Em nova tentativa de baixar custos e aumentar competitividade, MotoGP adota centralina padrão em 2014

A partir de 2014, MotoGP adota centralina padrão e divide regulamento entre Fábrica e Aberto. Mudança é uma nova tentativa da Dorna, promotora do campeonato, de reduzir os custos e aumentar a competitividade

 

A temporada 2014 da MotoGP começa neste fim de semana com uma discreta, mas nem por isso pequena mudança em seu regulamento. Embora não seja visível aos olhos do grande público, a adoção de uma centralina padrão promete movimentar o Mundial, especialmente por conta da divisão dos times entre ‘Fábrica’ e ‘Aberto’.

De novo tentando baixar os custos e ampliar a competitividade da categoria, a MotoGP anunciou ainda no fim de 2012 – depois de muita discussão entre os promotores e a MSMA (Associação dos Fabricantes de Motociclestas Esportivas) –, a adoção de uma centralina padrão a partir deste ano. Além da nova ECU, que será fornecida pela Magneti Marelli, subsidiária da Fiat, a categoria também vai implantar um data-logger único, um dispositivo eletrônico que grava informações.

Principais diferenças entre o Regulamento Fábrica e Aberto (Arte: Rodrigo Berton)

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Fábrica versus Aberto

Apesar da tentativa da Dorna, a promotora não tinha conseguido derrotar as fábricas e implantar uma centraliana completamente padrão – o que acabou de ser aprovado e entra em vigor na temporada 2016. Desta forma, os organizadores permitiram que os times pertencentes à MSMA, ou seja, Honda, Yamaha e Ducati, utilizem um software próprio, mas isso, claro, também tem um custo. O time que utilizar um programa próprio terá limitações extras em comparação com os chamados Aberto.

Assim, as equipes de fábrica e suas respectivas satélites do grid contarão com um tanque de combustível com capacidade para 20 litros, cinco motores lacrados no início da temporada e não terão disponível o pneu extra-macio. Dentro do regulamento Aberto, por outro lado, as motos têm tanques de 24 litros e liberação para utilizar até 12 motores não lacrados por ano.

Além disso, seguindo a linha do que foi feito com as CRTs até o ano passado, a Bridgestone vai fornecer um composto mais macio para estes pilotos. O regulamento que entra em vigor neste ano prevê, ainda, o uso de nove propulsores na primeira temporada de qualquer fábrica que entre no campeonato.

Embora pareça uma punição, a redução no número de motores e na capacidade de combustível foi feita a pedido das próprias fábricas, que desejavam um desafio técnico para substituir o desenvolvimento de sua própria centralina.

A opção da Ducati e seu efeito regulamentar

Depois de concluir as duas primeiras baterias de testes da pré-temporada 2014 – realizadas no circuito de Sepang, na Malásia –, a Ducati anunciou sua opção por obedecer ao regulamento Aberto e utilizar o hardware e o software fornecidos pela Magneti Marelli.

Vivendo um jejum de títulos desde a conquista de Casey Stoner, no longínquo ano de 2007, a fábrica de Borgo Panigale vem tentando se reerguer e o esforço deste ano é capitaneado por Gigi Dall’Igna, o homem que conduziu a Aprilia em seus dois títulos no Mundial de Superbike e que preparou a ART que levou Aleix Espargaró ao posto de melhor piloto CRT por dois anos seguidos.

Novo chefe da Ducati Corse, Dall’Igna foi contratado para substituir Bernhard Gobmeier, que havia sido recrutado pela Audi, dona da marca de Bolonha, no ano passado para ocupar o posto de Filippo Preziosi, até hoje apontado como responsável pela escavação que levou o time ao fundo do poço.

Cal Crutchlow, Gigi Dall'Igna, Claudio Domenicali, Ulrich Hackenberg, Paolo Ciabatti e Andrea Dovizioso na apresentação da GP14 (Foto: Ducati)

O novo dirigente chegou à casa da Desmosedici com duas metas bem simples: melhorar a comunicação entre a equipe de pista e o time de projetistas, e desenvolver a difícil moto italiana. 

Para 2014, a Audi ficou mais presente no dia a dia da Ducati. Nada contente com os resultados obtidos pelo time vermelho na MotoGP e assim como acontecera com a Ferrari na F1, a Philip Morris, patrocinadora principal de ambas as equipes, secou a fonte e cancelou o tradicional Wrooom, um super evento que era realizado em Madonna di Campiglio, na Itália, para marcar o lançamento das temporadas dos dois times.

Sem a festança na estação de esqui italiana, a marca de Bolonha embarcou rumo a Munique, na Alemanha, para promover seu lançamento em um evento da Audi. Na apresentação conjunta, duas coisas ficaram claras: a empresa italiana cansou de apanhar e a fábrica bávara vai usar de todo seu poderio para ajudar a reconduzir o time de Cal Crutchlow e Andrea Dovizioso ao topo do pódio.

Durante o evento de apresentação da GP14, Ulrich Hackenberg, chefe de desenvolvimento-técnico da montadora das quatro argolas, colocou a situação em perspectiva: “O ideal Olímpico não é o suficiente. Nossa meta é o pódio”.

Para auxiliar a Ducati em sua meta, a Audi vai fornecer expertise em várias áreas, incluindo materiais e desenvolvimento do motor. A última, aliás, não seria possível com o congelamento regulamentar dos propulsores.

Após a decisão de fábrica de Bolonha, entretanto, a Dorna apresentou à Comissão de GP, em conjunto com a FIM (Federação Internacional de Motociclismo), um adendo ao regulamento do Mundial, que passaria a contar com mais uma subdivisão: ‘Fábrica 2’. Pela proposta, que seria aplicada exclusivamente à Ducati, no momento em que o time conquistasse três terceiros lugares, dois segundos ou um primeiro, a capacidade do tanque de combustível da GP14 cairia dos 24 litros para 22,5.

Além disso, o número de motores passaria dos 12 iniciais para apenas nove. A Comissão de GP, que é formada por Dorna, FIM, MSMA e IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida), debateu o tema no último dia 11, mas o grupo só chegou a um acordo nesta terça-feira, já em Losail.

A decisão final da Comissão é de que qualquer fábrica que não tenha conquistado um pódio em pista seca em 2013 ou qualquer novo fabricante inscrito no Mundial poderá gozar dos benefícios do regulamento Aberto, concessão que será válida apenas até 2016.

O benefício, entretanto, está atrelado aos resultados obtidos. No momento em que o time conquistar uma vitória, dois segundos lugares ou três terceiros, a capacidade do tanque de combustível é reduzida para 22 litros. Se a mesma fábrica chegar a três vitórias no ano, o direito de usar os pneus da categoria secundária também será negado.

O conflito do software

Com a meta de fornecer o melhor material possível, a Dorna convidou Yamaha, Honda e Ducati para participarem do desenvolvimento do programa da Magneti Marelli. As duas primeiras declinaram o convite, mas a última aceitou se envolver no projeto. Influenciado pela participação de Bolonha, o programa escrito pela marca italiana para 2014 é bastante diferente daquele que foi utilizado por alguns times CRT já na temporada 2013.

A Ducati, entretanto, nega que tenha fornecido um código para a Magneti Marelli e explica que deu à promotora do Mundial uma lista de especificações e funcionalidades, que foi repassada para a subsidiária da Fiat, que, por sua vez, introduziu as modificações. A atualização melhorou a funcionalidade do software, só que o programa ficou complexo demais para os demais times do regulamento Aberto, que vão levar mais tempo para se entenderem com o novo programa.

Assim, o software para a temporada 2014 dá à Ducati uma vantagem em relação às demais equipes. A promotora do campeonato, entretanto, tem o poder de tornar o programa do ano passado compulsório.

Centralina padrão passa a valer a partir deste ano (Foto: Ducati)

Carnê de pontos

Outra pequena mudança introduzida no regulamento de 2014 do Mundial de Motovelocidade diz respeito ao carnê de pontos, que passou a valer no ano passado. A medida, que é similar ao Código Brasileiro de Trânsito, consiste em pontuar as infrações de cada competidor em uma escala de um a dez e aplicar sanções de acordo com os pontos somados. O piloto que somar quatro pontos terá de largar no fundo do grid. Quem chegar a sete, inicia a disputa do pit-lane, ou seja, largando somente após o último colocado cruzar a reta dos boxes.

O piloto que atingir a pontuação máxima – dez pontos – é suspenso da corrida seguinte do calendário. De olho nos indisciplinados, a Comissão de GP decidiu tornar o sistema mais rigoroso em um encontro realizado em dezembro do ano passado. Ao contrário de 2013, quando a carteira dos pilotos era zerada ao fim da temporada, a partir de agora os pontos passam a ter validade de 365 dias.

Caso o novo sistema fosse aplicado já no ano passado, Marc Márquez iniciaria a defesa do título ameaçado, uma vez que somou três pontos em 2013 com incidentes nas etapas de Silverstone e Aragão.

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