MotoGP

Na Garagem: Barros resiste a festival de quedas em Jarama e vence pela primeira vez nas 500cc

Há 25 anos, Alex Barros escrevia pela primeira vez seu nome na lista de vencedores da classe rainha do Mundial de Motovelocidade. Defendendo a Suzuki, o então #9 venceu o GP da FIM, em Jarama, à frente de Daryl Beattie e Kevin Schwantz

Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
26 DE SETEMBRO MARCA UM capítulo importante na história do esporte brasileiro. Há 25 anos, Alex Barros conquistou em Jarama, aos 22 anos, a primeira das suas sete vitórias na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. 
 
A vitória chegou só na última das 14 corridas da temporada de 1993, curiosamente no mesmo circuito espanhol onde Barros fez sua estreia no Mundial, nas 80cc, em 1986, aos 15 anos.
 
Defendendo o time de fábrica da Suzuki, Barros já tinha batido na trave duas vezes, quando caiu enquanto liderava ― primeiro no GP da Espanha, em Jerez, e, depois, na Holanda, quando disputava com Kevin Schwantz e Mick Doohan em Assen. Desta vez, no entanto, Alex mudou a tática.
 
Segundo no grid de largada atrás apenas da Cagiva de John Kocinski, Barros largou bem e se manteve no primeiro pelotão, mas numa estratégia mais ponderada. Com 11 voltas para o fim da disputa, Luca Cadalora caiu na frente do #9. Pouco depois, Shinichi Itoh e Kocinski se envolveram em um acidente e abandonaram, deixando o brasileiro na liderança da corrida.
 
Alex, então, tratou de seguir firme para receber a bandeirada com 4s736 de vantagem para Daryl Beattie, o segundo colocado. Companheiro do brasileiro no time patrocinado pela Lucky Strike, Schwantz acabou em terceiro, já mais de 17s atrás do vencedor.
Alex Barros venceu pela primeira vez nas 500cc em 1993, ano do título de Kevin Schwantz (Foto: Divulgação/Acervo Pessoal)
No fim das 14 etapas, Schwantz ficou como título com 248 pontos, 34 a mais que Wayne Rainey, que tinha sofrido em Misano a lesão que encerrou precocemente sua carreira. Barros, por sua vez, ficou com o sexto posto no Mundial, 123 pontos atrás do norte-americano.
 
Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Alex recordou aquele GP em Jarama e a sensação de vencer pela primeira vez no Mundial.
 
“No ano de 93, eu já tinha batido na trave duas vezes para a vitória: em uma etapa eu caí liderando sozinho e na outra eu também caí numa disputa com o Kevin Schwantz e com o Doohan”, disse Barros. “Nessa corrida, eu fiquei um pouco mais, não na defensiva, mas eu me mantive ali em terceiro lugar”, seguiu. 
 
“Eu lembro que o Kocinski e o Itoh estavam se arriscando demais, como eu estava fazendo nas corridas anteriores, e eu me mantive em terceiro lugar. Os dois acabaram se batendo, um errou e o outro bateu, e eu acabei assumindo a liderança”, recordou ao GP. “Isso faltando umas dez voltas ainda. Por ter ficado ali, não na defensiva, mas aguardando, não me envolvi no acidente e aí consegui minha primeira vitória”, comentou.
 
“A primeira é inesquecível. É a luta de tantos anos”, resumiu Alex. “A vitória no Mundial, na categoria principal, aconteceu em 1993, com 22 anos. Eu comecei a correr de moto com sete, em 1978, então aí você vê o tempo que levou para a primeira vitória. Aí você começa a pensar em todos os sacrifícios, nas dificuldades... E tudo valeu a pena”, garantiu.
 
Perguntado sobre a comemoração, Alex contou que a festa teve gosto de Brasil: “Eu lembro que eu falei com a minha família na época e teve uma comemoração lá no box, no motorhome, fizeram caipirinha, a equipe comemorou junto, foi mais ou menos por aí”.
 
Alex disputou outras 201 corridas na classe rainha depois daquele fim de semana em Jarama, conquistando outras seis vitórias em total de 29 pódios e cinco poles. Até hoje, Barros é o segundo piloto com mais GPs disputados na classe rainha, atrás apenas de Valentino Rossi, que soma 318 corridas contra as 245 do brasileiro.
Vitória de Alex Barros repercutiu na imprensa nacional (Foto: Folha de S.Paulo/Arquivo)