GUIA 2022: Aprilia dá novo passo e mira protagonismo de novo status na MotoGP

Depois de mostrar evolução com a RS-GP em 2021, a casa de Noale conseguiu outro passo à frente e deu a Aleix Espargaró e Maverick Viñales um protótipo ainda mais competitivo. Assim, a Aprilia começa com o pé direito uma nova fase na MotoGP: a de equipe efetivamente de fábrica

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A HISTÓRIA DA APRILIA NA MOTOGP PARECE TER SIDO INSPIRADA NO CLÁSSICO DE RAUL SEIXAS. Em 2022, a casa de Noale vai tentar outra vez para, tal qual diz a composição também assinada por Marcelo Ramos Motta e Paulo Coelho, ser capaz de sacudir o mundo.

É bem verdade que a RS-GP ainda não está pronta para abalar as estruturas da classe rainha do Mundial de Motovelocidade, mas é fato que, sob a liderança de Massimo Rivola, os italianos conseguiram avançar e hoje aparecem em um patamar infinitamente melhor do que o que vinham demonstrando na MotoGP até 2020.

Aleix Espargaró está pronto para o combate de 2022 (Foto: Divulgação/MotoGP)

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No ano passado, com a condução técnica de Romano Albesiano, a casa de Noale conseguiu aproveitar que era a única livre do congelamento dos motores ― determinado como uma medida para lidar com os impactos econômicos da pandemia da Covid-19 ― e conseguiu colocar na pista uma moto mais afiada. Tanto foi assim que Aleix Espargaró deu à equipe o primeiro pódio nesta trajetória da marca no Mundial, com o terceiro lugar no GP da Grã-Bretanha.

Agora, porém, o suplemento não é só na parte técnica. Além de ter conseguido mais uma vez acertar a mão com o desenvolvimento da 1.000cc, a fábrica do Grupo Piaggio também conseguiu um reforço importante do lado humano, com a MotoGP">chegada de Maverick Viñales para formar dupla com o mais velho dos irmãos Espargaró.

É fato que existem muitos questionamentos a cerca da performance do ‘Top Gun’, mas é igualmente verdade que, nos tempos da Suzuki, Maverick e Aleix formaram uma parceria fundamental no trabalho de evolução da moto. E esse é um trunfo para a Aprilia, que passou anos nas costas do pai de Max e Mia, sem oferecer a ele um parceiro para dividir a carga da evolução do equipamento.

Viñales pode ser estabanado, atrapalhado ou qualquer outro adjetivo pouco elogioso que siga essa linha, mas já provou que é bom piloto. Se encontrar um ambiente capaz de mantê-lo focado, centrado e com os pés no chão, o ex-Yamaha pode ser um ativo valioso, especialmente por ter experiência com uma moto campeã mundial.

Maverick Viñales vai tentar reconstruir a carreira com a Aprilia (Foto: Divulgação/MotoGP)

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Depois de muitos erros na escolha dos pilotos, seja por insistir em novatos quando precisava de experiência ou por descartar competidores com mais quilometragem pura e simplesmente por falta de paciência, a Aprilia acertou na composição da equipe para 2022. Enfim!

Com Aleix e Viñales, Noale tem uma dose certa de experiência e juventude, satisfação e inquietude, mas, acima de tudo, ambição. Espargaró seguirá com o objetivo de manter o posto de número 1 da equipe. Viñales, por sua vez, precisa mostrar que a confusão que marcou a saída da Yamaha não foi nada além de um tropeço, uma casca de banana no caminho de um profissional.

O ano de 2022 será especial para a Aprilia. Além de marcar o 30º aniversário do primeiro título da marca no Mundial de Motovelocidade ― conquistado por Alessandro Gramigni, em 1992, no Mundial de 125cc ―, é também o ano em que os italianos começam a voar solo na MotoGP.

A partir de agora, a Aprilia passa a ter status de fábrica na classe rainha, do mesmo jeito que Ducati, Honda, KTM, Suzuki e Yamaha. Até então, os italianos eram como hóspedes da Gresini, usando uma vaga que, na verdade, pertence à equipe fundada por Fausto Gresini. As duas partes agora seguem caminhos distintos, com a estrutura privada, inclusive, virando cliente da Ducati.

Apesar do avanço exibido no ano passado, a Aprilia permanece sendo a única das fábricas do grid a contar com as concessões previstas em regulamento, o que permite que os italianos utilizem nove motores descongelados por ano, maior liberdade de testes com os pilotos titulares e seis wild-cards ao longo do ano.

As benesses, porém, estão atreladas a desempenho. Por isso, o time de Aleix e Maverick pode perdê-las já em 2022. O regulamento da FIM atribui pontos de concessão dentro do top-3 ― vitória vale três pontos, segundo lugar dois e terceiro, um ― e essa pontuação tem validade de dois anos a partir da data de obtenção. Ou seja, a Aprilia começa o ano com um pouco e, se somar outros cinco, perde o direto a contar com esses benefícios regulamentares.

Como diria Márcia, a personagem da sempre impecável Drica Moraes em ‘Chocolate com Pimenta’, a Aprilia agora é “dona e proprietária” de equipe de fábrica. E, como tal, não pode se acomodar no posto de coadjuvante. As fábricas são as protagonistas deste esporte. Chegou a hora de a Aprilia mostrar, definitivamente, a que veio.

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