Obrigada, Vale!

Como muitas pessoas, eu me apaixonei pela MotoGP pelos seus olhos. A sua paixão pelo motociclismo foi o que me atraiu para o esporte e, de certa forma, você tem alguma responsabilidade no que eu faço profissionalmente

Sabe, Valentino, dizer ‘ciao’ para você é tão triste quanto eu imaginei que seria. Não que eu não estivesse esperando. Você mesmo já tinha dado sinais de que 2021 seria o ano do adeus. Mas não deixa de ser triste de ver alguém tão importante para a história do esporte que eu gosto pendurar o capacete.

Como muitas pessoas da minha idade, eu aprendi a amar o esporte através de você. Foram as suas comemorações entusiasmadas que me atraíram para a MotoGP. Foi por sua causa que eu conheci Mick Doohan, Kevin Schwantz, Casey Stoner e tantos outros.

Sendo assim, justo dizer que você também tem alguma relação com a minha profissão. Afinal, se eu quis cobrir a MotoGP mais de perto, foi por ter me apaixonado por um esporte que você me apresentou.

Valentino Rossi vai se despedir da MotoGP no fim de 2021 (Foto: Divulgação/MotoGP)

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É por sua causa, também, que eu tenho o que até hoje é o maior orgulho profissional da minha vida. Há alguns anos, eu comprei a sua autobiografia e, enquanto lia, fiquei me perguntando a razão de aquilo nunca ter sido traduzido no Brasil. Na mesma época, o Enrico Borghi estava lançando um livro novo, que contava a sua história com a Yamaha. Eu fui só curiosa.

Mandei um e-mail para o Borghi só para perguntar se nenhum dos dois livros seria lançado aqui. Não tinha segunda intenção nenhuma. Mas ele me respondeu com um convite de trabalho. Assim, do nada. Sabe como é legal e até importante ter alguém que você nunca nem viu confiando em você?

Só que eu nunca tinha feito nada do tipo, nem sabia por onde começar. Aprendi na marra, não sei nem se pelos caminhos certos, mas a sua história com a Yamaha é tão boa que não foi difícil encontrar alguém que estivesse disposto a contá-la. Quer dizer, tive alguns tropeços no caminho e precisei descartar um formato peculiar de livro que certamente envergonharia a nós dois, mas eu consegui!

Valentino Rossi – A obra-prima’ chegou de surpresa na minha casa poucos dias depois de eu ter enviado para a editora a tradução completa. E foi uma baita alegria! Por causa da sua história, da sua carreira, eu tive a chance de provar a mim mesma que eu era capaz. É claro que, como tradutora e agente, minha contribuição com o livro em si é mínima, mas, ei, fui eu que procurei o Alex Barros para assinar o texto de orelha! Aquilo lá tem a minha mão!

Agora, quando eu olho para trás, eu vejo um pouco de você na minha carreira. Mas a verdade é que você está na carreira de tantas outras pessoas. Quantos outros jornalistas se apaixonaram pelo esporte por você? Quantos pilotos escolheram essa profissão por sua causa? Quantos engenheiros estudaram alimentados pelo sonho de correr lado a lado de alguém como você?

Como você bem disse lá atrás, até as mais belas histórias de amor terminam. Mas, se a gente parar para pensar direitinho, a sua vai ser um pouco diferente. Você pode até não estar mais na YZR-M1, pode não mais acompanhar a MotoGP pelo mundo, mas tem uma parte sua que vai sempre estar presente no paddock. Em cada fã, cada profissional, cada piloto que teve a própria história de vida afetada pela sua.

Acho que é isso que acontece com grandes atletas. Vocês dão um pouquinho de si não só ao esporte, mas a todos aqueles que o acompanham e que, direta ou indiretamente, são afetados pelo trabalho diário de vocês.

Do meu lado, eu vou seguir contando histórias. Algumas, com certeza, menos vistosas e vitoriosas do que a sua, mas sempre levando comigo tudo que eu aprendi enquanto relatava o caminho de uma lenda da MotoGP.

Então obrigada pelas grandes corridas e por todas as vezes que você me fez mudar um texto todo no finalzinho. Obrigada pela paciência nas entrevistas, por organizar os gravadores e até por responder perguntas que ninguém nem tinha te feito, mas que você sabia que fariam a seguir.

Obrigada por nos permitir testemunhar a sua história. E por tornar maior o esporte que tantos de nós amamos.

Grazie, Vale!

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