Em dia de surpresas com asfalto, Yamaha rivaliza com KTM nos treinos em San Marino

Dona do melhor histórico no traçado de San Marino, a YZR-M1 abriu os trabalhos em Misano com o pé direito, mas viu a KTM despontar como principal rival. O novo asfalto, porém, não ganhou 100% de aprovação dos pilotos

A Yamaha foi a surpresa do primeiro dia de treinos da MotoGP para o GP de San Marino e da Riviera de Rimini. Apesar do melhor histórico na pista de Misano, onde soma seis vitórias ― a última delas em 2014, com Valentino Rossi ―, a casa de Iwata não participou de um teste privado recente feito no traçado e, assim, saiu atrás de Honda, Ducati, KTM e Aprilia nos preparativos para o fim de semana.

Ainda assim, a marca dos três diapasões não fez feio no primeiro dia de atividades no circuito localizado no ‘Vale do Motor’. Nesta sexta-feira (11), as quatro YZR-M1 garantiram espaço no top-10 combinado, com Fabio Quartararo, Maverick Viñales e Franco Morbidelli dominando as três primeiras colocações. Valentino Rossi ficou em sexto, 0s543 atrás do líder.

A KTM, por sua vez, foi igualmente bem, também com a totalidade das RC16 entre os dez mais rápidos: Pol Espargaró fez o quarto tempo, 0s199 melhor que Iker Lecuona, o quinto. Brad Binder sofreu uma queda na sessão vespertina, mas ficou em oitavo, 0s015 melhor que Miguel Oliveira, o nono.

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Fabio Quartararo saiu animado do primeiro dia em Misano após liderar trinca da Yamaha (Foto: SRT)

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A Ducati, por sua vez, colocou apenas uma de suas motos na parte de cima da tabela ― com Danilo Petrucci em sétimo ―, enquanto a Aprilia viu Aleix Espargaró garantir o décimo tempo. A melhor Honda foi a de Takaaki Nakagami, em 12º, com Álex Rins liderando o esforço da Suzuki a partir do 13º lugar.

Líder do Mundial, Quartararo chegou em Misano precisando colocar a performance nos trilhos. Depois de duas vitórias na abertura da temporada 2020, o francês somou apenas 20 pontos nas últimas três corridas.

“Foi muito bom, pois as três corridas de Brno até a Áustria foram muito difíceis para nós, muito difícil de controlar os problemas que tivemos na moto. No fim, aqui nós encontramos uma grande melhora”, disse Quartararo. “Claro, a pista ajuda muito, mas no fim, a trinca de corridas em Áustria e Brno fez com que aprendêssemos a nos adaptar rapidamente. É claro que não é o melhor momento para termos esse tipo de problemas, pois eu queria marcar mais pontos, mas é uma experiência que ajuda no futuro”, ponderou.

“Na verdade, nós fizemos um bom TL1 e um bom TL2. O ritmo no TL2 com um pneu bem velho foi ótimo. Infelizmente, não começamos desde o início com o duro dianteiro no TL2, mas foi bom porque testamos alguns acertos que parecem muito bons. Mal posso esperar por amanhã, pois sabemos que ainda temos algo a melhorar”, torceu. “O foco para amanhã é tentar melhorar mais uma vez o ritmo. Acho que ainda podemos melhorar um pouco mais, mas já temos um bom ritmo. E, claro, lutar pela primeira fila amanhã será muito importante para a corrida”, completou.

Quinto na tabela do campeonato, Viñales também chega para a corrida na Riviera de Rimini em busca de reação. No GP da Estíria, o espanhol precisou abandonar após descumprir a orientação da Brembo e apresentar problemas nos freios. O início dos trabalhos para esta sexta etapa da temporada, porém, animou o titular da Yamaha.

“Acho que o TL1 foi muito bom. Me vi logo de cara com uma boa sensação. Estava pilotando muito rápido. De tarde, mantivemos os pneus do TL1, com os quais tive uma ótima sensação, e o ritmo estava lá, muito constante. Foi muito impressionante que eu tenha feito o meu melhor tempo na última volta”, contou Maverick. “Quando fiz o tempo de ataque, o pneu dianteiro estava usado da manhã, então não forcei muito, só queria testar o macio para amanhã de manhã, pois já tinha um bom tempo de volta. O macio parece ser realmente bom. Acho que temos uma boa chance de fazer uma volta realmente boa amanhã, especialmente no TL3 e na classificação”, comentou.

Correndo em casa neste fim de semana, Morbidelli saiu mais do que satisfeito da sexta-feira em Misano.

Maverick Viñales usou o motor da moto que pegou fogo no Red Bull Ring (Foto: Yamaha)

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“Foi uma sexta-feira maravilhosa para mim: GP casa, começando com a energia certa, com um bom ritmo, um bom tempo de volta. Eu estou feliz, mas preciso ficar focado, pois é só sexta-feira e nada está feito ainda”, ponderou. “Temos de continuar trabalhando assim, continuar com esse comportamento na pista e performance, e aí estaremos tão felizes quanto hoje ou ainda mais no domingo”, considerou.

Assim como os colegas de marca, Morbidelli também tem fantasmas a espantar em San Marino, mas não por problemas de performance e sim pelo assustador acidente que sofreu no GP da Áustria.

“Acho que o GP da Estíria foi duro por muitas razões, mas agora estamos em Misano depois de duas semanas de descanso. Amanhã vamos tentar melhorar o pacote como sempre fazemos, tentar melhorar o ritmo, e vamos tentar fazer um bom tempo de volta para tentar largar das duas primeiras filas”, completou.

Rossi, por sua vez, também se mostrou satisfeito com as atividades em Misano, principalmente por já ter alcançado uma posição dentro do top-10 combinado.

“Hoje foi uma boa sexta-feira. Parece que a nossa moto é mais competitiva aqui e podemos ser mais fortes. Especialmente, não fui tão mal de tarde, também no ritmo. Precisamos dar o máximo, porque podemos lutar por um bom resultado”, avaliou. “Temos de melhorar em alguns lugares, mas me sinto bem com a moto e, no fim, fiz um bom tempo de ataque. A quinta colocação que consegui no TL2 é uma boa para o primeiro dia. Vai ser importante ficar dentro do top-10 amanhã de manhã, então essa é a nossa meta”, resumiu.

No ano em que se despede da KTM, Pol Espargaró admitiu a surpresa com a performance da RC16, mas sublinhou que a Yamaha tem mais ritmo em Misano.

“Não achava que poderíamos estar nesse nível essas corridas todas. Temos de esperar, mas acho que não estamos tão bem quanto na Áustria. As Yamaha estão melhor em termos de ritmo, são muito rápidas, mas estamos infinitamente melhores do que no ano passado”, comparou. “Me anima pensar que podemos repetir o que fizemos em Brno e na Áustria, mas temos de ser pacientes. É um circuito com asfalto novo, com pneus novos para muitos. É só o primeiro dia, mas penso que temos opções de fazer uma boa corrida. Não digo para vencer, mas para estar entre os cinco primeiros”, considerou.

“Tudo isso é muito positivo pensando em termos de campeonato. Estamos poucos pontos atrás do primeiro, apesar dos zeros que tivemos e, quem sabe, podemos até pensar em chegar no final do ano com opções de estar entre os três primeiros. Isso me mantém bastante motivado”, assegurou.

O catalão comentou, também, que a Yamaha tem expectativas altas para esta corrida, pois sabe que não restam muitas pistas favoráveis pela frente.

Pol Espargaró exaltou a performance da KTM (Foto: KTM)

“Não lhes restam muitos circuitos que adaptem tão bem. São duas corridas aqui, muitos pontos em jogo, e eles sabem que têm de aproveitar para tirar vantagem da Ducati, inclusive de nós”, apontou. “Em uma volta, eles são muito rápidos, e têm mais ritmo de corrida do que o resto. Vamos ver o que podemos fazer contra eles”, encerrou.

A surpresa do dia, contudo, ficou por conta do novato Iker Lecuona. Depois de um início de temporada bastante opaco, o espanhol parece ter pego a mão com a moto austríaca e agora já consegue rodar entre os ponteiros.

“Com certeza, estou muito feliz! No TL1, tive um pouco de dificuldade, mas também porque não troquei os pneus. Saí com um médio dianteiro e um macio traseiro, mas não funcionou como planejado. De qualquer forma, estava trabalhando mais em mim e continuamos melhorando a base da moto. No fim, tivemos uma ideia clara para o TL2, saindo com um pneu novo e uma base decente”, relatou. “Já na primeira saída, eu fui realmente rápido e constante, rodando sozinho. Estava sozinho também na minha volta rápida e consegui melhorar. Foi meu tempo de volta mais rápido neste circuito e terminar dentro do top-5 é um ótimo início para o fim de semana. Só precisamos continuar assim e ver o que acontece amanhã”, defendeu.

Novo asfalto de Misano agrada por aderência. Mas mantém ‘pegada’ motocross

O primeiro dia em Misano foi também um teste para o novo asfalto. Recém-recapeado, o circuito Marco Simoncelli ganhou elogios pelo nível de aderência, mas também foi alvo de criticas por conta das ondulações.

“Misano é sempre um pouco complicado. Eles fizeram um trabalho muito bom com o novo asfalto, pois tem uma aderência muito boa e menos ondulações, mas tem algumas ruins em alguns lugares”, contou Rossi. “Tinham mais ondulações com o asfalto anterior, mas eram menores”, explicou.

Confira as imagens do primeiro dia de treinos da MotoGP em Misano

Iker Lecuona foi um dos destaques desta sexta-feira (Foto: KTM)

Viñales acompanhou a opinião do parceiro de Yamaha, mas também fez elogios ao traçado de San Marino.

“Achei muito bom, pois a aderência é muito alta, mas as onduções são maiores. Tem menos ondulações, mas elas são maiores”, frisou. “De qualquer forma, é fantástico. Pilotar em Misano, com esse tipo de layout, com mais de 90% completamente plana, é incrível”, elogiou.

Quartararo, por sua vez, disse que a pista “está 50-50”. “Tem muito mais aderência, mas muito mais ondulações. É difícil, um pouco perigoso, mas no fim, tudo mundo está tendo cuidado”, contou.

O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP de San Marino e da Riviera de Rimini, sétima etapa do Mundial de Motovelocidade 2020.

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