MotoGP

Dovizioso brilha no Catar, mas não segura ímpeto de Rossi, que coloca Itália na frente da Espanha em vitórias na MotoGP

Desta vez, a Espanha foi colocada para escanteio. Em uma corrida sensacional de 22 voltas, Valentino Rossi controlou Andrea Dovizioso nos metros finais e abriu 2015 com um novo triunfo

Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
A cobertura completa do GP do Catar no GRANDE PRÊMIO
 
No dia em que a Ducati mostrou ao mundo que está de volta ao Mundial de MotoGP, Valentino Rossi tratou de mostrar que quem é rei nunca perde a majestade. Aos 36 anos, o italiano venceu um intenso duelo de 22 voltas e somou mais um triunfo à sua vitoriosa carreira. 

Largando na oitava colocação, o piloto da Yamaha não teve uma boa saída, mas conseguiu recuperar o passo ainda no primeiro giro. Virando mais rápido que a concorrência, Rossi escalou o pelotão pouco a pouco, até se instalar atrás de Andrea Iannone, que rodava em quarto.
Valentino Rossi comemora vitória na abertura da MotoGP no Catar (Foto: AP)
A classificação da MotoGP após o GP do Catar

Na ponta, Jorge Lorenzo vinha liderando depois de uma boa largada, mas com inúmeras trocas de posição com Andrea Dovizioso, que partiu da pole. 
 
Depois de passar Iannone, Rossi começou a pressionar os ponteiros. Primeiro, foi Lorenzo quem foi batido. O espanhol não conseguiu acompanhar o passo veloz dos ponteiros e ficou para trás, sendo ultrapassado por Iannone pouco depois.
 
Na frente, Rossi e Dovizioso inverteram as posições inúmeras vezes, levando a disputa para a última volta. Sete vezes campeão na classe rainha, Valentino dificilmente é derrotado no último giro e tirou tudo que pôde de sua M1.
 
Com 0s174 de vantagem, o italiano chegou ao seu 83º triunfo na divisão principal e, de quebra, colocou a Itália na frente da Espanha no número de vitórias na categoria rainha.

Andrea Iannone assistiu o duelo pela vitória de camarote, mas não conseguiu se meter na briga. O #29 recebeu a bandeirada em terceiro, à frente de Jorge Lorenzo.
 
Campeão vigente, Marc Márquez não teve um bom início de temporada. O espanhol teve um toque com Lorenzo na primeira curva, despencou de terceiro para 20º e teve um novo incidente com Álvaro Bautista. Apesar dos toques, o piloto da Honda se manteve na pista e foi escalando o pelotão.
 
Com o ritmo fortíssimo da ponta, Márquez fez o que pôde, mas não conseguiu descontar os mais de 4s de atraso que tinha para entrar na briga pela ponta. Assim, Marc ficou com o quinto posto, à frente de Dani Pedrosa.
 
Estreando pela LCR, Cal Crutchlow ficou com o sétimo posto, com Bradley Smith, Pol Espargaró e Yonny Hernández completando o top-10.
Andrea Dovizioso mostrou que a Ducati não veio para brincar na temporada 2015 (Foto: Ducati)
Na prova que marca o retono da Suzuki ao Mundial de MotoGP, Aleix Espargaró colocou  a GSX-RR na 11ª colocação, com Maverick Viñales fechando a disputa em 14º.
 
A Aprilia, por outro lado, viu Bautista abandonar por conta do toque na primeira volta e Marco Melandri terminar apenas em 21º, à frente apenas de Loris Baz que teve problemas e precisou parar nos boxes da Forward.
Saiba como foi o GP do Catar de MotoGP:
 
Depois de terem a última bateria de testes da pré-temporada atrapalhada pela chuva, os pilotos da MotoGP contaram com condições perfeitas para a prova deste domingo. No momento que os competidores alinharam na grelha, os termômetros marcavam 22°C, com o asfalto chegando a 28°C. Os ventos sopravam a uma velocidade de 6 km/h.
 
Falando na classe rainha, este é o mais forte grid reunido pelo certame nos últimos anos, já que conta com 12 campeões mundiais e um total de 19 que venceram em ao menos uma das três classes que formam o Mundial de Motovelocidade.
 
A prova deste fim de semana também tem um peso diferente para Karel Abraham e Bradley Smith, já que os dois pilotos chegam à marca de 150 GPs na carreira.

Para este fim de semana, a Bridgestone levou ao Catar os pneus dianteiros macios, médios e os duros, e os traseiros macios, médios (assimétricos) e duros (simétricos). Como determina o regulamento da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), apenas os pilotos que seguem o regulamento Aberto podem usar a borracha mais macia na traseira.
 
No grid deste domingo, todos os pilotos exceto os titulares da Aprilia optaram pelos pneus médios na traseira. Na frente, os quatro primeiros do grid escolheram o composto médios, mas alguns outros apostaram na borracha mais dura, como Rossi e Smith.
 
Além do bom desempenho da GP15 nos testes da pré-temporada e na classificação em Losail, a atenção em relação ao desempenho da Ducati ganhou um reforço com a vitória de Sebastian Vettel na F1. Na etapa da Malásia da caçula rica, o germânico conquistou seu primeiro triunfo pela Ferrai, encerrando um jejum que vinha desde o GP da Espanha de 2013. 
 
No caso da fábrica de Bolonha, a última vitória foi registrada por Casey Stoner, ainda na temporada 2010, quando o australiano venceu em Phillip Island.
 
Antes do início dos trabalhos em Losail, pilotos, mecânicos, promotores e todos àqueles com acesso ao pit-lane respeitaram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente com o voo 9525, que caiu nos Alpes Franceses na última terça-feira.
Marc Márquez teve uma largada para lá de ruim (Foto: Repsol)
 Quando as luzes se apagaram para a primeira corrida da temporada 2015 da MotoGP, Dovizioso manteve a ponta, com Lorenzo saltando para o segundo posto, à frente e Iannone e Hernández. Smith aparecia em quinto, com Pol, Aleix, Pedrosa, Petrucci e Rossi completando o top-10.
 
Márquez, por outro lado, teve uma largada desastrosa e despencou para a 20ª colocação. Brigando pela ponta, Marc tocou com Lorenzo e escapou da pista. Depois, teve um incidente com Bautista, mas permaneceu de pé. Com mais moto que a concorrência, o campeão vigente logo começou a escalar o pelotão.
 
Na ponta, Dovizioso tentava escapar, mas era perseguido de perto por Lorenzo, que trazia junto todo um pelotão. 
 
Pedrosa, por sua vez, também tratou de extrair logo o que a RC213V tem de melhor e partiu para o ataque, subindo de nono para sétimo na primeira volta.
 
Mais atrás Redding e Márquez escalavam o pelotão, aparecendo em 13º e 14º, respectivamente.
 
Na segunda volta, Dovizioso não mais conseguiu segurar Lorenzo, que passou por dentro na curva 12. Iannone vinha em terceiro, à frente de Hernández, Smith, Pedrosa, Pol, Rossi, Petrucci e Crutchlow. Márquez passou Redding e subiu para 12º.
 
Sem muita demora, Rossi deixou Pol Espargaró e chegou em Pedrosa. Smith vinha à frente do espanhol.
 
Na ponta, Lorenzo passou a abrir em relação à Dovizioso, exibindo 0s229 de margem na segunda volta da corrida. 
 
Pedrosa e Rossi passaram Smith pouco depois e agora tinham Hernández pela frente. Sem esperar a ação de Dani, Valentino subiu para o quarto posto e passou a perseguir o colombiano, que vinha 0s211 à frente e já tinha mais de 2s de atraso para Iannone.
Yonny Hernández fez uma prova muito boa neste domingo (Foto: Pramac)
Sem paciência para esperar, Rossi passou Yonny por dentro, mas levou o troco pouco depois. O italiano insistiu e recuperou a frente na curva 1, deixando o piloto da Pramac para se defender de Pedrosa.
 
Pouco depois, foi Dani quem deixou o colombiano para trás. Smith vinha em sétimo, à frente de Márquez, que mergulhou por dentro na curva 6 para passar Crutchlow. Pol e Aleix Espargaró vinham na sequência.
 
Rodando em quarto, Rossi passou a reduzir a vantagem para Iannone, que estava na casa de 1s5. Lorenzo seguia na ponta, apenas 0s183 à frente de Dovizioso. O #29 tinha 0s278 de atraso para o companheiro de Ducati.
 
Faminto, Rossi virou a melhor marca da corrida - 1min55s267 -, caçando Iannone pela pista e reduzindo bem a vantagem.
 
Após o incidente da primeira volta, Álvaro Bautista voltou aos boxes da Aprilia, indicando que o toque com Márquez tinha deixado sequelas. 
 
Na ponta, Dovizioso seguia empenhado em bater Lorenzo e, na sexta volta, tinha reduzido a vantagem do espanhol para 0s08.
 
Mais atrás, Márquez passou Smith e assumiu o sétimo posto, 0s192 atrás de Hernández, que já tinha mais de 1s de atraso para Pedrosa. O #26, por sua vez, vinha 2s atrás de Valentino.
 
Bicho de corrida, Rossi seguia virando mais e mais rápido, chegando cada vez mais em Iannone. Um pouco atrás, Márquez colou em Hernández e passou a pressionar o pobre colombiano, que não teve muito como segurar a armada nipo-espanhola. 
 
Na oitava volta, o insistente Dovizioso conseguiu passar Lorenzo por dentro na curva 1 e tomar a ponta, mas sem escapar muito das garras do bicampeão da MotoGP.
 
Rossi por sua vez, foi chegando, já aparecendo a 0s333 de Iannone, que não vinha muito longe de Lorenzo. 3s533 atrás de Rossi, Pedrosa tinha Márquez 1s1 atrás.
 
Aos poucos, Dovizioso e seu canhão italiano — que chegava aos 340,5 km/h — foi se afastando de Lorenzo, as o espanhol conseguiu responder e voltou a se aproximar. Pouco atrás, Rossi agitava a Yamaha colando em Iannone.
 
No fim da nona volta, Lorenzo conseguiu tomar a ponta de Dovizioso, mas levou o troco pouco depois, na curva 2. Enquanto isso, Márquez já tinha levado sua diferença para Pedrosa para 0s405.
Aleix Espargaró foi 11º em sua estreia com a Suzuki (Foto: Suzuki)
Hernández permanecia em sétimo, à frente de Smith, Crutchlow, Pol e Aleix Espargaró, Redding e Petrucci.
 
Alguns metros mais tarde, Lorenzo colocou por fora e retomou a ponta. Quase que imediatamente, Rossi foi por dentro para passar Iannone, mas levou o troco na curva 1. Andrea usou o vácuo do #46 e aproveitou a maior velocidade da Ducati — 338.1 km/h da M1 X 342.7 km/h da GP15.
 
Mais atrás, Márquez passou Dani e assumiu o quinto posto, mas o #26 seguiu pressionando.
 
Teimoso, Rossi lançou um novo ataque na 11ª volta e se instalou em terceiro, 0s077 atrás de Dovizioso, que ainda não tinha deixado Lorenzo fugir.
 
A briga italiana, então, esquentou, com Rossi passando a pressionar fortemente Dovizioso. Iannone vinha em quarto, ainda sem desistir do pódio.
 
Quinto colocado, Márquez não vinha conseguindo reduzir o atraso em relação à Iannone, que já era de 4s.
 
Na reta de Losail, Dovizioso colou em Lorenzo e passou na freada da curva 1, retomando a liderança. Rossi vinha em terceiro, pertinho de Lorenzo e um pouco mais livre de Iannone. 
 
Lá atrás, Maverick Viñales deixou Karel Abraham para atrás para assumir o 17º posto. O estreante tinha 2s077 de atraso para Stefan Bradl, que vinha à frente.
 
Na última curva, Lorenzo retomou a liderança, mas a velocidade da Ducati seguia fazendo a diferença na reta. Na curva 1, Jorge, suave como sempre, pegou a ponta de volta. Rossi vinha colado em terceiro, com Iannone completamente na briga.
 
Quarto colocado, Márquez tinha vista privilegiada do pega que rolava à frente mas sem chance de chegar. Entretanto, Pedrosa ia ficando cada vez mais para trás. 
 
Na ponta da tabela, a briga de Lorenzo, Dovizioso e Rossi — que juntos somam 14 títulos mundiais — seguia quente e Valentino era o único com um pneu duro na dianteira. Isso faria diferença?
 
Rapidinho, Dovizioso tentou engolir Lorenzo na reta mais uma vez, mas o esperto espanhol encontrou um caminho para fechar a porta e segurar a GP15 #4. 
 
Mais atrás, Crutchlow, Hernández, Smith e Pol brigavam pelo sétimo posto, com o britânico da LCR na frente.
 
Na 16ª volta, Rossi tentou passar Dovizioso na curva 12, mas não conseguiu. Pressionado, Dovi atacou e tomou a frente, mas errou a trajetória na curva 1 e perdeu a ponta de novo. 
 
No fio da navalha, Rossi seguiu atacando, forçando Dovizioso a atacar Lorenzo mais uma vez. Sempre na reta, Andrea conseguiu passar e, desta vez, fechou a porta para Jorge a curva 1. Alguns metros depois, Rossi passou o #99 e subiu para segundo na curva 4.
 
Na 18ª volta, Rossi conseguiu tomar a ponta, mas Dovizioso recuperou a frente antes de chegar na curva 15. Mais atrás, Iannone passou Lorenzo e subiu para terceiro.
 
Na passagem seguinte, o multicampeão passou por dentro mais uma vez, levou o troco, mas devolveu na curva 12 e ficou com a ponta. Pouco adiante, Andrea retomou a liderança, mas Rossi não desistiu.
 
Mesmo massacrado na reta, Valentino botou por dentro na curva 1 e voltou para a ponta, conseguindo segurar Dovizioso nos metros adiante. Com duas voltas para o fim, o piloto de 36 anos começou a tentar abrir vantagem. 
 
Na fim da volta, Andrea passou de novo, mas levou o troco pouco depois. Rossi é mestre em tática de corrida e Dovizioso teria de pensar direitinho para encontrar um caminho de bater o multicampeão.
 
Na última volta, Dovizioso seguiu pressionando, mas Valentino foi se mantendo na frente, tirando cada coisinha positiva da YZR-M1 até receber a bandeirada na frente.
 
MotoGP, GP do Catar, Losail, Final:
 
1
46
VALENTINO ROSSI
ITA
YAMAHA
42:35.717
22 voltas
2
4
ANDREA DOVIZIOSO
ITA
DUCATI
+0.174
 
3
29
ANDREA IANNONE
ITA
 DUCATI
+2.250
 
4
99
JORGE LORENZO
ESP
YAMAHA
+2.707
 
5
93
MARC MÁRQUEZ
ESP
HONDA
+7.036
 
6
26
DANI PEDROSA
ESP
HONDA
+10.755
 
7
35
CAL CRUTCHLOW
ING
LCR HONDA
+12.384
 
8
38
BRADLEY SMITH
ING
TECH3 YAMAHA
+12.914
 
9
44
POL ESPARGARÓ
ESP
TECH3 YAMAHA
+13.031
 
10
68
YONNY HERNÁNDEZ
COL
PRAMAC DUCATI
+17.435
 
11
41
ALEIX ESPARGARÓ
ESP
SUZUKI
+19.901
 
12
9
DANILO PETRUCCI
ITA
PRAMAC DUCATI
+24.432
 
13
45
SCOTT REDDING
ING
MARC VDS HONDA
+32.032
 
14
25
MAVERICK VIÑALES
ESP
SUZUKI
+33.463
 
15
8
HECTOR BARBERÁ
ESP
AVINTIA DUCATI
+33.625
 
16
6
STEFAN BRADL
ALE
FORWARD YAMAHA
+33.944
 
17
69
NICKY HAYDEN
EUA
ASPAR HONDA
+38.970
 
18
50
EUGENE LAVERTY
IRN
ASPAR HONDA
+46.570
 
19
63
MIKE DI MEGLIO
FRA
AVINTIA DUCATI
+59.211
 
20
15
ALEX DE ANGELIS
RSM
IODA ART
+1:14.981
 
21
33
MARCO MELANDRI
ITA
APRILIA GRESINI
+1:48.143
 
22
76
LORIS BAZ
FRA
FORWARD YAMAHA
+3 voltas
 
 
17
KAREL ABRAHAM
TCH
AB HONDA
NC
 
 
43
JACK MILLER
AUS
LCR HONDA
NC
 
 
19
ÁLVARO BAUTISTA
ESP
APRILIA GRESINI
NC
 
 
 
 
 
 
 
 
POLE
ANDREA DOVIZIOSO
ITA
DUCATI
1:54.113
169.7 km/h
VOLTA MAIS RÁPIDA
VALENTINO ROSSI
ITA
YAMAHA
1:55.267
168.0 km/h
RECORDE
CASEY STONER
AUS
DUCATI
1:55.153
168.1 km/h
MELHOR VOLTA
JORGE LORENZO
ESP
YAMAHA
1:53.927
170 km/h
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Condições do tempo
 
PISTA SECA
 
ar: 22ºC | pista: 28ºC