MotoGP

Márquez mostra ritmo forte, mas concorrência vem afiada na Argentina. Clima pode ser desafio extra

Marc Márquez exibiu um bom ritmo de corrida ao longo dos treinos em Termas de Río Honda, mas, numa categoria tão competitiva, o #93 vai ter de suar se quiser ampliar seu histórico de vitórias na pista sul-americana. Além da competitividade da categoria, o clima também promete jogar contra nesta segunda etapa da temporada 2019 da MotoGP

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
Marc Márquez até tem um bom currículo no circuito de Termas de Río Hondo, mas nada tão impressionante quanto em Austin, por exemplo. Até aqui, o #93 conquistou a pole em cinco das seis classificações que disputou, mas venceu apenas duas vezes ― em 2014 e 2016. Em 2015 e 2017, o espanhol caiu brigando pela vitória, enquanto que, no ano passado, a Argentina testemunhou uma das corridas mais estabanadas da carreira do agora pentacampeão.
 
Mas, como histórico não ganha jogo, o currículo pomposo de nada serviria se Marc não tivesse mostrado bom ritmo ao longo dos dois dias de testes. Neste sábado (30), o irmão de Álex manteve seu impressionante aproveitamento em classificações em território argentino ― que chega a 83,3% ― e assegurou a posição de honra com 0s154 de margem para Maverick Viñales
Marc Márquez só perdeu uma pole em seis tentativas em Termas de Río Hondo (Foto: Repsol)
“Até o momento, foi um fim de semana muito bom, mas, claro, amanhã é o dia mais importante”, disse Márquez. “Hoje eu me senti muito forte no TL3, mas tivemos um pequeno problema no TL4, mas todo o time reagiu muito bem”, comentou, se referindo a falha na RC213V que o tirou brevemente da pista e forçou o uso da moto reserva. 
 
“Na classificação, eu tentei forçar, pois sabia que os outros pilotos estariam próximos, pois, em uma volta, eu estou com um pouco mais dificuldade do que no ritmo de corrida, porque o acerto da moto é completamente diferente, mas estou feliz”, insistiu. “Em termos de ritmo de corrida, me sinto forte e isso é o mais importante. Vamos ver amanhã como será o clima e entender quais serão as condições”, continuou.
 
Dono de um ritmo forte, Márquez não espera correr sozinho e acredita que terá de enfrentar Cal Crutchlow, Andrea Dovizioso, Viñales e Valentino Rossi no domingo.
 
“Acho que Cal tem mais ou menos o mesmo problema que eu. Em uma volta, ele tem um pouco mais de dificuldade, mas em termos de ritmo de corrida, ele vai estar lá”, garantiu. “Aí tem esses dois caras, além de Valentino. Parece que eles são os mais fortes”, opinou. 
 
“Vamos tentar entender as condições de pista, porque está mudando muito. De manhã, a aderência era diferente do que da tarde. Parece que tem cada vez mais borracha na pista e a aderência é melhor. Honestamente, eu me senti melhor ontem, quando a distância era maior porque a aderência era menor, eu senti que era mais fácil para pilotar, mas, fora isso, hoje o ritmo foi bom”, considerou. “Eles vão estar lá, mas vamos ver qual estratégia podemos usar”, completou.
 
Apesar do bom desempenho, Márquez não espera um passeio no parque no domingo, não só pelo nível atual da MotoGP, mas também porque sabe que o clima pode preparar surpresas. Depois de um fim de semana bastante nublado, o domingo tem previsão de tempestades isoladas com trovoadas, com a chance de chuva chegando a 45% na hora da corrida. A temperatura deve variar entre 22 e 29°C ao longo do dia.
 
“É claro que, se chover amanhã, vai ser um ponto de interrogação para todo mundo, até mesmo para mim. Mas também para os outros, porque ninguém pilotou na chuva”, apontou. “Nós esperamos que, no mínimo, se for com chuva, que o warm-up também seja no molhado, porque assim podemos experimentar algumas coisas, testar o limite da pista, a aderência. Vamos ver”, comentou.
 
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Depois de uma primeira etapa decepcionante, já que a pole-position no Catar acabou não trazendo os frutos desejados, Viñales se mostrou bastante otimista na pista onde venceu em 2017, especialmente por entender que a Yamaha apresentou uma mudança considerável em termos de desempenho em relação ao ano passado. Além de ter evoluído com o passar dos dias em Santiago del Estero.
 
“É, nós tivemos alguns problemas na sexta-feira. Eu não pude ser muito forte. Não sei a razão de termos tido tanta dificuldade, especialmente em comparação com o Catar”, declarou Maverick. “Mas nós demos bons passos à frente hoje, especialmente no TL4, quando me senti muito melhor. Nós precisamos continuar trabalhando. Acho que, no momento, nossos rivais estão em um nível melhor, especialmente em termos de eletrônica, então temos de ficar trabalhando, com a cabeça baixa e pressionando. Vamos ver amanhã. Acho que temos como melhorar e ver se podemos ser mais fortes amanhã”, garantiu.
 
Depois de reportar dificuldades para andar no meio do pelotão em Losail, Viñales considerou que está mais forte na Argentina.
 
“Sim, eu me sinto muito melhor, muito melhor nas freadas fortes. Nós estamos usando um setup bem diferente, então eu me sinto bem. Vamos ver amanhã”, falou. “Com certeza, vou forçar, vou estar no meu máximo nas primeiras voltas e aí veremos o que acontece, mas, certamente, vou tentar estar na frente amanhã, lutando pela corrida e veremos o que podemos fazer”, resumiu.
 
Perguntado, então, se a chuva será boa ou não para a YZR-M1, Viñales respondeu: “Eu não sei, porque não testei a moto no molhado ainda. Não sabemos. Em Valência, nós mostramos um bom potencial no molhado, então vamos ver se podemos ser fortes como fomos em Valência, onde éramos bem rápidos. Estou curioso para ver se no molhado a moto é boa o bastante”.
 
Dono da última vaga na primeira fila, Dovizioso admitiu a surpresa com o resultado, especialmente se tratando de um circuito que não é lá dos mais positivos para a Ducati.
Andrea Dovizioso admitiu surpresa com desempenho na Argentina (Foto: Ducati)
“Eu estou muito, muito feliz com o que aconteceu nesses dois dias, porque confirmamos uma velocidade realmente boa e eu não esperava”, reconheceu. “Eu consegui ser bem rápido, não como Marc, mas acho que Cal também tem um ritmo muito bom para a corrida, mas nós não estamos muito longe”, ponderou. 
 
“As condições amanhã certamente serão diferentes, então isso com certeza vai afetar todo mundo. Vamos ver como eu e a moto vamos funcionar”, disse. “Estou feliz em começar na primeira fila, não esperava, o tempo de volta foi bom. Começar na primeira fila amanhã era a nossa meta para hoje”, relatou.
 
Por fim, Andrea deixou claro que a meta para a segunda etapa da temporada é estar no pódio. A casa de Bolonha, aliás, tem um único top-3 em Termas de Río Hondo ― um segundo lugar do #4 em 2015.
 
“Nossa meta é o pódio. 100%. Durante a corrida, veremos o que podemos fazer, se podemos lutar por algo mais ou não, mas o pódio é a meta”, encerrou Dovizioso.