Márquez cumpre promessa de ano estrelar e nem grande fase de Lorenzo para novato na MotoGP

Temporada 2013 da MotoGP viu mais uma exibição de gala dos pilotos espanhóis, mas o novato Marc Márquez conseguiu fazer frente à experiência de Jorge Lorenzo e Dani Pedrosa. Retorno de Valentino Rossi à Yamaha se provou um acerto, mas ficou aquém das expectativas

As imagens da temporada 2013 do Mundial de Motovelocidade

Durante muitos anos, o principal questionamento em relação à MotoGP era quem seria o substituto do carismático Valentino Rossi. Na temporada 2013, o Mundial encontrou seu candidato ideal. Com carinha de bom moço, sempre sorrindo e com um talento descomunal, Marc Márquez chegou tomando a categoria de assalto e se converteu no mais jovem campeão da história da classe rainha.

Em sua temporada de estreia, o prodígio espanhol mostrou que a Honda acertou em cheio ao apostar em um piloto estreante para substituir o reconhecido Casey Stoner. Embora o talento do australiano ainda faça falta nas pistas do Mundial, ninguém pode reclamar de seu substituto.

Marc Márquez (Foto: Repsol)

Campeão da Moto2, Márquez chegou à categoria distribuindo seu cartão de visita já no GP do Catar. Na prova noturna de Losail, enquanto Jorge Lorenzo se ocupava em sumir na ponta, Marc travou um eletrizante duelo com o ídolo Rossi, que, enfim, voltava aos braços de sua amada M1.

Com menos experiência que o multicampeão italiano, Márquez fez o que pôde para se defender, mas acabou ultrapassado e recebeu a bandeirada no terceiro posto, chegando ao pódio em sua primeira corrida.

Na etapa seguinte, Márquez deu um passo adiante e chegou ao seu primeiro triunfo após dominar a etapa de Austin. Completamente adaptado ao Circuito das Américas, o piloto de Cervera faturou a pole e, embora tenha perdido a ponta para Dani Pedrosa ainda na largada, tratou de perseguir o companheiro até retomar a comando.

Com o triunfo em terras texanas, o piloto da Honda se tornou o mais jovem vencedor da divisão principal da elite do motociclismo, tomando para si uma marca que Freddie Spencer sustentava desde 1982, quando completou o GP da Bélgica à frente de Barry Sheene e Franco Uncini.

Tamanha boa fase, entretanto, logo teria que resultar em um conflito. E foi isso que aconteceu em Jerez de la Frontera. Na terceira prova do ano, Márquez encarou Lorenzo até a última volta e, na última curva, conseguiu deixar o representante do time de Iwata para trás.

A manobra, no entanto, contou com um toque entre os dois, já que Lorenzo tentou retomar a trajetória quando Márquez já ocupava a linha de dentro. A colisão resultou um em bicampeão bastante irritado, que se recusou a cumprimentar o rival, mas que logo se acalmou, se desculpou e admitiu o erro.

Jorge Lorenzo e Marc Márquez (Foto: Repsol)

Alheio a briga com seu companheiro de equipe, Pedrosa voltou à velha forma e, depois de um início de temporada pra lá de apagado, voltou a vencer. Márquez saiu de Jerez na liderança do Mundial, seguido por Dani e Lorenzo.

Na etapa seguinte, em Le Mans, Pedrosa mostrou que merece, sim, estar na principal divisão do motociclismo. Ignorando as condições adversas da pista, o espanhol venceu a segunda seguida, depois de bater Andrea Dovizioso, que teve uma trégua de sua difícil Ducati no piso molhado.

A alegria do piloto de Borgo Panigale, entretanto, durou pouco e ele logo foi batido por Cal Crutchlow e Márquez, que completaram o pódio. Na garagem da Yamaha, por outro lado, não havia motivos para festa. Lorenzo perdeu muito rendimento na prova e recebeu a bandeirada em sétimo, o que foi o pior resultado do bicampeão – nas provas que completou – desde o GP de Valência de 2008, sua temporada de estreia na MotoGP. Do lado de Valentino Rossi, uma queda acabou por ceifar qualquer chance do multicampeão.

De olho em interromper o bom momento de Márquez, Lorenzo chegou em Mugello de olho na vitória e, com uma corrida inteligente, garantiu o triunfo. Marc e Rossi, por outro lado, não tiveram motivos para comemorar.

O jovem estreante teve muitas dificuldades com o circuito italiano e sofreu um violento tombo ainda nos treinos. Apesar do enorme hematoma no queixo, o espanhol alinhou no grid e vinha rodando em segundo quando caiu. Foi seu único abandono em 2013.

Valentino, por sua vez, não teve chances de farrear com sua torcida, já que foi derrubado por Álvaro Bautista na terceira curva, batendo com força na barreira de proteção.

Com o resultado de Mugello, Pedrosa aparecia na ponta da classificação, com Lorenzo em segundo e Márquez caindo para terceiro.
Em Barcelona, Lorenzo tirou vantagem da atmosfera caseira e brindou o público catalão com uma atuação irretocável, garantindo o topo do pódio à frente de Pedrosa e Márquez. Para completar a festa, Jorge reduziu a vantagem de Dani na classificação.

Da glória em Barcelona, Lorenzo foi direto ao inferno em Assen. Um tombo na segunda sessão de treinos livres resultou em uma fratura na clavícula esquerda. Sem chances de operar em um hospital holandês, o bicampeão fretou um avião e foi para a capital catalã para colocar uma placa de titânio no ombro.

Jorge Lorenzo chegou a Assen após a cirurgia (Foto: Yamaha)

O que parecia um fim de semana perdido para o piloto da Yamaha se transformou em um momento histórico, já que ele voltou para a pista cerca de 30 horas após a cirurgia. Mesmo lidando com dores, o espanhol garantiu o quinto posto.

Com Lorenzo combalido, Rossi não titubeou em fazer as honras da Yamaha. O italiano levantou a torcida em Assen e encerrou um jejum de dois anos e oito meses, conquistando seu 47º triunfo com a marca dos três diapasões. Márquez e Crutchlow completaram o pódio.

Cumprindo o ditado de que desgraça pouca é bobagem, Lorenzo teve um novo revés em Sachsenring. Após um novo forte tombo, o espanhol entortou a placa de titânio que havia sido colocada em sua clavícula esquerda dias antes e precisou de uma nova operação, desta vez ficando fora da corrida.

O mesmo destino cruel quis apresentar sua mão suave a Jorge e tirou de combate Dani Pedrosa. Então líder do Mundial, o piloto da Honda sofreu uma forte queda e teve um grande impacto na cabeça. O titular da moto 26 teve uma queda de pressão pouco antes da corrida e foi barrado pelos médicos.

Sem os principais rivais em forma, Márquez engatou em uma sequência de quatro vitórias consecutivas – Alemanha, Estados Unidos, Indianápolis e República Tcheca.

Marc Márquez venceu quatro seguidas (Foto: Repsol)

Sem a menor disposição de entregar seu título de bandeja, Lorenzo ressurgiu em Silverstone, onde teve uma das melhores atuações de sua carreira. Mesmo lidando com dores no ombro, deslocado em um acidente nos treinos da manhã, Márquez pressionou o rival o máximo que pôde, mas Jorge não deixou espaço para uma ultrapassagem.

Apesar do triunfo, Lorenzo seguia com 39 pontos de atraso em relação a Márquez e não dependia mais de seus próprios resultados para garantir o tricampeonato da MotoGP.

Em boa fase, o piloto da Yamaha tratou de vencer a prova seguinte, mas viu Márquez triunfar em Aragão. A prova no MotorLand, aliás, reabriu a temporada de criticas ao novato.

Durante uma disputa com Pedrosa, os dois pilotos da Honda se tocaram e, no choque, Márquez acidentalmente rompeu o cabo do sensor de velocidade que gerencia o controle de tração da RC213V. Desavisado, Dani foi arremessado tão logo acionou o acelerador.

Apesar das – pesadas – criticas, Marc não se deixou abater. Na Malásia, Pedrosa venceu à frente de Márquez, mas não lhe restavam muitas opções de título.

Marc Márquez errou na troca de moto (Foto: Repsol)

Erro de cálculo

Na reta final do Mundial, já com o match-point na mão, Márquez foi vítima de um erro de cálculo de sua equipe. O fim de semana em Phillip Island foi um verdadeiro caos, já que os pneus Bridgestone sofreram com o desgaste excessivo e comissão de GP teve de lançar mão do formato flag-to-flag, forçando os pilotos a fazerem um pit-stop para trocar de moto.

Por conta do risco de falhas com os compostos, a MotoGP determinou que o pit-stop deveria ser feito entre a nona e a décima volta, mas o time do espanhol o chamou aos boxes tarde demais e ele acabou desclassificado.

Assim, com o triunfo conquistado na Austrália, Lorenzo descontou 25 pontos da vantagem de Márquez na classificação do Mundial e ganhou uma nova chance na briga pelo tri.

Firme e forte, o espanhol venceu em Motegi, a casa da Honda, e conseguiu levar a briga pelo título para a última etapa, no GP de Valência. Com poucas opções para garantir a taça, Lorenzo tinha como único recurso forçar Márquez ao erro.

O piloto da Yamaha assumiu a ponta nos metros iniciais, mas ao invés de escapar na ponta, tratou de segurar o ritmo e tentar atrair Marc para a briga, forçando o novato a se expor ao erro. A estratégia resultou em ótimos lances entre Jorge e Pedrosa, mas Márquez foi bem preparado para o circuito Ricardo Tormo.

Marc Márquez foi campeão (Foto: Repsol)

Atendendo a um pedido de Shuhei Nakamoto, vice-presidente da HRC, Márquez usou a cabeça e lutou contra seus instintos, evitando entrar na disputa. Vendo que o jovem espanhol não cairia em sua estratégia, Lorenzo logo desistiu de segurar o ritmo e disparou na ponta, garantindo a vitória na última prova do ano.

Terceiro colocado no GP da Comunidade Valenciana, Márquez se tornou o mais jovem vencedor da história do Mundial de Motovelocidade, também tirando um recorde que pertencia a Freddie Spencer.

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