MotoGP

Márquez muda estratégia de combate e faz da MotoGP previsível em 2019

Marc Márquez encontrou um novo jeito de correr na temporada 2019 e, como consequência, tornou a MotoGP previsível. Segundo em Brno neste domingo (4), Andrea Dovizioso resumiu bem a situação: ser perfeito não basta para vencer o #93

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
Corrida: GP da Tchéquia
Pista: Brno
Extensão: 5.4 km, 14 curvas
Vencedor: Marc Márquez
Pódio: Andrea Dovizioso e Jack Miller
Palavra do vencedor: "Eu estava concentrado desde o início, já que ainda tinham alguns pontos molhados, especialmente na curva 1. Eu sabia que tinha de manter o meu ritmo, já que os pilotos da Yamaha estavam começando de trás e eles foram fortes no warm-up. Aí eu vi que Dovi estava atrás de mim, então tive de continuar forçando e forçando. Tive um pequeno aviso na décima volta, porque foi quando eu comecei a forçar mais para tentar abrir vantagem. Atrasar o início da corrida foi a melhor decisão que poderiam ter tomado, porque a pista ainda estava em condições mistas e poderia ter sido bem perigoso. Foi um fim de semana louco em termos de clima, mas a equipe Repsol Honda foi perfeita e me ajudou muito a conquistar a vitória."

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Marc Márquez muda um pouco a cara da MotoGP cada vez que vai para a pista. Em constante ‘atualização’, o #93 adotou uma nova estratégia na temporada 2019 e, além de raramente encontrar adversários, ainda está tornando a classe rainha previsível.
 
Depois de uma volta espetacular no sábado para garantir a pole, o piloto de Cervera esteve próximo da perfeição neste domingo (4). Saindo da posição de honra, o #93 mergulhou primeiro na curva um e, mesmo tendo sido acompanhado de perto por Andrea Dovizioso durante um longo período, nunca esteve efetivamente sob pressão. Na metade final da corrida de 20 voltas, Marc apertou o passo e recebeu a bandeirada para a 50ª vitória na MotoGPa 76ª no Mundial de Motovelocidade ― com 2s452 de vantagem para o rival da Ducati ― a margem seria maior se o #93 não tivesse iniciado a comemoração antes mesmo da bandeirada.
 
É claro que, neste ponto da carreira do espanhol, colocá-lo como favorito à vitória é costumeiramente uma aposta certeira, mas, num grid de tanta qualidade, chama a atenção que ele não tenha rivais. 
Marc Márquez venceu em Brno (Foto: Repsol)
Não bastasse o talento de Marc, o time comandado por Santi Hernández também trabalha à perfeição e consegue preparar a Honda de tal forma que o #93 está sempre pronto para a briga. Mesmo que a RC213V mude de acerto de uma hora para outra.
 
“Nós fomos para a corrida com uma moto nova, um acerto completamente novo na moto, pois no warm-up eu não estava me sentindo da melhor maneira e decidimos mudar completamente a moto”, revelou Marc. “A Honda fez um trabalho muito bom para entender qual era o problema”, elogiou.
 
Depois do warm-up, Márquez tinha os olhos postos na Yamaha, já que considerava que Maverick Viñales e Fabio Quartararo seriam seus principais rivais. O #12, porém, largou mal e apenas conseguiu o décimo posto, com o francês ficando com a sétima colocação.
 
“Dei 100% de mim do início ao fim, porque eu estava com um pouco de medo dos pilotos da Yamaha”, contou. “Eles largaram atrás, mas foram muito rápidos no warm-up, especialmente Viñales e Quartararo”, justificou.
 
Além disso, o irmão de Álex também esperava uma apresentação melhor da Ducati, que conseguiu uma dobradinha com Dovizioso e Jorge Lorenzo em Brno no ano passado.
 
“Eu esperava uma Ducati mais forte neste circuito. De fato, achava que eles seriam mais fortes aqui do que na próxima semana, na Áustria”, comentou. 
 
Mesmo derrotado, Andrea saiu da etapa tcheca feliz. Longe do pódio desde o terceiro lugar no GP da Itália, o #4 considerou que teve uma boa atuação.
 
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“Nós temos de nos sentir satisfeitos. Estou contente com a corrida. No início, Marc acelerou forte, estava com o macio e, apesar de estar no limite, pude acompanhá-lo no início. Depois, já estava muito justo em termos de pneus e perdia nas freadas”.
 
“Não conseguimos lutar ombro a ombro até o final, o que era o objetivo. Este ano, Marc deu mais um passo, pode acelerar melhor e pode estar na frente de todos. A velocidade que ele tem é tão alta que é difícil segui-lo. Os pneus funcionam de uma maneira diferente e é difícil para todos pará-lo. Não pude manter toda minha velocidade até o final”, explicou.
 
Ainda assim, Andrea entende que ser perfeito dentro daquilo que a Ducati tem para oferecer não é o bastante para superar Márquez.
 
“Infelizmente, fazer o máximo não é suficiente. Este ano, Marc e a Honda são mais fortes e estão colocando todos para baixo”, avaliou Andrea. “Ele consegue fazer as corridas controlando o ritmo e se colocando na frente, e, com a velocidade que tem, pode fazer o que quiser. Como eu disse, ele coloca todos em crise e, consequentemente, temos de trabalhar e avaliar”, seguiu.
 
“Você tenta fazer o máximo. Você pode olhar apenas para o seu box. Você tem de fazer o máximo com o que pode fazer e com o que pode ter. Se isso não é o bastante ― e está claro que não ―, temos de tentar encontrar alguma coisa. Digo que fiz o máximo, pois fiz uma boa largada, fiz quatro voltas perfeitas, não perdi décimos para Marc, e essas foram as coisas mais difíceis. Depois, não errei nunca, tentei forçar em todas as áreas. E eu não podia frear mais forte. Este foi o ponto em que perdi em relação a Marc. Eu fiz o máximo que podia”, assegurou.  “Um dos pontos fortes de Marc é que ele é capaz de frear muito tarde, assumindo riscos, pode controlar melhor essa sensação. A Honda é capaz de deslizar com o pneu traseiro e manter a trajetória. Nós freamos muito bem, mas não posso fazer isso deslizando e, para frear mais forte, você tem de deixar deslizar o pneu para manter a pressão. Mas nossa moto não funciona assim. Eu estava no limite em todas as áreas e não podia tentar nada diferente”, detalhou.

Questionado se está tornando a MotoGP previsível, Marc negou, mas reconheceu que se sente mais forte em 2019 do que no ano passado.
 
“A MotoGP não é previsível! Mas vejo que a maneira que estou correndo neste ano, me sinto mais forte do que no ano passado”, reconheceu. “Algumas corridas são mais difíceis, mas no ano passado, nas corridas em que podia atacar, eu atacava do começo ao fim. Nas corridas em que estava sofrendo um pouco, estava atrás de Dovi a corrida toda”, recordou. “Mas este ano eu me sinto forte, posso forçar do início ao fim. Os números estão aumentando, estamos entre grandes lendas deste esporte e isso é muito respeitável”, completou.


 
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