser. Para acompanhar o noticiário, clique aqui.