No auge, Stoner opta pela família e deixa MotoGP consagrado como um dos maiores de sua geração

Casey Stoner se despediu das pistas neste domingo (11) após ter conquistado dois títulos na MotoGP. Australiano escreveu seu nome na história como primeiro piloto a triunfar com uma Ducati

 

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O GP de Valência deste domingo (11) marcou a última prova de Casey Stoner na MotoGP. No auge de sua forma, o australiano decidiu deixar as pistas em busca de uma nova aventura, mas sai de cena marcado como um dos melhores pilotos de sua geração.

 
Para celebrar o adeus, Casey garantiu o terceiro lugar no pódio valenciano, após bater Álvaro Bautista e superar as condições difíceis na prova final da temporada. Stoner se despede com o terceiro lugar no Mundial de 2012, atrás de Jorge Lorenzo, o campeão, e Dani Pedrosa. 
 
Nascido em 16 de outubro de 1985, em Southport, na Austrália, Casey começou a carreira muito cedo e entre os seis e os 14 anos ganhou mais de 70 títulos estaduais, correndo em várias categorias diferentes. O jovem piloto chegou a disputar 35 provas em um mesmo fim de semana e ganhou 32 delas.
Stoner faturou inúmeros títulos ainda na infância na Austrália (Foto: Repsol)
Aos 14 anos, Casey, seus pais, Colin e Bronwyn, e sua irmã, Kelly, deixaram a Austrália para que ele pudesse competir na Europa. Sua habilidade lhe garantiu patrocinadores logo de cara e o desempenho de Stoner na Espanha atraiu a atenção de Alberto Puig, que o convidou para correr no Campeonato Espanhol de 125cc.
 
Em 2001, o jovem australiano se dividiu entre os campeonatos inglês e espanhol, e recebeu convites para disputar os GPs da Inglaterra e da Austrália no Mundial. Stoner completou as provas em 18º e 12º, respectivamente, e foi convidado para correr com a LCR em tempo integral no ano seguinte. 
 
A estreia no Mundial como titular aconteceu em 2002, nas 250cc. No ano seguinte, Casey desceu para as 125cc, onde conquistou sua primeira vitoria, na Itália, batendo Steve Jenkner por 0s268. 
 
Depois de mais um ano correndo na categoria inicial, Casey voltou para as 250cc no ano seguinte, completando a temporada na segunda colocação, 55 pontos atrás de Dani Pedrosa, o campeão daquele ano. 
 
O bom resultado o credenciou para a MotoGP. Representando a LCR, Casey logo se fez notar, ao assegurar a pole-position no Catar, a segunda prova do ano. O primeiro pódio veio na prova seguinte, na Turquia.
 
O bom desempenho, de novo, chamou a atenção e o australiano foi contratado pela Ducati. Mais uma vez, a surpresa foi a ordem do dia. Stoner venceu em sua estreia pelo time de Borgo Panigale e com outros sete triunfos, garantiu seu primeiro Mundial – e o primeiro do time vermelho – no Japão, em 23 de setembro, faltando ainda três provas para o fim da temporada – das quais ele venceu outras duas.
 
Casey começou bem o ano seguinte, mas a Ducati sempre foi uma moto difícil e uma série de problemas tirou o piloto da briga pelo título, que ficou com Valentino Rossi.
 
Em 2009, surgiu a primeira polêmica. Para surpresa de todos, Stoner abandonou o campeonato após o GP da Inglaterra dizendo que não se sentia bem. Diagnosticado com intolerância a lactose, Casey voltou três provas mais tarde, e foi ao pódio já no Estoril, mas o título da temporada acabou ficando com Rossi. 
 
2010 marcou o último ano do australiano na Ducati. Cansado dos problemas com a Desmosedici, Casey conquistou uma vaga na Honda e iniciou 2011 mostrando que encaixava como uma luva na RC212V. 
 
A primeira vitória com o time nipônico veio no Catar, na abertura do Mundial, e foi seguida por outros nove triunfos até o fim do ano. Na Austrália, do dia 16 de outubro, data em completava 26 anos, Stoner conquistou o bicampeonato.
 
No início da atual temporada, Stoner dava sinais de brigaria pelo tri, mas um acidente em Indianápolis, que resultou em uma lesão no tornozelo direito, o tirou das pistas por pouco mais de um mês e acabou com suas chances de título. 
Stoner foi o único piloto que conseguiu se entender com a difícil Desmosedici da Ducati (Foto: Ducati)
Mesmo tendo perdido três provas, Casey conseguiu garantir a terceira posição no Mundial e deixou registrada mais uma de suas atuações memoráveis em Phillip Island, tendo vencido na pista australiana seis vezes consecutivas.
 
A aposentadoria
 
Apesar de precoce, o fim da carreira de Stoner não chega a surpreender. Desde muito cedo, Casey avisou não se via correndo até os 30 anos e a decisão chegou meses após o nascimento de sua filha, Alessandra.
 
Além das mudanças em sua vida pessoal, as modificações na MotoGP também pesaram em sua escolha. O piloto tem sido um critico ferrenho das decisões da Dorna, a promotora do campeonato, e já fez diversas acusações de que a organização favorece os pilotos espanhóis. 
 
Na versão simplificada, Casey diz que perdeu a paixão pelas pistas e que é hora de fazer outra coisa.
 
Os números
 
Stoner se despede do Mundial como o quarto piloto com mais vitórias na classe rainha. Casey acumulou 38 triunfos desde 2006 e está atrás de Valentino Rossi (79), Giacomo Agostini (68) e Mick Doohan (54).
 
Ao longo da carreira, Stoner conquistou 43 poles – 39 na classe rainha, duas nas 250cc e mais duas nas 125cc –, 33 voltas mais rápidas – 29 na MotoGP, uma nas 250cc e três nas 125cc –, e um total de 89 pódios – 69 na divisão principal, 10 na classe intermediária e mais dez na categoria de entrada. 
Nascimento da filha mudou prioridades do campeão (Foto: Repsol)
O futuro
 
A paixão pela pesca e os cuidados com a filha devem se encarregar de ocupar Stoner nos próximos meses, mas, de acordo com rumores da imprensa internacional, o piloto já assinou para correr na V8 Supercars australiana, categoria pela qual o agora ex-piloto da Honda já demonstrou interesse. 
 
Sobre um retorno à MotoGP, Casey afirma que é improvável, mas não descarta eventuais participações, principalmente no GP da Austrália.
 
Seja como for, Casey garantiu seu espaço entre os maiores nomes da MotoGP e sua habilidade para lidar com motos difíceis – como a Ducati com que foi campeão – será sempre lembrada por todos aqueles que acompanham a MotoGP. 

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