Marc Márquez toca no trono, mas Oliveira bota coroa na KTM no primeiro dia na Alemanha

Dono de sete vitórias seguidas em Sachsenring na MotoGP, o hexacampeão vai tentar usar o fim de semana para aplacar as dificuldades que enfrenta desde que fraturou o braço direito no início da temporada 2020, mas vai encontrar uma oposição ferrenha. Nesta sexta-feira (18), a primeira ameaça à coroa veio de Miguel Oliveira

Vitória dominante de Oliveira e líder punido: assista aos melhores momentos do GP da Catalunha (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

O GP da Alemanha deste fim de semana vai ameaçar o trono de Marc Márquez em Sachsenring. Invicto no traçado de Chemnitz desde que saltou para a MotoGP, em 2013, o piloto de Cervera desembarca em território saxão ainda em busca da melhor forma, mas aposta no desequilíbrio de curvas para a esquerda para tentar se livrar das limitações físicas que carrega desde que fraturou o braço direito na abertura do campeonato passado.

O irmão de Álex chegou na Saxônia ciente de que seria difícil defender o reinado, mas começou a sexta-feira (18) bem na proteção do trono. O piloto da moto #93 fechou a primeira manhã de treinos na ponta da tabela, mas completou o dia só em 12º. O atraso, porém, não é assim tão grande, já que Marc foi só 0s601 mais lento que o líder deste primeiro dia.

Miguel Oliveira fechou a sexta-feira com o melhor tempo em Sachsenring (Foto: Divulgação/MotoGP)

FATOS E CURIOSIDADES
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Após as atividades desta sexta, o mais velho dos Márquez contou que tem menos limitações físicas em Sachsenring, mas não tão menos quanto esperava.

“Aqui eu sinto menos limitações físicas, mas, honestamente, esperava ter zero problemas, mas acho que ainda não estou pilotando no meu melhor”, reconheceu Márquez. “Consigo lidar com isso e temos um bom ritmo no momento, mas, com certeza, o foco para amanhã é trabalhar no estilo de pilotagem”, avisou.

A posição atrasada na tabela é também reflexo da tática adotada pela Honda, uma vez que o espanhol de 28 anos não usou pneus novos na parte final do TL2.

“Não coloquei um pneu novo no final, falei com a equipe que não sentia que tinha energia para fazer isso. Estamos trabalhando para entender muitas coisas na moto que estão funcionando aqui”, contou. “Nosso ritmo é bom, mas não é o melhor da pista no momento”, admitiu.

Se Marc ainda está meio combalido, o mesmo não se pode dizer de Miguel Oliveira, que praticamente retomou do ponto que parou no GP da Catalunha, onde conseguiu a primeira vitória da KTM em 2021. O piloto português, que já tem contrato para correr com a marca de Mattighofen em 2022, cravou 1min20s690 e assegurou o topo da folha de tempos.

Vindo de um pódio e uma vitória, Oliveira negou que a boa forma da KTM tenha surgido de uma hora para outra.

“A KTM fez um bom trabalho trazendo uma boa evolução no chassi. Não sei o quando ela está nos dando, não acho que seja tudo, mas pequenos detalhes podem contar muito nesta categoria atualmente e o piloto que entende melhor como tirar o máximo de cada detalhe é quem vai ser mais rápido no final”, apontou Oliveira. “Acho que, no momento, nós conseguimos fazer isso um pouco melhor do que o resto, mas não acho que nos dê muita vantagem”, ponderou.

Marc Márquez sentiu o traçado alemão menos exigente com o corpo (Foto: Repsol)

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Oliveira negou, porém, que o novo chassi seja o único responsável pela melhora na performance da RC16.

“Disse ontem que essa conclusão é enganosa, pois, claro, talvez vocês não tenham analisado todas as nossas sessões, mas nós fazemos isso e temos um ritmo muito, muito bom, às vezes potencial o bastante para sermos rápidos em muitas pistas”, comentou. “E a cada GP, nós mostramos que éramos fortes em um treino ou outro, mas não conseguimos terminar a corrida por uma razão ou outra. Então isso cria a ilusão de que aparecemos só em Mugello”, frisou.

“Mas não é bem assim, só trabalhamos nas sombras e isso talvez crie a sensação de que o que trouxemos em Mugello virou o jogo. Mas não foi assim. Ajuda, mas não é tudo”, frisou.

O português, contudo, não será o único adversário na Alemanha. Até por que Fabio Quartararo planeja servir o frio prato da vingança.

“Lembro que em 2019 ele dificultou as coisas para mim enquanto eu tentava conquistar minha primeira vitória. Por isso, vou tentar fazer a mesma coisa”, avisou Quartararo. “Mas ele parece super-rápido e o ritmo parece bom. Sabemos que ele é muito rápido nesta pista e acho que todos pensam a mesma coisa”, seguiu.

“Marc passou por um período muito difícil, então ficaria muito feliz por ele se ele conseguisse um bom resultado. Claro, feliz por ele, mas não por todos nós, porque temos de tentar um bom resultado e não deixá-lo vencer”, considerou. “Eu estou aqui para lutar pela vitória e pelo pódio, então não estou pensando nisso agora. Mas, se ele conseguir vencer, será bom para ele”, reconheceu.

Só 0s220 mais lento que Oliveira, jovem francês fez a maior parte do TL2 com pneus usados e conseguiu manter o ritmo na casa de 1min22s no traçado da Alemanha.

Maverick Viñales celebrou boas sensações com a dianteira da Yamaha na Alemanha (Foto: Yamaha)

“Os pneus acabaram quando fizemos 33 ou 34 voltas, mas foi muito longo. Não comparei com outros pilotos, mas me senti muito bem”, comentou. “Com 32 voltas com pneus usados, conseguir fazer 1min22s5. Foi o pneu desta manhã, então me senti bem e acho que melhoramos um pouco, pois a sensação com a moto não foi muito boa hoje, especialmente com a dianteira. Temos ideias para amanhã, mas não estamos longe, então estou contente com hoje”.

Ainda, Fabio contou que sentiu um pouco de dor na mão na hora da queda no primeiro treino, mas não teve mais incômodos na atividade da tarde. “No momento, fiquei um pouco assustado, mas deu tudo certo”, comentou.

Maverick Viñales, que busca reação depois de abrir a temporada com vitória no Catar, mas deixar a peteca cair nas etapas seguintes, fez o terceiro melhor tempo e saiu satisfeito deste início de trabalho, inclusive com a atuação de Silvano Galbusera, novo chefe da equipe do #12.

“Foi uma sexta-feira positiva. Estou feliz por causa do trabalho que fizemos em Montmeló e agora está dando resultado”, lembrou, se referindo ao teste de Barcelona. “Tenho uma ótima sensação com a dianteira, que é algo que estávamos buscando. Normalmente, temos um pouco de dificuldade nessa área e aí perco confiança. Com Silvano, trabalhamos muito na dianteira, e está ficando muito melhor”, avaliou.

“Mas, você sabe, quando focamos muito em melhorar uma área específica, podemos perder um pouco em outra. Então, no momento, estamos tentando encontrar um bom equilíbrio na moto e construir em cima disso”, indicou. “Acho que é importante estar dentro do top-3 hoje. Isso é sempre bom, também para a equipe. Vamos tentar continuar com muita motivação”, avisou.

Álex Rins ficou no top-4 na Alemanha mesmo voltando de lesão (Foto: Divulgação/MotoGP)

Assim como Marc Márquez, Álex Rins também tenta voltar à forma, mas diferente do espanhol, parece que se recuperou mais rápido da fratura no braço direita, resultado de um bizarro acidente de bicicleta. Apesar da cirurgia recente, o piloto da Suzuki fez o quarto melhor tempo, só 0s387 mais lento do que Oliveira.

“Esta é uma pista de que eu gosto e não estou me sentindo mal com o braço”, contou Álex. “Estou satisfeito com a minha posição de hoje e, ainda que me falte um pouco de consistência nos tempos de volta, sou rápido”, relatou.

“Sinto um pouco de dor na curva 3, pois é uma curva longa para a direita e ai tem uma grande mudança de direção. Também sinto na freada das curvas 1 e 12, mas, no geral, esta pista tem muito mais curvas para a esquerda, o que talvez me ajude um pouco, embora estejamos usando a mão direita para o acelerador e o freio na MotoGP!”, ponderou. “Estou feliz, pois completei o meu programa hoje e amanhã será um plano similar. Estou satisfeito com a quarta colocação. Hoje à noite vou tomar alguns analgésicos e tentar descansar um pouco para estar pronto para amanhã”, encerrou.

Pol Espargaró, apesar de ter sofrido duas quedas nesta sexta-feira de treinos para o GP da Alemanha, uma em cada sessão, foi a melhor Honda e acabou em quinto, logo à frente de Takaaki Nakagami.

“Cair não fazia parte do plano, mas estou tentando encontrar o limite agora e não na corrida”, explanou o caçula dos Espargaró. “Estamos tentando entender, mas a curva 3 está causando alguns problemas no momento e é por isso que eu caí lá”, seguiu.

Pol Espargaró caiu duas vezes, mas foi a melhor Honda do dia na Alemanha (Foto: Repsol)

“Em volta lançada, estamos bem, mas as quedas fizeram com que não pudéssemos realmente fazer um long-run como esperávamos”, explicou. “Honestamente, hoje foi um dia meio bagunçado, mas temos velocidade aqui. Amanhã precisamos de um dia mais suave, com menos quedas e mais no controle. A moto está funcionando bem aqui neste fim de semana”, resumiu.

Aleix Espargaró colocou a Aprilia na sétima colocação no primeiro dia de treinos no circuito da Alemanha e saiu satisfeito com a performance da RS-GP.

“Sei que pode parecer estranho levando em conta a posição final, mas acho que foi a melhor sexta-feira da temporada”, disse Aleix. “Me senti bem logo de cara. Consegui ser rápido sem correr riscos excessivos e a aderência ajudou, já que estava significativamente maior do que em Barcelona”, seguiu.

“Não consegui uma performance perfeita na volta rápida, mas sou competitivo em termos de ritmo”, avaliou. “Esta será uma pista em que os pneus serão altamente estressados, também por causa das condições climáticas, então trabalhar bem neste aspecto é muito importante”, concluiu.

A largada do GP da Alemanha, oitava etapa da temporada 2021, está marcada para as 9h (de Brasília). Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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