MotoGP

Márquez brinca de gato e rato com Ducati e leva a melhor em circuito que tinha marcado para sofrer

Marc Márquez tirou proveito da Ducati e tomou a pole-position de Fabio Quartararo no apagar das luzes em Mugello. O resultado mostrou, mais uma vez, a capacidade do #93 de driblar até mesmo as circunstâncias

Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo / NATHALIA DE VIVO, de Mogi Guaçu
Você está aí se perguntando o que pode parar Marc Márquez, não é mesmo? Bom, permita-me dizer, mas pode riscar gripe da sua listinha de possibilidades. Mesmo sem estar 100%, o #93 foi não só rápido, mas também sagaz neste sábado (1) e tomou a pole de Fabio Quartararo no fim do Q2 enquanto ‘brincava’ de gato e rato com a Ducati.
 
Na última de suas sete voltas na pista da Toscana nesta tarde, Márquez aproveitou o vácuo de Andrea Dovizioso para cravar 1min45s519 e tomar a posição de honra de Quartararo por uma diferença de 0s214.
 
Após o treino que definiu o grid italiano, Márquez contou que percebeu que a estratégia da Ducati era marcá-lo com Michele Pirro e, assim, na hora do pit-stop, decidiu mudar sua estratégia e ‘pegar uma carona’ com a Desmosedici.
Marc Márquez aproveitou vácuo para faturar a pole (Foto: Repsol)
“Eu saí em primeiro como sempre, mas Pirro estava lá. Eu reduzi, Pirro estava lá. Eu saí da linha, ele saiu. Aí eu fiz a minha volta, Pirro estava atrás de mim”, relatou Márquez. “Aí eu parei nos boxes e disse para Santi [Hernández]: ‘Ok, vamos mudar a estratégia. Eu vou segui-los’. E foi o que eu fiz”, seguiu. 
 
“Eu estava esperando, pois Pirro estava esperando. Aí Pirro estava lá esperando e esperando, e eu decidi esperar por Dovi. Sabe, você muda as cartas, dá as suas cartas. Eu vi que Dovi estava em 12º, então decidi seguir Dovi, porque ele precisava forçar para melhorar. Nós jogamos as nossas cartas e a estratégia foi boa. Mas essa estratégia foi uma criação deles, não minha”, defendeu.
 
Diretor-esportivo da Ducati, Davide Tardozzi terminou a classificação espumando por conta da tática adotada por Márquez.
 
“O que Marc faz é licito, mas é pouco profissional”, disparou Tardozzi em entrevista à emissora italiana Sky Sports. 
 
Mais calmo, Davide evitou polêmicas. “Respeitamos Márquez e ele não fez nada ilegal. Não queremos polêmicas”, disse ao ‘Marca’. 
 
Sem esquentar a cabeça com os protestos vermelhos, Márquez celebrou a performance, especialmente por entender que Mugello não é um circuito ideia nem para a Honda e nem para sua maneira de pilotar.
 
“Queria que esse fosse o resultado de amanhã, pois seria muito bom pensando no campeonato, mas o importante é ser constante”, defendeu. “Eu já disse em Le Mans e volto a dizer aqui, o importante é ser constante em todas as condições e em todos os circuitos. Este é um circuito em que sofremos, mas os problemas são bem-vindos, pois parece que os rivais sofrem mais”, ponderou.
 
“Acho que Dovizioso não está sofrendo tanto quanto parece e amanhã estará lutando pelo pódio. Por isso, vamos tentar estar lá da melhor maneira. De entrada, olhando os papeis, os mais rápidos são Quartararo e [Maverick] Viñales”, apontou.

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Questionado sobre sua condição física, Márquez contou que está melhor, mas sabe que tem uma corrida dura pela frente.
 
“Eu me sinto muito melhor”, afirmou o #93. “Na quinta-feira eu estava destruído. Ontem também foi difícil, mas hoje eu me sinto melhor. Acho que amanhã estarei ainda melhor. Isso é importante, mas, em relação ao ritmo de corrida, será uma corrida dura, longa”, apontou. 
 
“Quartararo especialmente, mas os pilotos da Yamaha têm um ritmo muito bom, os pilotos da Ducati tem um ritmo bom, mas nós estamos muito perto. Mas, sim, vamos ver”, comentou. “Parece que estamos sofrendo um pouco mais, neste circuito, mas os principais rivais pelo campeonato também não estão muito bem, então, sim, é hora de somar pontos, de respirar e de pensar no campeonato”, defendeu.
 
“Partindo da pole, não descartamos nada para amanhã, mas este é o circuito onde mudamos mais coisas no acerto e no qual comecei a me sentir cômodo mais tarde. Tivemos de fazer grandes mudanças em um circuito que nos custa a cada ano. Amanhã, um pódio já seria um bom resultado”, completou.
 
Vice-líder do Mundial, Dovizioso deu uma ‘mãozinha’ para Márquez, mas não se deixou abalar, até por saber que não tinha como jogar sua volta fora só para não puxar o rival.
 
“Não muda muito se Marc é primeiro ou terceiro”, disse Andrea, que ficou com o nono posto no grid. “Não era a melhor situação, mas eu me concentrei da melhor maneira possível. Não fiz uma volta perfeita, mas me valeu para fazer um 46s2, o que não é ruim. Ele que fez um tempo exagerado”, comentou.
Fabio Quartararo ficou com o segundo posto (Foto: Divulgação/MotoGP)
O #4, aliás, afirmou que ainda não sabe o que esperar da corrida em Mugello e avaliou que “todos rodaram forte”.
 
“Não está claro quem vai estar na frente na corrida. Todo mundo rodou forte. Se você olhar para o TL4, foram estratégias diferentes, difíceis de comprar. Teve quem trocasse pneu na segunda saída e aí rodou perto de 1min45s, um tempo que não será feito na corrida, esse não é o verdadeiro ritmo, isso nós veremos depois de sete ou oito voltas”, previu. “Não é fácil. Não sei do que esperar, especialmente em relação ao comportamento dos pneus. Teve uma queda importante, especialmente na segunda saída, o que não é novo em Mugello. Temos de tratar de gerir isso da melhor maneira possível amanhã. Não podemos dar importância só para a velocidade, porque isso consome muito o pneu”, alertou.
 
Questionado se uma vitória de Márquez em um território da Ducati teria um efeito, especialmente psicológico, na disputa pelo título, Andrea respondeu: “Absolutamente, não. Provavelmente, se ele conseguir vencer em Mugello, será algo um pouco inesperado e que não será bom para o campeonato, mas acho que não”.
 
Segundo no grid, Quartararo voltou a se destacar na MotoGP e, ao longo dos treinos, mostrou um ritmo bastante bom. O #20, no entanto, ressaltou que ainda precisa escolher seus pneus para a prova de domingo.
 
“Tenho muita confiança com a moto. Com pouca gasolina, dá para fazer coisas incríveis que não dá para fazer na corrida”, ponderou Fabio. “Têm dois ou três pontos de ultrapassagem. Temos um bom ritmo com todos os pneus, mas também é um problema escolher para a corrida. Temos de analisar tudo muito bem, porque é difícil depois de ter ido bem com todos”, explicou.
 
Apesar da animação do francês, o motor Yamaha é uma fraqueza evidente, especialmente no confronto com Honda e Ducati.
 
“É difícil. Ducati e Honda têm um motor muito rápido. Vamos ver se podemos acompanhá-los, porque se conseguirmos, faremos uma boa corrida”, concluiu.
 



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