Goiânia sai na pole, inicia reforma do autódromo e não descarta ocupar vaga de Brasília na MotoGP

Seguindo a movimentação da vizinha Brasília, Goiânia iniciou reforma do Autódromo Internacional Ayrton Senna e planeja entregar o circuito em abril de 2014. Governo de Goiás está investindo cerca de R$ 30 milhões

Demorou, mas o Brasil já começa a ver as primeiras reformas em seus circuitos. Seguindo os passos da vizinha Brasília, Goiânia largou na ponta e começou uma grande reforma do Autódromo Internacional Ayrton Senna, que tem como meta transformar o espaço em uma referência. 
 
Ao todo, o governo goiano vai investir cerca de R$ 30 milhões nas obras, que incluem a troca completa do pavimento, a substituição dos boxes, a remodelação completa da torre de cronometragem e a construção de uma pista de arrancada, além da construção de um parque, com pistas de skate e de patinação. 
 
“Vai mudar tudo”, resumiu Jayme Rincón, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) em entrevista ao GRANDE PRÊMIO. “Nós vamos manter o mesmo traçado, mas nós retiramos todo o asfalto existente, estamos colocando um pavimento moderno, feito através de análises que nós fizemos em função da mudança que houve nos carros de competição de 40 anos para cá”, explicou. 
Governo está investindo cerca de R$ 30 milhões no autódromo de Goiânia (Imagem: Divulgação)
“Tivemos de afastar os boxes em função de que o pit-lane, aquela parte na frente dos boxes, que era estreita e não comportava carros do tipo de corrida para fazer pit-stop”, continuou. “Aumentamos o tamanho dos boxes, que eram estreitos. A torre de cronometragem está sendo toda refeita, toda reconstruída, sala de imprensa, um auditório para 150 pessoas para as fábricas de veículos, que sempre usaram o autódromo para testes e avaliações, estamos reformando toda a arquibancada que existia, fazendo um parque moderno, com quadras, com pista de skate, pista de patinação, teatro de arena”, enumerou Rincón.
 
“Nós estamos fazendo um estacionamento para 10 mil veículos dentro do autódromo. Nós estamos iluminando o circuito externo para que os ciclistas possam utilizá-lo no período noturno. Na realidade, nós estamos construindo um novo autódromo. Ele será modelo para o Brasil e para o mundo”, resumiu. 
 
Antes de decidir pela reforma, o governo goiano chegou a noticiar um plano de construir um novo autódromo no município de Senador Canedo, que teria Hermann Tilke como encarregado. O novo projeto, que custaria entre R$ 150 e R$ 180 milhões, seria viabilizado por meio da venda do terreno do antigo traçado.
 
Os planos, entretanto, caíram por terra quando a família do doador do lote do circuito original ameaçou reaver o terreno na justiça, já que o termo de doação previa o uso do espaço para fins públicos e não para a construção de condomínios. 
 
Sem receber um lance pelo terreno que justificasse o conflito, o governo goiano voltou atrás e desistiu do projeto de Senador Canedo. “Pelas dificuldades, pela forma legal de fazer isso, pelo tempo que demandaria, nós descartamos exatamente em função de que era um projeto muito arrojado, mas de difícil execução”, reconheceu o presidente da Agetop. 
 
Rincón admite, ainda, que a opção de reforma segue a tendência da vizinha Brasília e o próprio histórico da região. O dirigente chega a citar a construção de um novo autódromo no Rio de Janeiro, mas a promessa de um circuito em Deodoro para substituir Jacarepaguá não tem indícios de que sairá do papel em futuro breve.
 
“O fato de que Goiás sempre foi referência no automobilismo nacional e existia um clamor muito grande dos aficionados por automobilismo e motociclismo para que a gente reformasse o autódromo”, justificou. “Brasília está fazendo a mesma coisa, o Rio de Janeiro está construindo um autódromo novo e Interlagos vai entrar agora em um processo de reforma. Nós estamos indo exatamente na mesma direção dos outros estados”, seguiu. 
 
Com a reforma iniciada, o novo Autódromo Internacional de Goiânia já tem data para voltar a funcionar: 27 de abril, com a terceira etapa da temporada 2014 da Stock Car.
 
Inaugurado em 1974, o autódromo goiano não era alvo de um elaborado projeto de conservação. “Nada. Só uma manutenção muito ruim. A verdade é que o autódromo já tinha que ter passado por uma reforma há muito tempo”, reconheceu o representante do governo, que garante mudanças na postura do Estado. “Vai mudar, com absoluta certeza”.
 
De olho na MotoGP
 
Com a reforma em andamento, o governo confia que logo se tornará um chamariz para os mais variados campeonatos nacionais e internacionais. 
 
“Eu tenho absoluta certeza de que depois de construído, a própria situação que o autódromo vai ficar, a própria condição dele, será um atrativo para as mais diversas provas, tanto nacionais como internacionais”, comentou o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop). “E é óbvio que nós, como gestores, como Estado, vamos tentar atrair o maior volume possível de eventos para o nosso autódromo”, assegurou. 
 
Governador de Goiás, Marconi Perillo visitou as obras do autódromo no início do mês (Foto: Rodrigo Cabral)
Entre essas categorias, Goiânia tem um foco em especial: a MotoGP. O traçado do centro-oeste recebeu o Mundial de Motovelocidade durantes três anos seguidos, mas saiu do calendário após a prova de 1989.
 
“Nossa intenção é reinaugurar o autódromo com uma prova da Stock Car, mas o pessoal do Mundial de Motociclismo já foi contatado, essa semana nós recebemos um contato do pessoal da Indy”, revelou Rincón. “A partir do momento que o autódromo estiver concluído, nós vamos ser naturalmente procurados por todas as categorias, até porque existe uma deficiência muito grande de autódromos no Brasil”, ressaltou. 
 
Recentemente, a Dorna, promotora do Mundial, anunciou o retorno do GP do Brasil ao calendário, mas depende da homologação do circuito de Brasília pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo). Para ser liberado pela entidade que rege o esporte, o traçado brasiliense precisa de uma grande reforma, que só deve ser iniciada em março, com a expectativa de ser concluída em agosto, um mês antes da data na qual a prova está agendada.
 
Com um cronograma tão apertado, a presença de Brasília no calendário do Mundial é uma constante dúvida, embora o governo do Distrito Federal negue atrasos. Procurado pelo GRANDE PRÊMIO, o presidente da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), que acompanhou pessoalmente as negociações com a Dorna, reconheceu que o cronograma não é o ideal, mas ponderou que, se o governo cumprir o prometido, a realização do GP não será prejudicada. 
 
“O ideal seria as obras começando agora e finalizando em maio”, indicou Firmo Alves, mandatário da CBM. “Se a construção da pista finalizar em maio e as outras obras finalizarem em agosto, acredito que viveremos dias de tensão, mas creio que o evento não será prejudicado desde que o GDF cumpra com o prometido”, continuou. 
 
De olho no ritmo das obras de Brasília, Goiânia se apresenta como alternativa. Falando ao GP, Roberto Boettcher, presidente da Federação de Motociclismo do Estado de Goiás, confirmou que tem carta branca do governador Marconi Perillo (PSDB) para negociar com a MotoGP caso o Distrito Federal não consiga cumprir com os prazos acordados.
 
“Se Brasília não der conta, nós estamos na frente para trazer o Mundial para cá. O governador já deu carta branca para mim”, revelou Boettcher. “Depende de Brasília. Nós só vamos entrar em contato se Brasília não der conta. Brasília parece que vai começar a reforma só em abril. O nosso entrega no final de março, começo de abril”, ressaltou. 
 
Questionado se havia entrado em contato com a FIM a respeito da homologação do circuito, o chefe da FMG afirmou: “Não pedi. Só estou esperando agora ficar pronto e eu vou pedir”, confirmou, acrescentando que confia na obtenção da homologação máxima da entidade chefiada por Vito Ippolito. “Com certeza. Nós já fizemos três [etapas do Mundial]. Então todo mundo já conhece a pista”.
 
O presidente da federação goiana reforça que nenhum contato foi feito com a Dorna ou com o governo do DF, mas deixa claro que está pronto para assumir a etapa brasileira caso seja necessário. 
 
“Se Brasília não der conta, com certeza que eu vou tentar para Goiás”, avisou. “Eu vou esperar para ver. De forma nenhuma eu quero atrapalhar Brasília”, assegurou. 
 
Apesar da disponibilidade de Goiânia em assumir a vaga de Brasília no calendário da MotoGP, a Dorna não compartilha da mesma empolgação. Procurada pelo GRANDE PRÊMIO, a empresa espanhola garantiu que não irá para Goiânia se a pista brasiliense não estiver pronta.
 
“Nós não iremos para Goiânia no caso de Brasília não estar pronta e publicada no calendário final de 2014”, afirmou a promotora. “A propósito, teremos de esperar até sabermos algo oficial sobre Brasília”, completou. 

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