MotoGP
06/10/2018 08:04

Honda e Ducati ensaiam novo round na Tailândia. Sem saber o porquê, Yamaha respira

Depois de comandar a pré-temporada em Buriram, a Honda correspondeu à expectativa e apareceu forte com Marc Márquez para esta 15ª etapa da temporada, mas sem descolar da ascendente Ducati. Sem sequer saber ao certo o motivo da melhora, Yamaha ganhou um respiro em meio à crise e viu Valentino Rossi garantir o segundo posto no grid tailandês
Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
 O top-3 da classificação (Foto: Michelin)
O cenário até muda, mas a dinâmica de Honda x Ducati segue presente. Desta vez, no entanto, a Yamaha encontrou um respiro em meio à crise e, mesmo sem entender o porquê, apareceu cheia de fôlego em Buriram.
 
Neste sábado (6), depois de passar pelo Q1 pela segunda vez no ano, Marc Márquez se impôs no treino classificatório e tratou de conquistar sua 50ª pole-position na MotoGP.
 
"Passar pelo Q1 foi um contratempo inesperado”, disse Márquez. “Tivemos um problema com a moto com que saí para fazer o tempo no TL3, entrei e a outra moto não estava pronta. Normal, porque estava com outros pneus. Nós mudamos o traseiro, o dianteiro tinha muitas, muitas voltas e eu caí”, relatou.
Marc Márquez ficou com a pole por 0s011 de vantagem (Foto: Michelin)
Ao contrário do esperado, no entanto, no momento decisivo não foi Andrea Dovizioso que apareceu como primeiro desafiante, mas um Valentino Rossi que foi só 0s011 mais lento.
 
Mas, mesmo com Dovizioso sendo 0s139 mais lento no momento decisivo, Márquez acredita que o #4 é quem dará mais trabalho na corrida.
 
“No papel, Dovizioso parece muito, muito forte, parece que é o mais rápido”, apontou. “Nós estamos muito, muito próximos, e aí as duas Yamaha também foram muito rápidas no TL4, conseguiram rodar em 1min31s médio, 1min31s baixo, de maneira consistente. Vai ser difícil, mas, é, as últimas dez voltas da corrida serão cruciais, porque o pneu desgasta um pouco”, seguiu.
 
Depois de um fim de semana para esquecer em Aragão, o time apoiado pela Movistar seguiu para o nordeste da Tailândia com a confiança no chão. Maverick Viñales fala abertamente sobre não ter expectativas, enquanto Rossi pede uma revolução completa tal qual a feita por Iwata em 2004.
 
Mas, embora as características do traçado projetado por Hermann Tilke antecipassem mais um fim de semana de dificuldades, a YZR-M1 deslanchou no Estado soberano que fica no centro da península da Indochina. Na sexta-feira, ainda no primeiro treino, Viñales e Rossi formaram uma dobradinha. Na atividade seguinte, o espanhol garantiu o segundo posto, caindo para terceiro na sessão consequente. No TL4, onde os pilotos, tradicionalmente, trabalham no ritmo de corrida, Valentino e Maverick mostraram um bom passo e lideraram parte da atividade. Na classificação, Rossi ficou muito perto de assegurar a posição de honra no 37º circuito diferente que visita em seu período no Mundial de Motovelocidade, enquanto o #25 arrematou o quarto posto, 0s240 mais lento que Márquez.
 
Com os dois pilotos no top-4 do grid, a Yamaha registra a segunda melhor performance em classificação do ano ― em termos de conjunto ―, perdendo apenas para o GP da Itália, quando o #46 ficou com a pole e Maverick fechou a primeira fila. 
 
A fábrica dos três diapasões, no entanto, não sabe dizer ao certo o motivo desta evolução. Afinal, a Yamaha sequer sabe o que causa os problemas de performance da YZR-M1. O piloto de Tavullia chegou a comparar o time com a Inter de Milão, já que, tal qual acontece com a esquadra de Vrsaljko, Perišić e Miranda, é uma surpresa diferente cada vez que a equipe entra em campo (ou na pista, no caso).
Valentino Rossi admitiu surpresa com forma da YZR-M1 (Foto: Michelin)
“É como uma surpresa também para nós, pois no teste nós estávamos meio encrencados. Mas nós chegamos ontem e não me senti tão mal no treino”, recordou Rossi. “Parece que a nossa moto, desta vez, faz o pneu trabalhar de uma boa maneira, então é também mais fácil tomar a decisão certa”, explicou.
 
“Na realidade, nós modificamos alguma coisa de Aragão, mas a moto é muito similar. Talvez seja só um melhor casamento entre o pneu, a M1 e esta pista”, ponderou. “De ontem para hoje, nós trabalhamos duro, tentamos melhorar o equilíbrio, criar mais aderência, e não estamos tão mal. Eu me sinto bem, porque não estou mal na freada. Estou feliz por começar na primeira fila, mas também estou feliz pelo meu ritmo no TL4, porque, também com o pneu da corrida, eu fui bem forte. Agora temos de confirmar amanhã, pois você nunca sabe. É tentar fazer uma boa corrida e lutar pelo pódio”, resumiu.
 
Perguntado se essa melhora exibida pela Yamaha tem relação com a chegada de Michele Gadda, Rossi admitiu que a casa de Iwata se empenhou em busca de uma solução.
 
“Sim, nesta última fase a Yamaha tinha alguns novos engenheiros, Gadda é um deles, mas tem outros no Japão. Isso é algo que está vindo do novo grupo de trabalho. Parece que a Yamaha tentou colocar mais esforço. É disso que precisamos para tentar lutar com Honda e Ducati”, frisou.
 
Fechando a primeira fila, Dovizioso celebrou a melhora mostrada pela Ducati ao longo dos treinos, mas espera uma longa lista de rivais na briga pela vitória nesta 15ª etapa da temporada.
 
“Estou feliz, pois, do primeiro treino para cá, nós melhoramos o meu feeling com a moto. No início, eu não me sentia tão bem, mas, treino após treino, nós demos pequenos passos e meu feeling melhorou. Agora a velocidade está lá”, comentou Andrea. “Ontem nós fomos rápidos, mas Marc foi um pouco mais rápido. Hoje talvez nós tenhamos um pouco mais de velocidade, mas isso não vai afetar a corrida, pois na corrida é uma história diferente, você tem de pilotar de uma maneira diferente, fazer 27 voltas e poupar os pneus, então vamos ver, pois ninguém correu nesta pista e ninguém pode realmente saber como serão os pneus nas 27 voltas. O desgaste é bem grande acho que para todo mundo. Mas, no geral, o feeling é melhor. Nós fizemos uma primeira fila, e isso era muito importante. Estou muito feliz com a maneira como trabalhamos ao longo do fim de semana”, insistiu.
Andrea Dovizioso espera longa lista de rivais em Buriram (Foto: Michelin)
Questionado sobre quem vai se juntar a ele e Márquez na briga pela vitória, Dovizioso ponderou: “É muito difícil saber, porque muitos pilotos têm um ritmo realmente bom, muitos pilotos conseguiram rodar em 1min31s baixo, mas, como sempre, fazer o tempo de volta é uma coisa, fazer o tempo na corrida é uma história diferente. É difícil saber pela TV, pelo papel, mas posso esperar muitos pilotos rápidos, com certeza. Acho que as duas Yamaha e as duas Suzuki com certeza estarão lá. Crutchlow também tem um ritmo realmente bom”, opinou.
 
Quarto no grid, Viñales deixou o agora já tradicional abatimento de lado e falou em brigar pelo pódio em Buriram.
 
“Estou contente. Fizemos um bom trabalho e a moto está funcionando muito bem”, comentou o #25. “A distribuição de peso me ajudou muito, especialmente na hora de sair da curva e é onde eu ganho mais tempo. Se amanhã formos espertos e hábeis, podemos lutar pelo pódio”, garantiu.
 
O número de pilotos com bom ritmo, no entanto, não será a única dificuldade para a corrida. Apesar de a Tailândia estar em meio a sua ‘estação fria’, isso significa, na prática, que as temperaturas médias diárias ficam abaixo dos 31°C, mas isso já é calor o bastante, especialmente com a pista ultrapassando fácil os 50°C.
 
“Nós nunca tivemos um calor assim, é muito pior do que na Malásia”, comentou Andrea Iannone, sexto na grelha. “Temos de levar em conta que lá só damos 18 voltas, enquanto aqui serão 26. Além disso, pelo perfil da pista e das curvas, é muito exigente por si só”, completou.