Ducati espanta derrota e comanda MotoGP no primeiro dia de treinos em Doha

Depois de perder para a Yamaha de Maverick Viñales no GP do Catar, a Ducati se aprumou nesta sexta-feira (2) e garantiu quatro motos no top-5 do primeiro dia de treinos livres

Assista aos melhores momentos do GP do Catar de MotoGP (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

A MotoGP não deu nem tempo de descanso e voltou às pistas em Doha nesta sexta-feira (2) com a Ducati na liderança. Ao fim de duas sessões de treinos em Losail, a casa de Bolonha formou um 1-2-3 no topo da tabela, com Jack Miller liderando Francesco Bagnaia e Johann Zarco.

Embora o melhor histórico no traçado da península árabe seja da Yamaha, a marca de Borgo Panigale é tradicionalmente favorita em Losail, principalmente por conta da força do motor. O australiano tinha saído dos testes da pré-temporada como franco favorito, mas frustrou a expectativa no GP do Catar da semana passada, quando recebeu a bandeirada só em nono, mais de 7s atrás do vencedor.

Jack Miller levou um susto, mas liderou (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Na noite desta sexta, Miller teve um início de sessão discreto e levou uma bela chacoalhada na curva 15 já em meados do terço final da sessão, mas conseguiu cravar 1min53s145 para garantir com folga a liderança da MotoGP.

“Eu me senti muito confortável com a moto nesta noite. Nós mudamos um pouco no final no TL1, mas a temperatura estava muito alta, então é meio difícil acertar a moto. Estávamos mais focados na sessão desta noite, mas fomos fazendo voltas”, disse Miller. “Consegui fazer o tempo de volta no fim da sessão. Foi um momento meio tudo ou nada. Ainda não tinha feito uma volta decente, mas levei um susto, quase sofri um high-side. Nós não estávamos planejando usar um segundo pneu, mas não tive outra opção. No fim, me senti muito bem”, contou.

“A umidade estava meio alta esta noite, mas a temperatura também estava alta, então deu para forçar relativamente bem”, considerou.

Questionado se conseguiu trabalhar em algo para resolver o problema de desgaste do pneu traseiro que afetou a corrida da semana passada, Jack respondeu: “Na semana passada, foi um problema meio estranho que tivemos. Estamos torcendo para não acontecer outra vez. E não acho que acontecerá. Se acontecer, alguém vai perder a cabeça”.

Francesco Bagnaia ficou com o segundo posto (Foto: Divulgação/MotoGP)

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0s313 mais lento que o companheiro de Ducati, Bagnaia também cresceu no finalzinho, mas escapou de ter a volta cancelada por causa de um tombo de Álex Márquez.

“Hoje as condições estavam realmente difíceis. Tinha muito mais umidade e o pneu traseiro patinava muito, a tal ponto que eu achei que estivesse com defeito”, disse Bagnaia. “No final, todos os pilotos disseram a mesma coisa e apontaram o mesmo problema. Foi mais difícil fazer bons tempos do que na semana passada”, comparou.

“No fim, eu fiz o mesmo tempo da semana passada”, comentou, citando que usou uma tática diferente nesta sexta. “Fiz dois tempos de ataque, mas, desta vez, dei mais voltas com pneus usados, conseguindo tempos constantes, sem fazer grandes coisas. Mudei um pouco o meu estilo de pilotagem para conservar o pneu traseiro e acho que funcionou”, opinou.

Mais 0s079 atrás, Johann Zarco também passou ileso do tombo de Álex, mas ele próprio caiu na sessão vespertina, embora sem consequências físicas.

“Estou feliz. O terceiro lugar é muito bom e o tempo também foi bom”, considerou. “Mas não foi um dia divertido. No TL1, assim que forcei um pouco, acabei no chão. Com os pneus macios, não dava para forçar tanto como na semana passada, quando Miller fez seu melhor tempo. Se também estiver calor assim no sábado, espero poder dar um passo à frente no TL4 para poder fazer uma boa classificação”, torceu.

Fabio Quartararofoi a melhor Yamaha nesta sexta-feira em Doha (Foto: Divulgação/MotoGP)

Melhor entre as Yamaha, Fabio Quartararo fechou o dia com o quarto posto, 0s438 mais lento que o líder.

“Foi duro e, infelizmente, não me senti bem na moto hoje. Dei minha melhor volta andando no limite em todo lugar, não estava bem. Vou tentar melhorar um pouco amanhã, porque as condições vão mudar”, falou Fabio. “Tivemos problemas hoje com a aderência, trepidamos muito. Espero melhores condições amanhã. A classificação é sobre acertar tudo em uma volta só, frear o mais tarde o possível. Não estou tão preocupado com a classificação, e para a corrida vou dar mais voltas com os pneus macios. Mal posso esperar”, garantiu.

Estreante na MotoGP em 2021, Jorge Martín foi um dos grandes destaques desta sexta. O piloto da Pramac fechou o dia com o quinto posto, 0s448 atrás de Miller. Semana passada, o espanhol de Madri fechou o primeiro dia em Losail em 13º, com um tempo 0s585 mais lento do que o de hoje.

“Às vezes, é possível dar esse passo à frente. Eu sabia onde eu podia melhorar. Permaneci no top-10 o dia todo e, mesmo quando fizemos uma volta rápida, fui bem. Aí peguei o ritmo e me diverti muito. Foi a melhor sessão desde que chegamos aqui. Estou muito feliz e me acostumando com a moto e as sensações”, sublinhou.

Assim como aconteceu na abertura da temporada, Aleix Espargaró esteve entre os protagonistas. O catalão chegou a liderar e fechou o dia com o sexto tempo, com 1min53s646.

“Foi um bom dia. A pista estava bem diferente hoje, com mais umidade. Senti a moto escorregando bastante pela primeira vez. De qualquer forma, me senti bem nas duas sessões”, relatou. “Ainda que o TL1 não tenha sido particularmente útil aqui, fiquei agradavelmente surpreso com a performance da RS-GP no calor. No TL2, depois de fazer um tempo bom o bastante para avançar para o Q2, decidi economizar pneus para amanhã. Teremos muito trabalho a fazer em termos de estratégia para a corrida. Na semana passada, tivemos um consumo de pneus extremamente alto, então precisamos tentar melhorar”, ponderou.

Franco Morbidelli, por outro lado, teve um dia muito menos tranquilo. O ítalo-brasileiro teve dois problemas com a moto no primeiro treino do dia, precisou deixar a pista duas vezes, mas conseguiu terminar em sétimo, ainda que tenha tido de abrir um terceiro motor já na terceira etapa do ano.

“Ainda não sabemos as causas do problema desta manhã, mas, pelo que eu ouvi dos técnicos, não é nada que force a retirar os dois motores. Não é um grande problema como o que aconteceu no ano passado em Jerez”, disse Morbidelli. “Não estou muito preocupado. Não quero pensar muito nisso”, garantiu.

“Estou muito feliz com a reação que tivemos. Muitas coisa aconteceu nos últimos três, quatro dias em que estive na moto, mas estamos reagindo bem e tive as respostas que queria nesta noite”, opinou. “Hoje eu fiz apenas um tempo de ataque, apanhei as duas bandeiras amarelas, mas com o pneu médio rodei mais forte do que na semana passada, com mais suavidade. Estou feliz e indo na direção certa”, frisou.

Franco Morbidelli quebrou duas vezes no TL1 (Foto: Divulgação/MotoGP)

Vencedor da corrida da semana passada, Maverick Viñales conseguiu vaga dentro do top-10, mas fechou o primeiro dia do GP de Doha em nono, 0s727 atrás do líder.

“O tempo de ataque não saiu como esperávamos. Podemos ser muito mais rápidos”, assegurou. “Mas, de qualquer forma, o ritmo estava lá, estou me sentindo muito bem com os pneus médios, mesmo que não seja o melhor pneu para nós aqui. Depois de mudamos para o modo de classificação, a sensação mudou e vamos dar uma olhada nisso. Mas estou bem calmo, sei que posso me sair bem”, declarou.

“Me senti incrível na moto no TL1 e em quase todo o TL2. Podemos fazer algo realmente bom amanhã. O mais importante é que temos a oportunidade de estar na frente, batalhar pela corrida”, completou.

Quem também avançou bastante, especialmente na comparação com a semana passada, foi Danilo Petrucci. No primeiro ano com a KTM da Tech3, o italiano fez o 12º, melhorando 0s805.

“Obviamente, é sempre muito frustrante quando você fica fora do top-10 por nem mesmo um décimo de segundo, mas, ao mesmo tempo, é claro que estou feliz com a melhora que conseguimos hoje”, comentou. “É um longo caminho e, nesses poucos dias pilotando, estou me acostumando mais e mais com a moto a cada sessão. No geral, estou feliz, mas não satisfeito”, comentou.

“Queremos estar mais perto da ponta. Tomara que possamos melhorar mais um pouco amanhã para podermos nos aproximar dos ponteiros”, completou.

O GP de Doha é o segundo da temporada 2021 da MotoGP. Na programação do domingo, há um warm up de 20 minutos às 9h40 e a corrida às 14h. Todos os horários são de Brasília, GMT -3. GRANDE PRÊMIO cobre tudo aqui.

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