MotoGP

Márquez surpreende mundo inteiro e permite 'dia de príncipe' para Rins: vencer — e vencer Rossi

Marc Márquez não cumpriu com a expectativa e perdeu sozinho a chance de conquistar sua sétima vitória seguida em Austin ― e, de quebra, igualar um feito de Giacomo Agostini. Entretanto, o revés do #93 abriu a porteira para um dia de sonho de Álex Rins

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
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Se no sábado ele não conseguiu surpreender ninguém, desta vez Marc Márquez surpreendeu o mundo todo. Invicto no Circuito das Américas desde 2013, quando estreou na MotoGP, o #93 desembarcou no Texas como claro favorito ao triunfo, mas, contrariando as expectativas, saiu da corrida deste domingo (14) com um zero bem redondo.
 
Ao contrário do que se pode imaginar, no entanto, Márquez perdeu para ele mesmo. Dominante em Austin, Márquez errou quando liderava com folga a corrida e botou um ponto final em uma impressionante sequência nos Estados Unidos. Se tivesse vencido, o piloto de Cervera repetiria um feito de Giacomo Agostini com 13 vitórias seguidas num mesmo país ― Ago venceu 13 vezes consecutivas em Imatra, na Finlândia, entre 1966 e 1973 correndo as provas de 350cc e 500cc.
Álex Rins viveu um dia de sonho em Austin (Foto: Red Bull Content Pool)
O que seria uma vitória fácil e culminaria com um aumento na vantagem na liderança da MotoGP acabou mudando o jogo não só na corrida, mas também no campeonato. Dos boxes da Honda, que perdeu suas três motos oficiais na corrida deste domingo ― com uma queda de Cal Crutchlow e uma quebra de Jorge Lorenzo ―, Marc assistiu Andrea Dovizioso retomar a liderança do Mundial e ainda caiu para a quarta colocação, nove pontos atrás daquele que entende como seu rival “mais perigoso” na briga pelo título de 2019.
 
“Na corrida, eu estava rodando com um ritmo muito bom, forcei no início para chegar a 2min04s baixo, mas aí já vi a diferença e diminuí para 2min04s médio, porque, para mim, esse era um bom ritmo, eu estava confortável”, relatou Marc. “Às vezes, acontece. São as corridas. Estou desapontado, foi difícil entender, mas é assim. Agora precisamos focar na próxima corrida em Jerez e entender isso”, declarou.
 
“Mas só estamos nove pontos atrás do líder, que é Dovizioso. Estou feliz, pois estou lá no campeonato”, afirmou. 
 
Questionado sobre a natureza do erro que o tirou da corrida, Márquez respondeu: “Eu não sei. Claro, foi um erro, pois você não cai quando está liderando por 3s5, é um erro”.
 
“Mas nós olhamos os dados, foi similar à volta anterior. Mas quando você está rodando em um ritmo muito constante, quando você se sente forte, isso pode acontecer”, reconheceu. “Como eu disse, nós olhamos os dados e foi muito similar à minha volta mais rápida e às outras voltas. Mas, claro, é um ponto de freada muito longo e é difícil entender às vezes. O erro foi que eu caí, mas não fiz nada estúpido. Às vezes, eu digo ‘ok, estava acima do limite’, mas dentro do meu limite. Eu estava pilotando de forma suave, tentando salvar o pneu dianteiro. Não tive um alerta, estava pilotando de uma maneira muito boa, mais ou menos como na Argentina”, comparou.
 
A ausência de Márquez, todavia, abriu caminho para um ‘dia de príncipe’ de Álex Rins. Dono de vitórias em Austin na Moto3 e na Moto2, o espanhol fez sua estreia no topo do pódio da MotoGP, encerrou um jejum de vitórias da Suzuki que vinha desde o GP da Grã-Bretanha de 2016 ― com Maverick Viñales ― e ainda realizou o sonho de bater Valentino Rossi, seu ídolo de infância.
 
“Estou muito feliz, não tenho palavras para explicar essa sensação. Obrigado a Suzuki. Eles fizeram realmente um ótimo trabalho, fazendo uma boa moto todos esses anos”, elogiou Álex. “Fiz meu máximo. Estou muito feliz, meu sentimento é inacreditável. Eu bati Valentino, isso é inacreditável para mim. Ele era meu ídolo quando eu era muito novo”, comentou.

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Rins reconheceu, aliás, que tinha tido um warm-up desastroso nesta manhã ― quando terminou na nona colocação, 1s280 atrás do líder Márquez ―, mas o acerto padrão da GSX-RR foi suficiente para a corrida.
 
“Quando fiz a pré-temporada, acreditei que poderia vencer a corrida. Nós temos uma moto forte. No Catar, a vitória ficou muito perto. Na Argentina, começamos muito de trás”, recordou. “No warm-up, foi um desastre para nós. Nós tentamos um acerto diferente e foi pior, e, para a corrida, nós voltamos para o setup base e foi incrível”, relatou. 
 
Chefe da Suzuki, Davide Brivio falou à emissora britânica BT Sport e reconheceu que a queda de Márquez ajudou o time a alcançar o objetivo da temporada.
 
“Nós queríamos vencer uma corrida este ano, era a nossa meta. É uma coisa que queríamos fazer. Estávamos esperando, era nossa meta, precisávamos vencer uma corrida”, disse Brivio. “Sejamos honestos, a queda de Márquez ajudou. Mas estou feliz, pois tivemos uma luta contra Valentino Rossi, e ele se mostrou bem maduro, calmo e racional”, elogiou.
 
Forte ao longo de todo o fim de semana, o #46 herdou a ponta com a queda de Márquez, mas não conseguiu fazer frente a Rins. Como tem acontecido com frequência, porém, o italiano foi o melhor a bordo de uma YZR-M1, que tem um claro déficit de velocidade em relação aos rivais.
Depois de tentar fazer a Honda pegar ao cair, Márquez voltou ao chão (Foto: Reprodução)
“Lamento muito pela vitória. Quando vi a queda de Márquez, pensei: ‘Talvez eu consiga’, mas depois chegou Rins”, disse Rossi ainda no parque fechado. “Sinceramente, forcei ao máximo. A corrida foi muito rápida, mas, no fim, ele foi melhor do que eu. Ele pilotou muito bem e eu não consegui ultrapassar”, seguiu.
 
“Eu cometi dois erros nas freadas. Sem isso, talvez eu pudesse tentar um ataque na última volta, mas é assim. É uma pena, porque faz muito tempo que eu não venço, mas somos fortes e vamos tentar outra vez na próxima”, garantiu.
 
Apesar de ter conseguido uma corrida de recuperação, Andrea Dovizioso não teve vida fácil em Austin neste domingo, mas saiu premiado com a liderança do Mundial.
 
“Estou feliz com esse resultado, especialmente considerando que era 13º no grid, embora se tivesse mais uma volta, provavelmente teria terminado no pódio”, comentou Andrea. “Foi uma corrida muito dura. No começo, estava com dificuldades com a dianteira e não tive ritmo para ficar com o pelotão da frente, mas consegui ficar calmo e sereno. Volta após volta, eu recuperei confiança e meu ritmo na parte final foi muito competitivo, tanto que quase consegui alcançar [Jack] Miller”, continuou.
 
“Nós também tivemos sorte, porque tiveram algumas quedas, mas essas coisas acontecem quando você pilota no limite”, ponderou. “Nós estamos de volta à liderança das classificações de Pilotos e Construtores, e a minha sensação com a moto melhorou em comparação com o ano passado, mas não é o bastante, porque têm muitos rivais competitivos, então precisamos seguir melhorando”, concluiu.
 


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