MotoGP

GUIA 2019: Yamaha trabalha com afinco e mostra evolução. Mas a dúvida permanece: é o suficiente?

Depois de dois anos sofríveis ― para os padrões do time, claro ― a Yamaha vê 2019 como a hora da verdade. A YZR-M1 se valeu do maior empenho da fábrica de Iwata e mostrou melhora ao longo dos testes da pré-temporada, mas a pergunta que fica é: a evolução da equipe de Valentino Rossi e Maverick Viñales será suficiente para fazer frente à Honda e Ducati

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
GUIA 2019
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A Yamaha chega para a temporada 2019 da MotoGP em um momento de reconstrução. Depois de dois anos difíceis ― ao menos para o padrão habitual do time ―, a marca dos três diapasões tenta sair do outro lado, ainda com Maverick Viñales e Valentino Rossi na condução do time.
 
Desde o título de Jorge Lorenzo no polêmico desfecho da temporada 2015, a Yamaha entrou em declínio e foi perdendo mais e mais terreno para a concorrência. Embora não seja a melhor das réguas de competitividade, a tabela dos últimos três campeonatos deixa clara a queda da Yamaha. Em 2016, por exemplo, o time somou 353 pontos no Mundial de Construtores ― que leva em conta apenas o resultado da melhor moto de cada fábrica ―, marca que caiu para 281 pontos na disputa do ano passado. Essa diferença fica ainda maior no confronto entre equipes, onde a pontuação do conjunto nipônico caiu de 482 pontos há três anos para 391 no ano passado.
Maverick Viñales e Valentino Rossi (Foto: Yamaha)
A Ducati, por exemplo, apresentou números crescentes nos últimos três anos. No Mundial de Construtores, a diferença entre 2016 e 2018 chega a 74 pontos. Na disputa de Equipes, ainda que 2017 tenha trazido um saldo maior, a diferença é de 96 pontos no período. Entre os pilotos, Andrea Dovizioso foi dos 171 tentos que lhe renderam o quinto lugar há três anos para os 245 do vice do ano passado. 
 
A Honda, ainda que em menor número, também teve variação positiva em sua pontuação, especialmente no Mundial de Pilotos. Na disputa dos times, a montadora da asa dourada somou 16 pontos mais em 2018 na comparação com 2016.
 
Ciente dos números e das dificuldades enfrentadas por Rossi e Viñales, a Yamaha decidiu agir. A marca dos três diapasões trocou o líder do projeto da YZR-M1, que passou para as mãos de Takahiro Sumi, que trabalhava com chassis. Além disso, a escuderia comandada por Lin Jarvis decidiu formar uma equipe de testes europeia e contratou Jonas Folger para a missão.
 
A casa de Iwata também modificou sua estrutura normal. Sem Tech3, que agora é aliada da KTM, a Yamaha uniu forças com a estreante SIC e, ao contrário do que costumava fazer, entregou uma moto do ano, nas mesmas configurações de fábrica para Franco Morbidelli. No meio do caminho, porém, os nipônicos decidiram ir ainda mais longe e deram a Fabio Quartararo também uma moto do ano, ainda que numa configuração um pouco inferior em relação às outras três.
 
Já nos testes feitos logo após o encerramento da temporada passada, a Yamaha começou a dar sinais de reação. Os engenheiros se debruçaram nos problemas de performance do protótipo e apresentaram soluções para tentar lidar com eles.
 
 
No início da pré-temporada, na Malásia, o clima na Yamaha era de animação. Enquanto Maverick seguia empolgado com a moto, Valentino permanecia cauteloso, mas os resultados na pista apareciam como um alento.
 
Em Losail, porém, surgiram problemas. Especialmente no segundo dia, quando Rossi voltou a sentir as velhas dificuldades de aderência. Viñales voltou a ‘falar grosso’ e cobrou melhora na aceleração, ainda que o dia final tenha sido mais animador.
 
Yamaha mostrou evolução nos testes, mas foi o suficiente? (Foto: Yamaha)
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Os números, em termos gerais, indicam uma reação dos japoneses, mas, muito embora a Yamaha tenha dado alguns passos com a M1, ela não foi a única a fazê-lo. Honda e Ducati também progrediram, assim como a Suzuki, que rodou bem nas mãos de Álex Rins praticamente o tempo todo.
 
Nos últimos anos, a Dorna, promotora do Mundial de Motovelocidade, trabalhou duro para ter um grid mais competitivo e equilibrado, e é justamente aí que residem os problemas da Yamaha. Com uma concorrência tão forte, avançar é preciso, mas de forma constante. O que não aconteceu nos últimos anos.
 
Enquanto as rivais conseguiram evoluir ao longo da temporada nos campeonatos recentes, a M1 permaneceu estagnada, sem conseguir apresentar um desempenho melhor, especialmente na segunda metade do ano. 2018, no entanto, foi uma exceção, já que a M1 apareceu melhor na passagem pela Ásia, justamente por conta da maior dedicação à eletrônica. O time, aliás, chegou a recrutar Michele Gada, especialista no assunto, que estava defendendo a marca no Mundial de Superbike. 
 
Num cenário como esses, o início da temporada marca efetivamente a hora do ‘vamos ver’. Só as corridas poderão dar o diagnóstico real da condição da Yamaha frente à performance das marcas rivais. Mas, independente da forma que a YZR-M1 se apresente, é importante manter o foco e a dedicação. Afinal, os rivais já mostraram que não dormem em serviço.
 
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