MotoGP

MotoGP chega na Argentina com fábricas embaralhadas e 21 dos 22 pilotos no mesmo segundo do líder

O primeiro dia de treinos da MotoGP em Termas de Río Hondo trouxe um cenário diferente do imaginado. Apesar do bom currículo da Honda, foi a Ducati quem registrou as melhores marcas, mas as demais fábricas estiveram todas no top-15. Além disso, a classe rainha surgiu para lá de competitiva, com 21 dos 22 pilotos no mesmo segundo do líder

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
A MotoGP teve um dia e tanto nesta sexta-feira (29) na Argentina. Apesar de o histórico ser favorável à Honda, o dia inicial de treinos livres em Termas de Río Hondo trouxe mais uma mostra da alta competitividade da categoria, sublinhada por cerca de oito minutos eletrizantes no fim da segunda atividade do dia. 
 
No início da manhã, Marc Márquez reinou soberano e passou o TL1 praticamente todo na ponta da tabela. De tarde, o #93 parecia seguir o mesmo rumo, mas viu o panorama mudar com um final frenético de sessão.
 
Atentos ao clima instável da província de Santiago del Estero, a maioria dos pilotos colocou pneus novos e partiu em busca de tempo. Márquez, porém, manteve os mesmos pneus usados na traseira da RC213V na parte final da sessão.
Andrea Dovizioso foi o mais rápido no primeiro dia em Termas de Río Hondo (Foto: Reprodução/Twitter/Ducati)
Nas cinco corridas disputadas em Termas de Río Hondo até aqui, a Honda é a detentora do melhor histórico, já que soma dois triunfos com Marc Márquez e tem ainda a vitória de Cal Crutchlow no ano passado. A Yamaha, por sua vez, venceu as duas corridas restantes, com Valentino Rossi em 2015 e com Maverick Viñales em 2017.
 
Ao contrário das fábricas japonesas, porém, a Ducati não tem lá um currículo muito atrativo na cidade localizada a 1146 km da capital Buenos Aires. Nas cinco visitas anteriores ao traçado que recebe o Mundial de 2014, a marca de Bolonha conseguiu um único pódio, um segundo lugar com Andrea Dovizioso em 2015.
 
Desta vez, todavia, foi a casa de Bolonha que se destacou. Com 1min40s595, o #4 ficou com o topo da tabela, formando uma dobradinha de Desmosedicis, já que Jack Miller ficou só a 0s009 do líder do Mundial. A Yamaha também se saiu bem neste primeiro dia, com três de suas quatro motos no top-6 ― a única exceção foi Franco Morbidelli, que acabou em nono, 0s322 mais lento que o líder.
 
No caso da Honda, uma única RC213V marcou presença no rol dos seis primeiros: a de Cal Crutchlow, que fez a quarta marca. Márquez, por sua vez, ficou com a oitava posição, 0s316 atrás do ponteiro. 
 
O mais impressionante, porém, foi o tempo que cobriu 95,4% do pelotão. 21 dos 22 pilotos do grid ficaram separados por 0s978, com Hafizh Syahrin, o último na classificação, aparecendo 1s571 mais lento que o ponteiro.

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Líder dos trabalhos, Dovi contou que se sentiu bem de imediato em Termas de Río Hondo, o que permitiu que a Ducati melhorasse ao longo do dia. Ainda assim, o #4 não espera facilidades nesta segunda etapa do ano.
 
“Eu senti que nós tínhamos uma boa base e a sensação foi imediatamente muito boa: isso nos permitiu experimentar mais configurações e melhorar”, contou Andrea. “Estou feliz com a forma como tudo saiu, com calma e sozinho, mas não o suficiente para lutar pelo pódio, porque muitas pessoas têm um bom ritmo”, comentou.
 
“Começamos melhor do que o esperado, não esperávamos, mas continua sendo difícil, porque tem pouca aderência”, sublinhou.
 
Apesar da posição afastada na tabela, Márquez não se mostrou lá muito preocupado, já que entende que tem um ritmo bom o suficiente.
Marc Márquez se mostrou satisfeito com o ritmo desta sexta-feira (Foto: Repsol)
“Hoje eu fui o que teve o melhor ritmo, mas ainda é sexta-feira”, apontou. “Daqui até domingo, tudo vai se compactar”, seguiu.
 
“O ritmo, no momento, é bom, é isso que mostram os papeis, mas estamos só na sexta-feira e amanhã a pista vai seguir melhorado, o que, com certeza, fará com que tudo esteja mais compacto”, disse Márquez. “Um dos meus pontos fortes é quando não aderência, eu me adapto melhor, mas a medida que isso melhora, tudo se iguala”, seguiu.
 
“De manhã, a distância era maior. De tarde, foi menor, e tenho certeza que vai diminuir ainda mais, mas, no TL2, o segundo sprint foi muito bom em termos de ritmo, então fico com isso”, frisou.
 
O #93, aliás, fez um balanço da proximidade entre os pilotos neste primeiro dia e atribuiu a presença maciça de pilotos no mesmo segundo líder ao tamanho do traçado.
 
“É um circuito curto, o que faz com que os tempos sejam igualados, mas também porque fazer uma volta rápida aqui não é tão difícil quando no Catar”, ponderou. “As curvas são lentas e existe uma única linha. A diferença tem de ser marcada no ritmo de corrida”, considerou.