Quartararo ‘veste’ Jerez como luva e desfila bom ritmo às vésperas do GP da Espanha

Dono de um histórico vigoroso em Jerez de la Frontera, o francês da Yamaha não conquistou só a pole, mas também desfilou o melhor ritmo de corrida e larga com favorito à vitória no GP da Espanha

Marc Márquez sofreu forte acidente no fim do TL3 (Vídeo: MotoGP)

Jerez de la Frontera parece feito sob medida para Fabio Quartararo. Apesar da pouca idade ― só 22 anos ―, o piloto de Nice já tem um histórico amplo no traçado andaluz. Foi por lá que conquistou o título do Campeonato Espanhol de Moto3 ― hoje Mundial Júnior ―, onde fez a primeira pole na MotoGP e também onde conquistou as duas primeiras vitórias na classe rainha do Mundial de Motovelocidade.

Agora, Fabio chega ao traçado da província de Cádiz embalado, já que vem de duas vitórias ― nos GPs de Doha e de Portugal ― e lidera o Mundial com 15 pontos de vantagem para Francesco Bagnaia, o segundo colocado.

Neste sábado (1), o titular da Yamaha encaixou o primeiro tijolinho para construir a terceira vitória consecutiva da temporada 2021: com o 1min36s755, o piloto da moto #20 cravou a pole com 0s057 de vantagem para Franco Morbidelli, o segundo colocado. Jack Miller completa a primeira fila.

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Fabio Quartararo já venceu duas das três corridas de 2021 (Foto: Yamaha)

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Além do histórico e da pole, Quartararo tem mais um componente a favor: o ritmo. Ao longo dos treinos, o companheiro de Maverick Viñales foi quem exibiu o melhor passo e, se não se atrapalhar, especialmente com as Ducati na hora da largada, é favorito absoluto para engatar o terceiro triunfo do ano.

“Foi muito bom hoje”, disse Quartararo. “Jerez é uma das pistas de que realmente gosto. Pilotei a Yamaha quatro vezes nesta pista e nas quatro consegui a pole-position. É um momento bem incrível, estou feliz com isso. Mas diria que o Q2 de hoje foi o que eu mais estive no limite”, comentou.

“Pensei que fosse cair nas curvas 6 e 13.Cometi um erro na curva 6, mas, no fim, o que importa é que conseguimos a pole”, frisou.

O jovem líder do Mundial destacou que tem a mesma confiança que teve nas primeiras corridas da temporada, mas segue em dúvida em relação ao pneu que usará na corrida.

“Temos a mesma confiança que tínhamos em Portimão e Losail. Estamos bem. Temos de confirmar os pneus da corrida. Se olharmos para os tempos, os médios são melhores do que os duros”, apontou. “Teremos de ver qual será a temperatura, mas, de qualquer forma, não descarto nada. Tenho de agradecer à equipe, que está trabalhando muito bem. Temos o que é preciso para vencer”, garantiu.

Segundo no grid, Franco Morbidelli também saiu confiante do sábado, ainda que tenha percorrido um caminho mais tortuoso em Jerez, já que teve as melhores voltas no terceiro treino canceladas e precisou passar pelo Q1.

Franco Morbidelli sofreu no sábado, mas larga em 2º (Foto: Divulgação/MotoGP)

“A sensação com a moto foi ótima hoje e sabia que, se tivesse chance, podia fazer uma coisa boa. Tínhamos um bom potencial hoje, mas tivemos de passar por muitas dificuldades para chegar lá. Conseguimos superá-las, então estou muito feliz com isso. Além disso, a equipe também fez um grande trabalho hoje”, elogiou Franco. “Eu queria ir para o tudo ou nada em uma volta na classificação, estar no limite, e acabei perdendo a frente. Eu estava preparado para isso e consegui recuperar, o que me deixou muito feliz”, seguiu.

“Tenho uma boa sensação para amanhã e sou capaz de manter o ritmo por muitas voltas, então estou bem confiante em relação ao que posso fazer. Preciso ver o que os outros pilotos podem fazer, mas começar na primeira fila é bom para as nossas chances de pódio”, destacou.

Fechando a primeira fila, Miller dá uma respirada depois de um início de temporada bastante negativo.

“O início da temporada foi difícil, mas todos os fins de semana nós procuramos algo diferente, também fazendo vários long-runs para trabalhar no ritmo de corrida. E está ficando cada vez melhor: no TL3, em especial, fiz cerca de 13 voltas consecutivas, depois mais dez, totalizando 23, e correu tudo bem. Tivemos um pequeno problema com a moto, demoramos muito para resolver, mas o importante é que conseguimos”, comentou.

O australiano comemorou a volta à primeira fila, mas destacou que a corrida será também um teste físico, já que ainda se recupera de uma cirurgia no braço para tratar a síndrome compartimental.

“Voltar para a primeira fila aqui em Jerez é muito importante. Encontramos algumas soluções nesta manhã. O vento hoje estava muito forte, especialmente na curva 12, mas tive boas sensações com a minha moto”, comentou. “Estamos ansiosos para a corrida de amanhã, pode ser uma excelente oportunidade para mudar de marcha. E também será um verdadeiro teste para o braço”, finalizou.

Jack Miller tenta superar má fase (Foto: Divulgação/MotoGP)

Maverick Viñales fechou a classificação apenas em sétimo, 0s315 atrás do companheiro de Yamaha, mas não entregou os pontos, já que entende que tem ritmo para tentar uma reação.

“A sensação foi boa, mas não o bastante. Não se a razão de não termos podido fazer nada no segundo stint, nem mesmo uma volta. Tentei, mas foi impossível. Então, basicamente, o que estamos planejando fazer é melhorar em todas as áreas. Foi isso também que fizemos hoje”, comentou.

“O TL4 foi muito positivo, então estou calmo por causa disso, porque temos um bom ritmo”, considerou. “Mas precisamos de uma largada perfeita, então vamos ver o que acontece. Honestamente, tudo depende de qual será o ritmo na corrida”, resumiu.

Destaque em 2021, Aleix Espargaró manteve a Aprilia entre os ponteiros e vai largar na terceira fila, em oitavo.

“Não acho que o resultado da classificação seja um indicativo completo. Hoje nós mais uma vez demonstramos uma grande competitividade. Em configuração de corrida com pneus usados, acho que só alguns pilotos têm um ritmo melhor do que o nosso”, observou. “Infelizmente, ainda nos falta um pouco de potência na classificação para tirarmos vantagem da aderência dos pneus macios, mas se olharmos para as diferenças, estamos falando só de milésimos de segundo”, ponderou.

“Em relação a corrida, será essencial conseguir uma boa largada, o que vai nos permitir ganhar algumas posições no início. Depois disso, tudo será definido com base no desgaste do pneu nas últimas voltas”, indicou. “Não estou obcecado com o resultado. O que mais me conforta é que estivemos entre os favoritos para uma posição importante em todos os fins de semana até aqui. Isso significa que demos um claro passo à frente e que estamos trabalhando na direção certa”, encerrou.

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