Marc Márquez impera em Austin, mas condição do asfalto gera preocupação

Sempre favorito quando se trata de Estados Unidos, o espanhol da Honda ditou o ritmo nos dois treinos do dia. A preocupação geral, porém, é com as muitas ondulações com o asfalto

Faça sol ou faça chuva, Marc Márquez casa muitíssimo bem com o layout do circuito de Austin. No primeiro dia de treinos livres para o GP das Américas de MotoGP, o piloto, que sequer está em plena forma, comandou os trabalhos e colocou a Honda na ponta da tabela de tempos desta sexta-feira (1).

Desde que estreou no calendário do Mundial de Motovelocidade, em 2013, o traçado de Austin sempre foi território de Márquez, que venceu seis das sete corridas disputadas por lá. A única derrota veio em 2019, quando caiu e viu Álex Rins triunfar pela primeira vez na MotoGP com a Suzuki.

Marc Márquez comandou os dois treinos do dia (foto: Repsol)

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Além das muitas vitórias, Marc também tem um enorme histórico de poles, com 100% de efetividade, já que o Mundial não correu no traçado dos Estados Unidos no ano passado, por causa da pandemia de Covid-19. Sendo assim, o irmão de Álex entrou no avião já favorito à vitória nesta 15ª etapa da temporada e não decepcionou.

No primeiro treino, com pista molhada, o espanhol liderou com 2min15s872. No complemento das atividades do dia, já com os pneus slicks calçando a RC213V, o piloto de 28 anos estabeleceu como melhor tempo da sexta-feira a marca de 2min04s164.

A principal preocupação dos pilotos, contudo, é a condição do asfalto. As ondulações são tantas que eles já até ameaçam não correr em 2022 se a superfície continuar como está.

Não é de hoje que as ondulações em Austin preocupam, mas a condição parece ter piorado ainda mais. Os pilotos fizeram comparações com pistas de motocross e reclamaram que da instabilidade das motos.

“Estou contente com o resultado, mas, se avaliar as sensações que tive na moto, não posso ficar muito contente. Fui bem, mas não como gostaria”, declarou Marc. “Especialmente no final dos treinos 1 e 2, fui muito forte. Mas agora estou sentindo o cansaço”, relatou.

“Gosto muito desta pista e também do traçado. As condições do asfalto, no entanto, são as piores do Mundial e não é agradável pilotar aqui. Aqui é um pouco o ‘estilo americano’, até mesmo Laguna Seca, em 2013, tinha muitas ondulações”, recordou. “Aqui, porém, estamos no limite. Não é tanto pelas ondulações, mas a forma como o solo se move. A cada ano é diferente e fica cada vez pior. Têm lugares que foram recapeados e você nota pela aderência, mas pelas ondulações, nada mudou. Esse certamente, será o assunto principal da Comissão de Segurança”, garantiu.

Jack Miller rodou o dia inteiro entre os ponteiros (Foto: Ducati)

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O mais velho dos Márquez não foi o único destaque do dia no sul dos Estados Unidos. Jack Miller também esteve o tempo inteiro entre os ponteiros e fechou as duas sessões com o segundo tempo. A melhor marca do australiano foi de 2min04s179, 0s015 mais lento do que Marc.

A sexta-feira, aliás, foi um dia especialmente positivo para Honda e Ducati. A marca japonesa colocou outras duas RC213V no top-10 ― Pol Espargaró ficou com o quarto tempo, com Takaaki Nakagami em quinto ―, enquanto a fábrica de Borgo Panigale viu Francesco Bagnaia em sexto, Jorge Martín em sétimo, Johann Zarco em oitavo e Enea Bastianini em décimo.

“É bom ver cinco Ducati no top-10, o que mostra que a moto é forte e se adapta bem à pista. Temos um pacote perfeito”, observou Jack. “Queria ficar na frente do Márquez, mas aqui ele é muito rápido”, seguiu.

“O circuito é um bom desafio, o asfalto piora ano após ano. É culpa do terreno em que ele foi construído, que se movimenta muito”, ressaltou. “Mas as condições são iguais para todos. Temos de nos adaptar e fazer funcionar da melhor maneira possível nesse asfalto também”, adicionou.

Vindo de duas vitórias ― em Aragão e Misano ―, Francesco Bagnaia teve um primeiro dia um pouco discreto, mas fechou os trabalhos em sexto, apenas 0s499 mais lento do que o irmão de Álex.

“Não foi um primeiro dia fácil: infelizmente, as condições da pista não são boas. Têm muitas ondulações, a moto se move muito e, portanto, você tem de ficar o tempo inteiro focado na pilotagem para evitar o risco de erros”, apontou. “De qualquer forma, a situação é a mesma para todo mundo, então temos de tentar fazer nosso melhor para sermos cada vez mais rápidos e tornar a moto mais fácil de lidar nessas condições”, seguiu.

“No tempo de ataque de hoje, não consegui completar uma volta perfeita, mas o clima foi bom e estou convencido de que amanhã poderemos dar outros passos à frente”, garantiu.

Fabio Quartararo sentiu evolução na performance com pista milhada (Foto: Yamaha)

As duas ‘forasteiras’ no ranking dos dez mais rápidos no combinado dos dois treinos foram Yamaha e Suzuki. No caso do time de Iwata, Fabio Quartararo mostrou a performance competitiva de sempre com pista seca. Mas o lado ruim é que a atuação tradicional de pista molhada também apareceu. A previsão é de chuva no sábado e de céu nublado no domingo.

“Estou realmente feliz. Acho que foi um bom dia”, disse Fabio. “Estou mais feliz com o TL1, pois acho que demos um passo. Tentamos uma coisa totalmente diferente, e encontramos mais aderência”, explicou.

“A posição não foi ótima, mas a minha sensação foi muito melhor, então estou feliz”, comentou. “O TL2 mostrou que esta pista não é adequada para corrermos. É como uma pista de motocross com asfalto. Claro, é a mesma coisa para todo mundo, mas acho que, em termos de segurança, é realmente ruim. Se adaptar à condição de pista não foi fácil. Mas vou fazer meu melhor no seco, no molhado ou em qualquer condição que aparecer. Não posso controlar o clima, mas a verdade e que darei 100% em qualquer tipo de condição”, completou.

Último vencedor do GP das Américas, Rins fez a melhor volta em 2min04s802 e acabou na nona colocação, 0s638 mais lento do que o dono do melhor tempo.

“A verdade é que eu estou contente. Tanto no seco quanto no molhado, nós conseguimos atuar bastante bem. Conseguimos ser rápidos, apesar de ter muita margem de melhora, já que no seco, no Tl2, nos concentramos em provar os pneus para a corrida, pois talvez seja o único treino livre no seco que vamos ter. Mas podemos melhorar mais”, avaliou. “Gosto muito de vir para cá, roda aqui, gosto do ambiente e das pessoas, mas está no limite do perigoso por causa de tanta ondulações. Nós esperávamos por isso, mas é incrível. Não posso dizer que tem ondulações em uma curva, pois tem em praticamente todas. Teremos de fazer alguma coisa para o ano que vem. Vamos conversar na Comissão de Segurança, pois está no limite do que é perigoso”, encerrou.

A classificação que define o grid de largada para o GP das Américas de MotoGP, em Austin, acontece no sábado (2), às 16h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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