No Mundial mais apertado desde 1993, pole de Zarco na Holanda sublinha equilíbrio de forças da MotoGP

Com os cinco primeiros na classificação separados por apenas 28 pontos após as sete primeiras etapas do ano, a classe rainha do Mundial de Motovelocidade vive seu campeonato mais apertado desde 1993, quando o sistema atual de pontuação foi introduzido. Pole de Johann Zarco, aliada às boas performances de pilotos como Danilo Petrucci e Scott Redding sublinham o grande equilíbrio da categoria

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Johann Zarco fez tocar os sinos da Catedral do motociclismo neste sábado (24). Com uma performance irretocável no treino classificatório da MotoGP, o #5 fez sua estreia no rol dos detentores de poles. Na última de suas oito voltas no Q2, o titular da Tech3 cravou 1min46s141 e superou Marc Márquez por apenas 0s065.
 
O resultado deste sábado marca a primeira pole-position de um piloto francês na classe rainha do Mundial de Motovelocidade desde que Olivier Jacques largou na ponta em Sachsenring há quase 15 anos. Além disso, a pole de Zarco é a primeira da Tech3 desde que Cal Crutchlow saiu da posição de honra em Brno em 2013.
 
O feito de Zarco, entretanto, não aconteceu por acaso e foi construído ainda no quarto treino livre. Em um país onde a chance de um dia ensolarado em junho é de apenas 13% — contra 54% de chance de chuva —, o clima fez das suas e provocou um verdadeiro vai e vem de pneus. Com o asfalto molhado, todos saíram com pneus de chuva no TL4, mas um trilho seco na pista levou os competidores que participaram do esvaziado treino a tentarem os slicks. Mas o novo pneu quase não teve a chance de rodar, já a chuva voltou para deteriorar as condições.
Johann Zarco conquistou a pole-position na Holanda, a primeira de um francês em quase 15 anos (Foto: Michelin)
Johann, porém, foi quem mais rodou, completando um total de 11 voltas, duas a mais que Álvaro Bautista, o segundo com mais quilômetros no TL4. O francês fechou a sessão de 30 minutos com o melhor tempo, 0s211 à frente de Jorge Lorenzo, o segundo colocado.
 
Sempre detalhista, Johann explicou o que pensou na hora que viu as condições de pista em Assen e avaliou que a tática do TL4 teve impacto na classificação.
 

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“Estou muito feliz por estar na pole. Sim, sábado foi um dia chuvoso, mas eu estava me sentindo bem e ganhando confiança com a moto. Ainda temos uma sensação nova e você sempre precisa entender a pista, mas foi bem ok”, disse Zarco. “No TL4 as condições eram de pista seca, mas nós tínhamos os pneus de chuva e achamos que dava para colocar os slicks, mas, quando colocamos, estava molhado outra vez. Então, mais uma vez, pude pegar essa informação, forçar nessas condições de pista seca e aí choveu bastante e acho que isso me ajudou a controlar a classificação”, seguiu.
 
“São só 15 minutos de classificação,então a minha meta era apenas seguir na pista, porque vimos no Q1 que se as pessoas ficavam na pista, iam melhorando volta após volta. Quando a linha ficou um pouco seca, aí fiquei preocupado, porque estava pensando: ‘pena, seria bom parar e o trocar o pneu’”, relatou. “Mas talvez não tivesse tempo suficiente, então fiquei na pista, reduzi um pouco para respirar e aí forcei outra vez. Os outros estavam comento muito os pneus, mas eu tinha um feeling melhor, então hoje era a chance”, resumiu.
 
Questionado se pensava em vencer ou se achava que o pódio era uma meta mais realista, Zarco lembrou um conselho dado por Maverick Viñales na coletiva de imprensa de quinta-feira.
 
“Talvez [o pódio] ou até mais como você disse. Maverick disse na quinta-feira que os pilotos precisam forçar e pensar na vitória, e acho que é um bom conselho. Se puder ter um segundo pódio, será fantástico”, declarou.
 
Além do feito pessoal, a conquista de Zarco é mais uma prova do equilíbrio de forças da MotoGP em 2017. Passadas as primeiras sete corridas do ano, a classe rainha tem seus primeiros cinco colocados na classificação geral separados por 28 pontos, a menor diferença desde que o sistema atual de pontos foi introduzido, em 1993.
Marc Márquez foi batido por bem pouco (Foto: Michelin)
Veterano na categoria, Valentino Rossi reconheceu a competitividade do grid atual, que reúne dez campeões mundiais e um total de 29 títulos, um recorde.
 
“Antes, há três anos, por exemplo, estávamos três pilotos no mesmo segundo. Agora, somos 12”, comentou Rossi.
 
No extremo oposto do grid, Jorge Lorenzo falou em condições atípicas para a temporada.
 
“A MotoGP é assim. Este ano é assim. A categoria está louca”, considerou o piloto da Ducati.
 
Escapou por pouco
 

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Apenas 0s065 mais lento que o tempo de Zarco, Márquez avaliou que deixou a pole escapar por pouco.
 
“A pole me escapou. Podia ter melhorado, mas na última volta eu vi bandeiras de óleo. Quando você está em cima da moto a 200 km/h e vê bandeiras de óleo… Eu pensei um pouco e perdi um pouquinho de tempo. Me escapou por pouco”, falou. 
 
Ainda assim, Márquez celebrou o fato de ter conquistado o objetivo de largar na primeira fila e avaliou que tem chances de brigar com a Yamaha. 
 
“Estamos contentes. Estamos na primeira fila, o que era o objetivo, mas sempre queremos mais. Vamos ver amanhã como será. Se vai ser no seco ou no molhado, aqui é muito imprevisível”, frisou. “Dizem que será no seco, com certeza. Veremos onde podemos chegar, mas creio que podemos lutar pelo pódio frente às Yamaha, que aqui, tanto no molhado como no seco, vão muito rápido”, apontou.
 
Clima definido, por favor
 
Quarto no grid, Valentino Rossi chegou perto da pole, mas acabou mesmo na quarta colocação, 0s564 atrás de Zarco. Apesar da segunda fila, o #46 celebrou a chance de provar o elogiado novo chassi da Yamaha com pista molhada.
 
“Foi um dia positivo, porque estava com muita vontade de testar o novo chassi no molhado. A sensação é positiva, mesmo com mais água do que com menos”, contou. “Agora é preciso esperar para ver as condições da corrida. Temos de trabalhar muito no seco”, reconheceu. 
Maverick Viñales vai largar em 11º (Foto: Michelin)
“O que eu espero é que seja uma corrida completamente molhada ou completamente seca”, torceu.
 
Além das condições de pista, Rossi quer uma situação bem definida na corrida por conta do material que tem nos boxes da Yamaha.
 
“Ter dois chassis vai ser uma desvantagem em condições de flag-to-flag”, reconheceu. 
 
Outro revés?
 
Maverick Viñales chegou à Holanda com uma meta clara: voltar a vencer. Agora, depois da classificação, o objetivo é outro: defender a liderança da MotoGP.
 

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Líder com apenas sete pontos de vantagem para Andrea Dovizioso, o #25 teve uma atuação bem aquém do esperado no Q2 e ficou apenas com o 11º posto no grid, 2s125 mais lento que o tempo da pole de Zarco.
 
“De manhã eu me sentia muito bem, cômodo, rápido. Fazia tempo que eu não me sentia assim rodando com a pista molhada. Na classificação, não tinha feeling nenhum. Não sentia uma boa aderência nos pneus e não podia apertar”, alegou. “Estou muito confuso, porque de manhã eu estava bem. Mas, na sessão cronometrada, não tive aderência nenhuma. Especialmente atrás”, apontou.
 
“Caso amanhã seja uma corrida com pista molhada, vai ser importante encontrar a solução”, defendeu. “É difícil pegar um bom ritmo, ainda mais na água. É preciso dar muitas voltas, que a moto funcione bem e ganhar confiança. Ficar em quarto e depois em 11º não ajuda. Vamos tentar buscar uma solução para o caso de chuva e resolver”, insistiu.
 
Viñales, no entanto, não vê nenhuma dificuldade especifica de sua maneira de guiar com o asfalto molhado. 
 
“Sempre me considerei um piloto que podia andar na frente quando chovia. Na Moto3 e nas 125cc fiz boas corridas. Na Moto2 também. Com a Suzuki, quando a colocamos no lugar, pude ser rápido na água. Estava lá na frente”, recordou. “No fim, é um problema que eu não sei qual é. Por certas razões, na classificação, a moto não conseguiu trabalhar bem. É preciso ver a razão”, disse.
 
Desta vez, no entanto, Maverick isentou os pneus: “Não creio que o problema seja a Michelin”.
Jorge Lorenzo fez seu pior classificatório na MotoGP (Foto: Ducati)
Ainda, Viñales afirmou que o fato de as outras três Yamaha estarem na sua frente no grid é mais um indício de que algo caiu errado na classificação do #25.
 
“Isso me diz que nós fizemos algo errado, porque Zarco, Rossi e Folger estão na nossa frente. Somos a última Yamaha, então algo nós fizemos mal”, reconheceu.
 
Largando em um pelotão um tanto mais complicado, Maverick reconheceu que sua posição de partida dificulta bastante a vida na Holanda.
 
“Sempre é um problema largar em 11º. Você fica no meio, têm muitos pilotos que querem ganhar posição nas primeiras curvas. Assim como eu. Sempre é um risco”, avaliou. “Você tem de fazer uma largada impecável e dar o máximo. Se puder fazer uma boa largada e conseguir avançar, tenho possibilidades amanhã. No seco, posso manter um bom ritmo. Somos dos poucos que provamos o pneu duro por muitas voltas”, falou.
 
“Se fosse uma corrida no seco, minha ideia era sair e tentar apertar ao máximo para abrir diferença em relação aos rivais. Assim, é um pouco de loteria. Vai ser preciso largar e ver como me saem as primeiras voltas”, ponderou. “Eu prefiro no seco, claro, embora saiba que no seco tanto Marc como Valentino vão forçar como loucos. Prefiro no seco e fazer meu ritmo”, sublinhou.
 
“O objetivo é sair daqui líder. Se for no seco, vou tentar ir pela vitória e, se não for possível, tentarei continuar líder do campeonato”, explicou. “É bom que [Dovizioso] esteja comigo no grid, porque largo em 11º e a Ducati larga como um avião no grid e será difícil alcançá-lo”, citou.
 
Nono no grid, Andrea Dovizioso lamentou que não tenha podido tirar um bom proveito do tradicional bom ritmo da Desmosedici no molhado, mas condicionou sua posição a uma queda.
 
“Por alguma razão, hoje não conseguimos encontrar o feeling que normalmente temos com a Desmosedici no molhado”, disse. “Aí na classificação eu cometi um erro e caí, e isso, obviamente, condicionou minha posição no grid. O time, entretanto, foi ótimo em aprontar a outra moto para mim, e eu consegui dar duas voltas com ela e melhorar um pouco a posição”, continuou. 
 
“Amanhã será importante fazer o máximo do warm-up para tentar melhorar o setup da moto, mas, de qualquer forma, acho que podemos fazer uma boa corrida”, completou.
 
Lorenzo on ice
 
Enquanto Viñales amarga um inesperado revés, Jorge Lorenzo tenta assimilar seu pior resultado em treinos classificatórios da MotoGP. O #99 foi eliminado ainda no Q1 e vai largar apenas em 21º, na penúltima fila.
 
Aos 30 anos, o espanhol mostra uma maturidade até surpreendente, já que procura o lado positivo até nos momentos mais obscuros.

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“Creio que, no momento decisivo, no momento importante, foi quando me encontrei pior. Foi essa casualidade de começar a chover muitíssimo no final do TL4 e, no Q1, tinha mais água do que nesta manhã. Com os pneus novos, parecia que era uma pista de gelo”, comparou. “O pneu traseiro era duríssimo, ao entrar na curva não tinha confiança, a traseira derrapava muito quando inclinava ao máximo. Basicamente, a traseira transmitia sensações muito ruins. Quando você se sente assim, como se fosse cair a cada curva, você é lento. Tentei forçar ao máximo para aquecer o pneu, mas não podia fazer mais do que esse 48s2, que não era um tempo ruim para o Q2 — eu teria terminado em quinto. Acho que, se tivesse passado para o Q2, teria sido muito mais rápido com menos água. Nestas condições, não me senti melhor para ser mais rápido. E, nesta categoria, todos estão tão igualados que o que tem problemas fica muito atrás”, comentou.
 
Por fim, Lorenzo rejeitou a teoria de que tem alguma aversão especial ao circuito de Assen com pista molhada por conta da corrida de 2013 — quando fraturou a clavícula na quinta-feira, foi operado e conquistou o quinto posto na corrida de sábado.
 
“Talvez fosse assim se no TL3 eu não tivesse sido o mais rápido, superado apenas por [Héctor] Barberá, que estava me seguindo. Seria assim se eu não tivesse sido o primeiro no TL4 com menos água. Quando entrei na pista no Q1, nestas condições, me encontrei muito mal. Forcei ao máximo, mas, simplesmente, não pude ser mais rápido”, encerrou.
 

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