MotoGP

Na ativa no Brasil aos 48, Barros exalta “nível altíssimo” de Rossi e reconhece: “Ele está marcando história”

Disputando a Superbike Series no Brasil aos 48 anos, Alex Barros avaliou que Valentino Rossi “está marcando história” ao disputar a MotoGP com 40. O brasileiro destacou o “nível altíssimo” do piloto da Yamaha

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
Alex Barros segue na ativa aos 48 anos, mas nem por isso deixa de se surpreender com a presença de Valentino Rossi na MotoGP depois de seu 40º aniversário. Disputando a Superbike Series no Brasil, o paulista avaliou que o titular da Yamaha está “marcando a história”.
 
Alex, que voltou às pistas em 2017 em uma tentativa de fomentar o esporte nacional, segue correndo na Superbike Series e entende bem os desafios da idade.
 
“Eu corri até os 37 na MotoGP. Na época, a idade média era de 35 anos mais ou menos para um piloto que tem sucesso dentro da categoria”, lembrou Barros em uma coletiva de imprensa ao lado de Marc Márquez na semana passada. “O que mais depende é da motivação que você tem dentro de você”, seguiu. 
Alex Barros exaltou o "altíssimo nível" de Valentino Rossi aos 40 anos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
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“E o corpo, lógico, [pois] se você tem uma lesão que te limite de conduzir a moto do jeito que você pretende, é difícil. Eu criei uma limitação no meu ombro depois que eu parei, num acidente bobo de supermoto. Tem até uma mudança de estilo, eu não consigo andar como eu andava, por uma questão de limitação física”, recordou. 
 
Barros, no entanto, entende que é muito diferente correm em nível nacional e seguir competitivo no Mundial, como faz Rossi.
 
“Uma coisa é você fazer a nível nacional e outra coisa é você fazer a nível mundial, que é muito mais sofrido, muito mais exigente, são muito mais corridas, o nível é extremamente muito mais alto, nível da motocicleta, a preparação, a pressão psicológica que você vive nesse ambiente é alta”, listou. “Então eu acho que mais depende... o Valentino é um exemplo disso. Ele está com 40 anos e num nível altíssimo. Um nível altíssimo. O que ele está fazendo, ele está marcando história. É de tirar o chapéu, realmente”, reconheceu. 
 
Ainda, Alex admitiu que é difícil correr com pilotos mais jovens e lembrou que o tempo de recuperação física tampouco é mais o mesmo. 
 
“E não é fácil você, com a idade, eu tenho um pouco mais de idade avançada, ter de andar com pilotos jovens. A maneira de você enfrentar uma competição muda muito. As suas lesões gritam quando você está dirigindo a motocicleta. Qualquer coisa que você se machuca hoje, com uma idade avançada, o tempo de uma cura é muito maior. É muito mais sofrido para você se recuperar”, indicou. “Fora a manutenção do físico também, que não é tão fácil. Mas o mais importante eu acho que é a cabeça”, defendeu. 
 
Barros citou o exemplo de Emerson Fittipaldi, que ganhou as 500 Milhas de Indianápolis pela primeira vez aos 43 anos e, pela segunda, aos 46.
 
“Se a gente for um pouco para as quatro rodas, onde a idade é um pouco mais avançada, a gente teve o Emerson Fittipaldi, que eu não sei exatamente até que idade ele correu, e ganhou Indianápolis. Acho que ele estava beirando os 50 anos. Então é muito da motivação de cada piloto”, comentou. “A minha vontade de voltar foi, na verdade, para ajudar o motociclismo. Não foi intencional. Eu não falei: ‘Ah, eu vou voltar depois de dez anos parado’. Não. Mas, era para fazer um ano e eu estou no terceiro ano. Eu não estou pensando: ‘Ah, quando você vai correr?’. Não sei. Cada ano eu acho que é o último e acabou, que é para dar a minha cota, vai chegar um momento que não vai dar”, continuou. 
 
“Eu já não enxergo a placa direito, o painel, eu nem sei quanto tempo eu estou virando. Quando paro nos boxes, eu falo: ‘Que tempo eu virei?. Eu não vejo nada. Então vai assim. A gente vai levando. Mas, pelo menos, eu enxergo a pista. Então, enquanto eu enxergar a trajetória, está valendo”, brincou.