Em São Paulo, Aspar admite chance de parceria com Suzuki ou Aprilia na MotoGP: “Existe possibilidade”
Participando de uma entrevista em São Paulo, Jorge Martínez Aspar admitiu que a equipe que leva seu apelido tem interesse em se tornar um time oficial de fábrica. Dirigente citou Aprilia e Suzuki como possibilidades
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Jorge Martínez Aspar, dono da equipe que leva seu apelido, esteve em São Paulo na última quarta-feira (24) participando de uma coletiva de imprensa ao lado de Eric Granado, piloto do time no Mundial de Moto3, e Emerson Fittipaldi, chairman da Momentum Sports, agência responsável pela carreira do piloto paulista.
Simpático, Aspar falou um pouco sobre a estrutura da equipe, que hoje é a maior do Mundial, com dois pilotos em todas as categorias – Granado e Jonas Folger na Moto3; Nico Terol e Jordi Torres na Moto2; e Aleix Espargaró e Randy De Puniet na MotoGP.
Além de se mostrar animado com as possibilidades para a temporada 2013 do Mundial, Aspar elogiou os atuais regulamentos das classes de base, embora reconheça que a meta de reduzir os custos com a Moto3 não foi atingida.
“Os regulamentos nesses últimos anos tiveram grandes mudanças. Na Moto3 eu penso que o regulamento atual está muito bom, só que se esperava que os custos econômicos fossem um pouco menores, e não são”, falou. “Como sempre, a competição, a tecnologia, é sempre muito cara. Mas eu penso que o regulamento da Moto3 é bom”, elogiou.
Jorge comentou que o atual código da Moto2 seguirá inalterado por mais dois anos e destacou que na classe intermediária, por conta da similaridade entre os equipamentos, a qualidade dos pilotos marca a diferença.
“O regulamento da Moto2 foi renovado para mais dois anos seguindo o mesmo conceito e eu creio que está realmente muito bom”, falou. “É uma categoria muito igualada, motores iguais, eletrônica, gasolina, pneus… Digamos que prima mais pelo piloto do que pela moto.”
O dirigente explicou que os custos de Moto3 e Moto2 são bastante similares, mas ponderou que é preciso encontrar uma solução técnica no caso específico da MotoGP, para poder aproximar as CRT, motos que contam com chassis artesanais e motores derivados de produção, e os protótipos.
“Os custos da Moto2 são praticamente iguais aos da Moto3. São custos razoáveis”, opinou. “Na MotoGP é onde, entretanto, há uma situação tecnicamente difícil. Eu espero que a Dorna [promotora do Mundial] com o novo regulamento tenha uma mesma eletrônica para todos para limitar as revoluções. Eu acho que seria uma das coisas mais importante”, frisou o ex-piloto.
“Nós, com CRT, temos de dizer que tanto no Catar como em Austin, que são circuitos rápidos e com retas muito longas, ficamos a 1s4 do primeiro, o que é realmente muito pouco”, lembrou. “Se limitarem as revoluções, estaríamos a menos de 1s, o que seria muito importante. Parece que para o próximo ano haverá uma mesma centralina eletrônica para todos”, continuou.
Aspar também comentou sobre as negociações para leasing de motores da Yamaha e uma versão de produção da RC213V da Honda. O dirigente ponderou que ainda é difícil falar sobre esses projetos, já que nenhuma das duas gigantes nipônicas explicaram os detalhes destes projetos.
No caso da Aspar, entretanto, Jorge afirmou que a equipe tem interesse em se juntar à Aprilia ou Suzuki para se tornar um time oficial. A montadora japonesa deixou a MotoGP no fim de 2011 alegando dificuldades por conta da crise econômica, mas se comprometendo a trabalhar em um protótipo 1000cc para voltar ao grid em 2014.
A montadora de Hamamatsu já vem negociando com a Dorna sua volta, mas a empresa espanhola defende uma união com um time já existente, por temer que a marca volte a se retirar do grid. Desde o início, a Aspar foi apresentada como uma candidata, e agora Martínez reconhece o interesse do time.
“O que nós gostaríamos é com Aprilia ou Suzuki, ou com alguma fábrica para passar a ser uma equipe oficial de fábrica”, declarou. “Existe a possibilidade”, reforçou.
“Os custos são difíceis, porque ainda não sabemos tudo que inclui. A Yamaha disse que dará motores e falou só dos motores por cerca de € 800 mil (cerca de R$ 2 milhões), só o motor. Mas tem de fazer a moto, fazer tudo”, ponderou. “Atualmente, uma equipe oficial para dois pilotos está ao redor de € 9, € 10 milhões (aproximadamente R$ 26 milhões) por temporada. Com o novo projeto, querem baixar os custos, mas neste momento eu ainda não tenho isso claro, pois a Honda também não disse que moto concretamente dará. Tudo o que está incluso. Motores, chassis… Suspensões não entram, os freios também não. Ainda não se sabe. Eu espero que em um mês já tenhamos um regulamento mais claro”, completou o espanhol.
Questionado sobre os custos envolvidos na operação das duas classes menores, Aspar explicou: “O custo de dois pilotos na Moto3 estamos falando de cerca de € 2,5 milhões, € 3 milhões (de R$ 6,5 a R$7,8 milhões). E na Moto2 é muito parecido. Os custos na Moto2 estão mais controlados, porque na Moto3 os motores são diferentes e há muitas coisas diferentes”, concluiu.
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