GP do Catar promete confronto entre forças e fraquezas de Ducati e Yamaha

Como era de se esperar, a disputa pela pole para o GP do Catar foi um confronto entre Desmosedicis e M1s, mas dono do lugar de honra no grid de Losail não ficou exatamente com quem era previsto

Bagnaia na pole e recorde de velocidade: assista como foi o sábado no Catar

A MotoGP vai abrir a temporada 2021 quase que com um clássico de futebol, já que Ducati e Yamaha, duas das principais forças do campeonato, estarão frente a frente no GP do Catar de domingo.

Embora muitas das corridas da classe rainha, especialmente nos últimos anos, sejam definidas quase que no finzinho da partida, o confronto da vez tem um perfil já meio fora de moda no futebol: o do gol de ouro. Quem marcar primeiro, acaba com a partida.

Ducati e Yamaha são duas motos com perfil bem diferentes. Enquanto a Desmosedici tem no motor a maior força, a YZR-M1 peca na potência, ainda que seja uma moto rápida e ágil. Mas, como tão bem ficou evidente neste sábado, num duelo entre as duas, a moto japonesa fica completamente vendida se tiver de se defender na reta.

Francesco Bagnaia bateu recorde de Losail e fez a primeira pole da carreira na estreia pela Ducati (Foto: Ducati)

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Levando em conta que a Ducati conta ainda com um novo dispositivo auxiliar de largada, que baixa também a dianteira do protótipo, as chances da Yamaha em Losail parecem ainda mais reduzidas. Se ficar com a liderança na largada, a moto de Borgo Panigale não deve lá ter muitos problemas para se defender, ainda mais na reta.

Desde a pré-temporada, Jack Miller era rotulado como o favorito, mas na primeira classificação do ano, foi Francesco Bagnaia quem deu a última palavra. Aliás, a julgar pelo tempo de volta, o italiano de Torino deu mesmo uma frase toda.

Pecco garantiu a pole com 1min52s772, uma marca 0s607 melhor do que o recorde estabelecido para a pista do Catar por Marc Márquez em 2019. Mas não foi só o titular da Ducati que rodou abaixo do tempo do hexacampeão. No total, os oito primeiros do grid em Losail foram mais rápidos que registro do piloto da Honda na última visita do Mundial ao traçado do Golfo Pérsico.

Com a primeira pole da carreira nas mãos, Francesco colocou as Yamaha como rivais, mais deixou claro que a largada é um trunfo das Ducati.

“Vejo três Yamaha, e [Franco] Morbidelli também está perto, que são os mais competitivos aqui. Teremos vantagem na reta, mas eles também têm no terceiro setor. Hoje eu me aproximei deles nesse sentido, no teste eu perdia muito”, comentou. “Não sou muito rápido nas largadas, não me acostumei com tanta potência, mas, com certeza, seremos mais rápidos que a Yamaha na largada”, assegurou.

Francês estreia na Yamaha já superando o novo companheiro de time (Foto: Yamaha)

Companheiro do italiano no time de Bolonha, Jack Miller vai largar só em quinto, mas também aposta no poder da Desmosedici para sair da primeira corrida em Losail com um resultado melhor.

“A expectativa era toda de vocês. A quinta posição é relativamente boa para mim”, disse Miller. “Somos fortes na largada, então, para ser sincero, não estou muito preocupado”, seguiu.

“Somos fortes em aceleração e acho que este será um dos aspectos cruciais de amanhã. Acho que temos tudo sob controle, mas só o tempo dirá”, considerou.

0s266 mais lento que Bagnaia, Fabio Quartararo vai capitanear o esquadrão da Yamaha e acredita que tem chance de fazer uma boa briga.

“Foi uma pena não poder fazer uma segunda volta rápida na minha segunda saída ― recebi a bandeirada por um segundo. Mas ainda estou feliz. Fizermos uma grande volta”, comentou Fabio. “No TL4, tentamos algo de que não gostei. Não me senti bem na moto, mas sinto que temos potencial para amanhã. Vamos usar a moto da classificação, porque é com ela que me sinto melhor”, frisou.

Fabio sabe, porém, que a Yamaha terá de jogar as cartas certas já no apagar das luzes na reta catari.

“Temos de fazer uma boa largada. Sabemos que é muito difícil, mas estou pronto. Temos de tentar de tudo nas primeiras voltas”, declarou.

Fabio sublinhou, também, que não é fácil largar bem com a Yamaha, especialmente agora, quando muitas das rivais contam um dispositivo de largada que baixa a dianteira da moto.

Será que Viñales transforma o lugar na primeira fila em vitória? (Foto: Yamaha)

“O problema é que é fácil perder uma largada com a nossa moto e, por outro lado, fazer uma boa largada é muito difícil. O problema é que uma boa largada nossa, em comparação com os outros pilotos, não é muito boa. Muitas motos que contam com o dispositivo holeshot deram um grande passo à frente, mas nós ficamos parados. Cada vez que eu volto aos boxes, pressiono os engenheiros para que desenvolvam isso o mais rápido possível. É muito importante para nós e espero que aconteça em breve”, torceu.

Terceiro no grid, Maverick Viñales traçou um plano simples para a corrida de domingo: largar na ponta e tentar escapar. A largada, contudo, é uma deficiência do espanhol, que se empenhou bastante desde a pré-temporada para evoluir neste quesito.

“Temos de tentar assumir a ponta e escapar. Impor um ritmo muito forte e tentar forçar a corrida. Acho que é o melhor que podemos fazer”, falou Maverick. “Veremos que plano podemos fazer. De qualquer maneira, tenho alguns pontos para estar na frente, sou rápido no terceiro setor e acho que posso conseguir”, ponderou.

“Não sei se os outros estão guardando algo ou não. As Ducati pareciam hoje que não estavam tão forte, mas, no fim, Pecco fez 1min52s7, o recorde do circuito. Todo mundo vai estar muito forte. Temos de estar prontos e forçar ao máximo”, considerou.

Mais experiente do quarteto da Yamaha, Valentino Rossi estreou com a SRT com a quarta colocação no grid, com 1min53s114, uma marca que definiu como “alucinante”. O italiano sabe, porém, que brigar com as Ducati será um desafio.

Na fase final da classificação em Losail, foram três Ducati na ponta do ranking de velocidade, com a maior marca registrada por Miller em 357,6 km/h. A melhor marca da Yamaha foi de Fabio Quartararo, que chegou a 350,6 km/h. Mais cedo, Johann Zarco quebrou o recorde de velocidade do Mundial ao atingir 362,4 km/h.

“Nós reduzimos a diferença em termos de velocidade final na reta, mas com as Ducati, a diferença ainda é grande”, pontuou Rossi. “Se quiser ultrapassar com essa moto, é preciso fazer isso nas freadas e nas curvas. Por isso, não é fácil lutar com esta moto”, detalhou.

O GP do Catar é o primeiro da temporada 2021 da MotoGP. Na programação do domingo, há um warm up de 20 minutos às 9h40 e a corrida às 14h. Todos os horários são de Brasília, GMT -3. GRANDE PRÊMIO cobre tudo aqui.

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