MotoGP

Dominante e com rivais apagados: Márquez resume na Alemanha 1º metade de 2019

Com o décimo triunfo consecutivo em Sachsenring, Marc Márquez entregou um verdadeiro resumo do que foi a temporada 2019 até aqui. O #93 se pôs dominante e nem notou a presença dos rivais

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
Não é de hoje que o mundo sabe que Marc Márquez é um tipo especial de piloto. Ao longo da carreira, não foram poucas as vezes que o espanhol de 26 anos deu mostras expressivas de seu talento, então não chega a surpreender a performance exibida neste domingo (7) em Sachsenring. O que surpreende é que numa MotoGP tão competitiva e com um grid de tamanha qualidade, o #93 corra como quem bate perna no shopping e sem sequer encontrar um único conhecido pelos corredores.
 
É claro que o ‘shopping’ em questão também ajuda. Apaixonado por uma esquerda, Márquez domina as 13 curvas do circuito anti-horário e tem um histórico irrepreensível por lá: com a de hoje, já são dez vitórias e dez poles consecutivas na pista de Chemnitz ― desde os tempos das 125cc.
 
“Não é certo dizer, mas este ano custou menos que no ano passado. Dá para ver nas diferenças”, apontou Márquez. “Quando [Álex] Rins falhou, foi tudo mais fácil”, reconheceu, se referindo à queda do #42 na 19ª das 30 votas.
Marc Márquez sobrou na Alemanha (Foto: Repsol)
“Eu sabia que era um bom circuito para mim, contava em tentar vencer e com Dovi em terceiro ou pior”, comentou. “São 58 pontos e é uma boa margem, mas ainda falta mais de meio campeonato. Agora temos de descansar, mas pensar já na segunda parte da temporada, que não será fácil”, previu. 
 
Mas, sintetizar a performance nesta nona etapa da temporada ao bom entrosamento com o circuito da saxônia seria injusto com o que Márquez tem feito até aqui. O que o piloto da Honda fez neste domingo foi um bom resumo do que foi 2019: ele foi dominante. O resto, mais uma vez, não ouviu o despertador.
 
Passadas as primeiras nove etapas, a MotoGP já colocou ‘em jogo’ um total de 225 pontos. Márquez lidera o campeonato com 185, o que significa dizer que ele acumulou impressionantes 82,2% dos pontos disponíveis ― a maior perda aconteceu justamente no GP das Américas, onde Márquez liderava com folga, mas jogou 25 tentos fora num erro. A título de comparação, Andrea Dovizioso, que segue na vice-liderança do Mundial, tem 127 pontos, o que representa 56,4% do total.
 
“Cada vez que eu passava pela curva 11, pensava em Austin. É onde podia falhar e tinha de ir com cuidado. Aquela queda me passava pela cabeça”, admitiu Marc.

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Passadas nove das 19 etapas previstas, Márquez soma cinco vitórias e cinco poles, um aproveitamento de 55,5% em cada um dos quesitos. Os demais triunfos foram diluídos entre Andrea Dovizioso, Álex Rins, Danilo Petrucci e Maverick Viñales ― que venceram, portanto, apenas 11,1% das provas que disputaram até aqui.

Em termos de pódios, Márquez é igualmente letal. Além das cinco vitórias, o #93 esteve no top-3 em outras três vezes ― sempre no segundo lugar ―, o que representa um aproveitamento de 88,8%. Dovizioso é, também, o segundo com mais pódios no ano, mas seu aproveitamento já baixa para 44,4%.
 
Chama atenção, também, a redução no número de quedas do líder do Mundial. Até agora, Marc só caiu seis vezes. No ano passado, por exemplo, o nativo de Cervera saiu de Sachsenring com 11. Na temporada anterior, foram 13 capotes em nove etapas.
A corrida da MotoGP na Alemanha (Foto: Repsol)
A superioridade de Márquez com a Honda é gritante. Mas não é só isso que define o placar até aqui. A MotoGP tem uma escalação vitoriosa, talentosa e competitiva, mas que, ao menos por agora, tem dado show de irregularidade. A Ducati, por exemplo, foi bem no Catar e na Itália, mas oscilou bastante nas últimas etapas. A Yamaha começou o ano bem com pódios de Valentino Rossi, mas a performance da YZR-M1 sempre foi de contraste entre os pilotos. Quando o #46 estava bem, Maverick Viñales estava pressionado contra as cordas. Quando era a vez do #12 andar na frente, o italiano não tinha ritmo para mirar em algo mais expressivo. A história da Suzuki não é muito diferente das adversárias.
 
“A segunda metade de temporada não será fácil. Os pilotos da Yamaha estão pressionando”, ressaltou o #93.
 
Competir contra Marc Márquez é difícil em qualquer circunstância. Mas fica perto do impossível quando a concorrência não faz sua parte. E, até aqui, Ducati e Yamaha, especialmente, mas também a Suzuki, não fizeram. 
 
Será que a segunda metade do ano vai trazer um novo panorama? Ou Márquez vai continuar seu passeio e ter folga o suficiente até para fazer umas comprinhas?
 
Só o tempo vai dizer. 




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