Do cochilo no carro à tatuagem da vitória: Quartararo relembra desafios da carreira

O agora piloto da Yamaha destacou os sacrifícios que o pais fizeram para que ele pudesse competir e considerou que a primeira vitória na MotoGP foi um sonho que se tornou realidade

Fabio Quartararo relembrou os desafios que encarou para poder alcançar o sonho de vencer na MotoGP. O jovem francês foi o escolhido pela Yamaha para substituir Valentino Rossi e vai para o time de fábrica em 2021, enquanto o multicampeão desce para a satélite SRT.

Em entrevista à emissora francesa Canal+, Quartararo contou da dificuldade de viajar constantemente da França para a Espanha, já que não podia competir na terra natal antes de completar 14 anos.

“Foi uma época difícil, especialmente quando eu era pequeno”, disse Quartararo. “Eram quase 100 mil quilômetros por ano entre Nice e a Espanha. Quando eu tinha 13 anos, meus pais e eu decidimos nos mudar para a Espanha com o meu antigo agente para eu poder me concentrar na minha preparação física e treinar muito com a moto. Acho que foi a decisão correta. Acho que ajudou muito no meu nível. Estou orgulhoso de onde estou”, seguiu.

MotoGP 2021, Fabio Quartararo, Yamaha
Quartararo já usa as cores da Yamaha (Foto: Reprodução)

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A decisão, no entanto, teve um preço, já que os amigos de Fabio ficaram todos na França.

“Durante dois anos na Espanha, não tinha amigo nenhum. Tudo que eu tinha era o meu treinador. Era casa, treino, casa, treino, casa, treino. Também fiz cursos a distância. Não foi fácil”, recordou. “Meu melhor amigo trabalha comigo na pista, eu o conheço desde os 6 anos e não mantive nenhum amigo de infância. Era difícil estabelecer uma relação quando vivia na Espanha ou na França. Só mantive uma relação de verdade com ele”, contou.

Depois de dois títulos no CEV de Moto3, o campeonato espanhol, Quartararo foi promovido ao Mundial de Motovelocidade em 2015, ainda aos 15 anos. O francês fez duas temporadas na classe menor, outras duas na Moto2 e saltou para a MotoGP em 2019, quando se destacou com a satélite SRT Yamaha.

Ano passado, antes mesmo do início da temporada, foi contratado pela Yamaha oficial para assumir o lugar de Rossi a partir deste ano. Fabio, então, venceu três vezes e chegou a ser o mais cotado para o título, mas acabou apenas em oitavo.

“Antes da primeira corrida de 2020, muitos jornalistas em disseram: ‘O que vai acontecer se você não vencer nenhuma corrida em 2020 e for substituir seu ídolo Valentino Rossi?’. Naquele momento, eu disse: ‘Nada, terei outras oportunidades em 2021’. Ganhar a primeira corrida me libertou. Era um momento pelo qual esperava desde criança, meu sonho. E o mais importante, ganhar duas seguidas, no mesmo circuito, é um sonho”, frisou.

Antes de chegar à MotoGP, Quartararo foi rotulado como o novo Marc Márquez, mas acabou não conseguindo os resultados esperados nem em Moto3 e nem em Moto2.

“Há três anos, passei por momentos super complicados. Eu ia a praia e as pessoas diziam: ‘É melhor treinar do que ir na praia’. E eu estava treinando muito. Agora, como ganhei três corridas na MotoGP, quando eu vou na praia, todo mundo diz: ‘É bom que você tire um tempo para descansar’. Mas eu fazia exatamente a mesma coisa há três anos. Quando você tem 16 ou 17 anos, são comentários difíceis de digerir, mas ganhei muita experiência”, comentou.

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Por fim, Fabio contou o que pensou ao conquistar a primeira vitória na MotoGP e explicou a tatuagem que fez no braço, uma reprodução do momento em que pega o troféu.

“Foi uma grande emoção. São tantas imagens de todos os sacrifícios que fiz desde pequeno para chegar a este ponto. Pensava nos milhares de quilômetros que percorri com o meu pai. Dormia no chão do furgão enquanto ele dirigia, horas e horas. Essas imagens me vieram à mente no pódio. É incrível. É especial pensar em todos os sacríficios que meus pais fizeram por mim”, comentou. “Decidi fazer a tatuagem, pois acho que é um momento inacreditável. Muita gente acha estranho tatuar o próprio rosto. Mas, para mim, é um momento inesquecível e um sonho. É um momento histórico para mim, algo com que sonhei desde que tinha quatro anos. Se fizer 70 ou 80 anos, sempre terei esse momento. É um sonho que se tornou realidade”, completou.

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