Onde os velhos não têm vez: Quartararo brilha e relega Márquez ao novo papel de veterano em Jerez

A primeira fila da MotoGP para o GP da Espanha é notoriamente jovem. Fabio Quartararo é o piloto mais jovem da história a anotar uma pole-position na categoria e traz consigo o também nova geração Franco Morbidelli. Pela primeira vez na carreira, Marc Márquez é o mais velho numa primeira fila. Jerez assim se mostra também terra de jovens

O filme 'No Country for Old Men', traduzido para o Brasil como 'Onde os Fracos não Têm Vez', lançado no final de 2007, saiu dos cinemas direto para a temporada de premiações. Projeto dos irmãos Joel e Ethan Coen e protagonizado por atores como Tommy Lee Jones e Woody Harrelson, o longa transformou o espanhol Javier Bardem em um nome mundialmente conhecido e rapidamente ficou configurado como um clássico moderno. A tradução 'Onde os Fracos não Têm Vez' trouxe um bom título para o mercado brasileiro, um ponto positivo para estúdio e distribuidores, mas é com o nome original que queremos dialogar. 'No Country for Old Men', a versão de fábrica, poderia ser, numa tradução livre, transformado em algo como 'sem espaço para os velhos'. 

 
Apesar de lançado em 2007, foi na temporada de premiações em 2008, naqueles primeiros dois meses, que o filme foi protagonista. As premiações são tantas que caso o leitor queira acessar a Wikipédia para saber quais foram, irá se deparar com uma página especificamente voltada para as premiações de 'Onde os Fracos Não Têm Vez'. E 2008 não faz tanto tempo. Em geral, é um ano do qual lembramos com clareza sobre o que andávamos fazendo pela vida e pelo mundo. Foi outro dia, afinal.
 
Fabio Quartararo, pole-position para o GP da Espanha, tinha 8 anos de idade. O 'outro dia' significa algo muito diferente para Quartararo, que, aos recém-completados 20 anos de idade, tornou-se o mais jovem pole-position da história da MotoGP. 
 
Para além de Quartararo, Franco Morbidelli, o companheiro de SIC numa manhã em que a equipe-satélite da Yamaha superou a equipe-mãe por léguas de distância, tinha 13 anos naquele começo de 2008. E o terceiro colocado nesse grid, Marc Márquez, tinha 14.
 
Márquez, já multicampeão em carreira destinada à glória, vai largar em Jerez como o piloto mais velho da primeira fila, algo que jamais havia acontecido antes. Aos 26 anos.
 
No country for old men.
Onde os fracos não têm vez (Foto: Reprodução)

Ducati reage em pista inimiga, mas Márquez é quem tem vantagem

 
Tendo em vista a retrospectiva dos últimos anos, a Ducati reagiu e respondeu bem numa Jerez que nunca coube bem. Danilo Petrucci foi para o treino de classificação como o piloto mais rápido do fim de semana e com boas chances de lutar pelas primeiras posições. Na hora de definir a vida na fase derradeira, porém, caiu e acabou no sétimo lugar.
 
Andrea Dovizioso teve uma resposta. Terminou menos de 0s05 atrás de Márquez, apenas. Fora da primeira fila porque a SIC chegou com o pé na porta e surpreendeu quem quer que fosse. Restou o quarto lugar e a oportunidade de lutar pela vitória, uma vez que ainda se espera Honda e Ducati à frente de Quartararo e Morbidelli.
 
Apesar dos pontos positivos – e eles são graúdos -, ainda é Márquez o favorito. Historicamente melhor que os rivais em Jerez e dono do motor que rende melhor em ritmo de corrida, Márquez ainda sai na frente – ainda que tão pouco. Dovizioso tem novamente que lidar com seu nêmesis para sair da Espanha com uma vitória que lavaria a alma da Ducati.
Andrea Dovizioso (Foto: Ducati)

O novo pole

O jovem pole da MotoGP comemorou o feito com algum teor de gritaria.

 
"Quase não tenho voz por causa do grito que eu dei. Dei toda a volta gritando, ainda não acredito. É incrível estar aqui como o pole. Não sei nem o que dizer, adoro o circuito, também andei muito nele e gostaria muito de correr mais aqui", vibrou.
 
Após tomar de Márquez um recorde de precocidade, Quartararo falou em “prêmio extra”.
 
“Marc é a referência da MotoGP. Ele tem algo mais em comparação com os outros”, reconheceu. “Fazer um tempo melhor que o dele é uma coisa muito boa”, comentou.
 
“Eu me vejo bastante bem. Nós testamos pela primeira vez na MotoGP com os pneus duros e fiz um ritmo muito bom. No geral, fiz também com os médios e os macios”, contou. “Tenho certeza que não tenho o ritmo de Marc, mas o objetivo segue sendo o mesmo: estar dentro do top-10”, explicou.
 
“Não quero dar um salto e pensar no pódio. Até a metade da temporada, ficamos com o top-7. Se formos cada vez melhor, não vamos precisar colocar um objetivo fixo de estar sempre entre os cinco primeiros”, completou.
Franco Morbidelli e Fabio Quartararo festejam 1-2 da SIC no grid em Jerez (Foto: Twitter)

Com um recorde a menos, Márquez se importa é com a corrida

Pela primeira vez na carreira, o espanhol de 26 anos é o mais velho entre os pilotos classificados no top-3 do grid. “Não dou muita importância aos recordes, porque você só se lembra deles quando alguém aparece para tirá-los de você. O que importa são os títulos, mas os recordes indicam que você está numa boa dinâmica, como é o caso de Fabio”, ponderou Marc.

 
Na hora de prever a corrida deste domingo, Márquez considerou que o clima será importante. Até aqui, Jerez viu um dia de sol e um dia bastante nublado.
 
“Em termos de ritmo de corrida, estou muito bem, especialmente na hora em que a prova deve começar. Vai depender muito se estiver sol ou nublado. Se fizer mais calor, isso complica as coisas e, provavelmente, fará o grupo se separar. As duas Yamaha satélite, Viñales e Dovizioso são os mais rápidos”, apontou.
 
Ainda, Marc contou que conversou com Jorge Lorenzo, que caiu na hora da classificação e vai largar no meio do pelotão naquele que vinha sendo um bom fim de semana.
 
“Falei com Lorenzo e perguntei se ele agora entendia o motivo de eu cair tanto. A Honda é uma moto crítica em comparação com as outras. Mas, enquanto ela for críticas e nós seguirmos somando títulos, sem problemas”, brincou.
Valentino Rossi (Foto: Yamaha)
Lavada surpresa da SIC deixa dupla da Yamaha falando fino
 
Valentino Rossi lamentou um erro cometido na última volta rápida e que acabou custando a ida ao Q2 por somente 0s041. A corrida está bem mais complicada agora.
 
“Não entrei diretamente no Q2 por um cisco, porque cometi um erro na minha volta, mas nós melhoramos em comparação com ontem. Não tenho as melhores sensações, mas não merecia largar tão atrás. Meu ritmo não é tão ruim para largar em 13º”, frisou. “Largar na quinta fila complica tudo muito mais. Meu ritmo não é o melhor. O problema é que os outros são muito rápidos. Acho que os três primeiros mais que os demais. Confirmamos que este circuito nos cria problemas”, resumiu.
 
Com as duas Yamaha satélite à frente das motos de fábrica, Rossi admitiu a surpresa, mas reconheceu que Quartararo e Morbidelli pilotaram melhor.
 
“Claro que me surpreende que as duas Yamaha satélite estejam em primeiro e segundo. Quartararo e Morbidelli se sentem melhor e são mais rápidos do que eu. Definitivamente, pilotaram melhor. A equipe Petronas está fazendo um grande trabalho. A moto do Fabio é quase idêntica às outras e ele se encontra muito cômodo na entrada das curvas. Maverick vai como Quartararo, eu que estou pior”, completou.
 
Maverick Viñales foi bem melhor que o companheiro e conseguiu esticar a Yamaha até o quinto posto. “O quinto lugar é muito bom, porque me vi muito melhor com a moto, mas estou irritado com a estratégia no Q2. Nós cedemos o vácuo a Quartararo, então temos de ser mais inteligentes”, reclamou.
 
Ainda, Viñales falou em aprender com a SIC. O time malaio é comandado por Wilco Zeelenberg, que, até o ano passado, era analista de performance do #12. Morbidelli, por sua vez, tem o time chefiado por Ramón Forcada, que também trabalhou com Maverick. “Temos de parabenizar a Petronas, aprender com ele e ver se tiramos algo positivo. Que as Yamaha satélite estejam tão na frente têm de nos motivar, não frustrar”, avaliou.

Veja os horários do GP da Espanha da MotoGP.

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