Ducati valoriza feitos de Dovizioso, mas justifica saída: “Necessidade de virar a página”

Diretor-esportivo da Ducati, Paolo Ciabatti reconheceu que o italiano de Forli foi o piloto mais importante para a marca desde de Casey Stoner

A Ducati apontou a “necessidade de virar a página” como justificativa para a saída de Andrea Dovizioso ao fim da temporada 2020. O italiano de Forli disputou oito campeonatos com a casa de Bolonha e foi três vezes vice-campeão.

Depois de passagens por Honda e Tech3, Dovizioso chegou à Ducati em 2013, substituindo Valentino Rossi. Desde então, Andrea foi o líder da equipe, ainda que tenha sido Andrea Iannone a encerrar em 2016 o jejum de vitórias que vinha desde a era Casey Stoner, o único a ser campeão de marca, em 2007.

Dovizioso, contudo, nunca se sentiu muito prestigiado em Borgo Panigale. Sob o comando de Gigi Dall’Igna, a escuderia italiana tentou fazer de Jorge Lorenzo um líder, mas faltou paciência aos executivos para aguardar a adaptação do tricampeão, que encerrou a carreira a carreira no ano passado, depois de uma temporada bastante ruim com a Honda.

Andrea Dovizioso ficou fora do grid de 2021 da MotoGP (Foto: Ducati)

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Os impactos da passagem de Jorge pela Ducati, porém, ficaram claros na relação com Dovizioso. Em agosto deste ano, Andrea anunciou que não iria renovar com a Ducati e acabou sem vaga para 2021.

A fábrica italiana, por sua vez, promoveu Jack Miller e Francesco Bagnaia ao time principal, com Johann Zarco e Jorge Martín formando a dupla da Pramac. Para completar uma gama de jovens talentos, a Ducati ainda terá Luca Marini e Enea Bastainini na Avintia em 2021.

Diretor-executivo da Ducati, Paolo Ciabatti reconheceu a importância de Dovizioso para a marca, mas avaliou que era hora de buscar resultado por um caminho diferente.

“Nós tivemos muito sucesso junto com Andrea Dovizioso”, admitiu Ciabatti. “Ele é o piloto mais longevo na história da Ducati, foram oito anos seguidos juntos na MotoGP. Definitivamente, vencer 14 corridas e ser vice-campeão por três anos seguidos foi uma grande conquista e é sempre triste ver uma relação assim chegar ao fim”, seguiu.

“Acho que, obviamente, existem razões para isso dos dois lados, mas talvez também seja verdade que, depois de oito anos juntos, existe a necessidade de virar a página e tentar as coisas de uma maneira diferente, com uma nova energia”, justificou. “Mas acho que valorizamos esses oito anos juntos e o resultado conquistador, pois, claro, Andrea foi o melhor piloto depois de Casey Stoner em termos de vitórias pela Ducati. Isso é algo que sempre lembraremos”, assegurou.

A temporada 2020 foi marcada pela ausência de Marc Márquez, que fraturou o braço direito em um acidente no final da primeira corrida e não conseguiu mais voltar. Sem o espanhol, Dovizioso parecia o favorito claro ao título, mas ainda que tenha liderado brevemente o campeonato, não foi uma força a ser temida pelos rivais. No fim, o piloto de Forli fechou o ano com uma única vitória e o quarto posto no Mundial.

“Obviamente, dá para imaginar que depois do acidente que Marc teve na primeira corrida e aí, claro, infelizmente, o fato de ele não ter podido voltar durante a temporada, nós podíamos ser um dos candidatos a tentar vencer esse campeonato, pois nos três anos anteriores ficamos em segundo, atrás de Marc, com Andrea Dovizioso”, comentou Ciabatti. “Mas, por muitas razões ― acho que formato dos campeonatos, as corridas consecutivas, a adaptação difícil da nossa moto ao novo pneu traseiro da Michelin e também o fato de que o estilo de pilotagem era familiar a nossa com o pacote anterior não estava realmente funcionando, então, bem, para alguns pilotos as coisas ficaram difíceis para nós”, reconheceu.

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