MotoGP

Márquez surpreende um total de zero pessoa em Austin. Rossi ganha fôlego e Dovizioso falha na hora errada

Pela sétima vez seguida, Marc Márquez conquistou a pole-position para o GP das Américas. E isso não surpreende absolutamente ninguém. Valentino Rossi, por outro lado, se mostrou revigorado após o pódio na Argentina, enquanto Andrea Dovizioso falhou num momento para lá de impróprio

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
A gente já sabia que seria assim. Afinal, uma coisa que acontece uma única vez pode nunca mais se repetir, mas o que ocorre uma segunda certamente terá uma terceira. Ou uma quarta. Ou uma sétima.
 
Neste sábado (13), Marc Márquez seguiu à risca o script do Circuito das Américas e tratou de ignorar a concorrência para conquistar a sétima pole-position consecutiva no traçado de Austin. No ano passado, o #93 não largou da posição de honra por conta de uma punição por atrapalhar Maverick Viñales, mas foi, sim, o autor da melhor volta no treino classificatório.
 
Desta vez, nem mesmo um dia atípico foi capaz de parar o espanhol. Pela manhã, a Dorna foi forçada a cancelar o terceiro treino livre das três classes do Mundial de Motovelocidade por conta de uma tempestade de raios, mas, de tarde, o sol voltou a brilhar e permitiu até mesmo o uso dos pneus slicks.
Marc Márquez não surpreendeu absolutamente ninguém com a pole (Foto: Repsol)
‘Vestido’ para a ocasião, Márquez cravou 2min03s787 e faturou a pole com 0s273 de margem para Valentino Rossi, que esteve na parte de cima da tabela ao longo de todo o fim de semana. Também aproveitando o potencial da Honda, Cal Crutchlow assegurou o direito de fechar a primeira fila.
 
Dado o histórico ― com dez vitórias em dez corridas nos Estados Unidos ―, a performance de Márquez está longe de surpreender. O traçado ‘canhoto’ é um dos favoritos do #93 e tem um layout que parece sob medida para os talentos do prodígio da Honda.
 
Apesar de a concorrência sonhar em bater Márquez naquele que mais parece sua corrida de casa, a expectativa é de uma sétima vitória. Salvo uma chuva de meteoros ou algo igualmente atípico, o piloto de Cervera deve fazer uma exibição nos moldes do GP da Argentina e não dar chances a ninguém.
 
Marc, no entanto, sente que tem menos margem para os rivais do que tinha na temporada passada da MotoGP.
 
“Este ano, os rivais estão mais próximos, mais do que no ano passado, que eu tinha mais margem”, apontou, acrescentando que a Honda ainda tem uma questão para solucionar. “Temos um problema e temos que solucionar. Não posso dizer o que é. Têm muitas curvas em primeira marca e isso é difícil para nós. Antes, esse era o nosso ponto forte, mas agora é o fraco. Temos de trabalhar no ritmo para amanhã. As Yamaha funcionam aqui. Custou um pouco para Viñales na classificação, mas ele é mais rápido com mais voltas”, indicou.
 
Neste cenário, a briga pelo segundo posto ganha um enfoque mais especial, já que é dali que deve vir a animação. Nas mãos de Márquez, o poderio da Honda é mais do que conhecido, mas a marca da asa dourada também tem um bom histórico, já que não é derrotada nos Estados Unidos nas últimas 15 corridas. A última vitória não-Honda foi registrada por Jorge Lorenzo em Laguna Seca em 2010. Na era da MotoGP, a montadora venceu 18 das 23 provas no país.
 
Assim, Cal Crutchlow aparece com boas possibilidades, especialmente por chegar mordido após a polêmica punição por queima de largada na Argentina. Lorenzo, por sua vez, também poderia ser uma aposta, mas o #99 teve problemas mecânicos na primeira parte da classificação e, com a moto reserva, vai largar apenas no meio do pelotão, em 11º. 
 
“Foi uma grande satisfação poder entrar no Q2, mas quando eu estava melhor, a corrente saiu e eu perdi a concentração”, explicou Lorenzo. “Com a segunda moto, não consegui encontrar o ritmo e terminei em 11º”, frisou.

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A Yamaha, por outro lado, se mostrou forte ao longo dos dias, especialmente com Valentino Rossi. O italiano de Tavullia apareceu revigorado depois de encerrar em Termas de Río Hondo um jejum de pódios que já durava 259 dias, desde o GP da Alemanha do ano passado.
 
Rossi foi o líder da Yamaha, que colocou todas suas quatro motos no top-10, contra duas Honda, duas Ducati, uma KTM e uma Suzuki. Animado com a performance, o #46 alertou para a escolha de pneus, que foi dificultada pelo tempo limitado de pista seca.
 
“Parece que, desde o GP da Argentina, nós estamos indo na direção certa, e também neste fim de semana nós estamos trabalhando bem com o time”, comentou Rossi. “Hoje foi um dia difícil, porque esta manhã nós não fizemos o TL3. Ainda me sinto confortável com a moto, também em condições mistas como no TL4, nas quais nós costumamos sofrer. Hoje a moto me deu um feedback melhor, então pude forçar de um jeito melhor”, continuou.
 
“Na classificação, eu fui forte. Estou muito feliz por começar na primeira fila, porque é muito importante para amanhã. Agora vamos esperar para ver quais serão as condições para a corrida e aí tentaremos fazer a escolha certa de pneus”, acrescentou.
 
Do lado da Ducati, Andrea Dovizioso errou quando não podia. O #4 chegou a liderar o Q1, mas escorregou na tabela nos minutos finais e terá de largar em 13º. Claro, o talento e a qualidade da Desmosedici abrem caminho para um resultado melhor, mas o italiano terá de partir para o ataque já no apagar das luzes se quiser evitar perder muitos pontos na briga pelo título. Nos últimos anos, Termas de Río Hondo e Austin cobraram um preço alto do piloto de Forli, então é preciso minimizar as perdas.
Valentino Rossi vê a Yamaha no rumo certo desde a Argentina (Foto: Yamaha)
“A classificação de hoje foi complicada. As condições de pista eram muito precárias e nós também tivemos mais dificuldades do que esperávamos nas curvas mais rápidas por conta dos ventos fortes”, relatou Andrea. “É uma pena que não tenhamos chegado ao Q2, pois estou certo de que poderia ter recuperado mais algumas posições no grid, mas precisamos olhar para frente de qualquer forma”, lamentou.
 
“Infelizmente, o clima não nos permitiu trabalhar no nosso acerto de corrida hoje, mas sabemos o nosso potencial. Nós queremos, e podemos, reagir. Vai ser essencial fazer uma boa largada e aí vamos tentar, como sempre, levar para casa o melhor resultado possível”, garantiu.
 
Vale fazer menção, aliás, a KTM. Com 2min04s472, Pol Espargaró colocou a RC16 no quinto posto do grid, o melhor desempenho da marca austríaca em treino classificatório.
 
“Foi espetacular! Ninguém esperava isso, nem mesmo eu”, disse Pol. “Me custou na primeira tentativa, mas na segunda eu peguei o vácuo de Maverick e isso me ajudou muito para poder dar essa volta. Para dar essa volta, eu tive de ser capaz de segui-lo e acho que ultrapassei o limite várias vezes”, comentou.
 
“Em ritmo de corrida vai ser mais difícil, mas posso ser agressivo em uma volta. Essa posição não é a nossa, que é mais atrás”, reconheceu. “Tudo está saindo perfeito, muito melhor do que planejávamos. Agora temos de aproveitar o grid amanhã e ver como será a corrida, mas sem nenhuma pressão”, completou.