MotoGP

Palco de recordes, Mugello coloca holofote em déficit de velocidade, e Yamaha fica refém de motor congelado

Palco dos recordes da MotoGP, Mugello voltou a jogar luz sobre o grande déficit de velocidade da Yamaha em relação à concorrência. E, apesar de ter apresentado melhora em muitos aspectos na comparação com o ano passado, a casa de Iwata tem poucas alternativas para resolver o maior problema da YZR-M1 atual

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
Nem mesmo o amor da torcida ― que já se fez audível em plena sexta-feira (31) ― vai conseguir empurrar Valentino Rossi em Mugello. Palco dos recordes de velocidade da MotoGP, a pista da Toscana voltou a jogar luz no déficit da Yamaha, que registrou não só a menor máxima do dia, como também ficou no fundo da tabela na média das marcas.
 
Neste primeiro dia de atividades na pista da Toscana, Álex Rins foi quem alcançou a maior velocidade, registrando 350 km/h ainda no primeiro treino livre. Na mesma sessão, Franco Morbidelli fez a menor marca: 330,3 km/h.
 
Na sessão seguinte, as cinco Ducati lideraram o ranking de velocidade, lideradas por Andrea Dovizioso e seus 349,9 km/h. A melhor Yamaha, por sua vez, foi a de Rossi, que ficou na rabeira da lista com 340,4 km/h.
O déficit de velocidade da Yamaha ficou evidente em Mugello (Foto: Yamaha)
Na média das velocidades, a deficiência da YZR-M1 é igualmente evidente. Piloto de testes da fábrica de Bolonha, Michele Pirro estabeleceu em 347,7 km/h a melhor média do dia, enquanto que a média das quatro Yamaha é de 335,3 km/h, uma diferença, portanto, de 12,4 km/h.
 
É claro que, em uma corrida, a velocidade não é o único fator de peso, mas, ao longo das 23 voltas do GP da Itália, a Yamaha perde cerca de 9s em comparação com a Ducati, o que significa dizer que, considerando um ritmo exibido no ano passado, a montadora dos três diapasões vai acabar sem chances de brigar pelo pódio. 
 
Nesta sexta-feira, até Pol Espargaró se impressionou com o déficit de velocidade da M1.
 
“Em Le Mans, a moto era rápida na reta, talvez não, por exemplo, como a Honda e a Ducati, mas melhor do que a Yamaha, o que foi bom”, comentou o #44. “Hoje eu ultrapassei Valentino como se ele estivesse parado. Me senti um pouco mal, porque a moto deles não é super rápida na reta e a nossa vai bem, o que me deixa muito feliz. Aqui você precisa disso, que o motor funcione”, resumiu.
 
Rossi, por sinal, não mediu palavras na hora de falar de sua sexta-feira e reconheceu que sequer está confortável na moto.
 
“Foi um dia difícil. Eu esperava ser mais competitivo, mas já nesta manhã eu não fui muito rápido. Não estava me sentindo muito bem e não consegui pilotar de um jeito muito bom”, disse Rossi. “De fato, a minha posição é bem ruim, então temos de melhorar. Esta tarde nós testamos os pneus duros, mas o ritmo não é fantástico. Nós precisamos melhorar em outras áreas além da velocidade máxima, porque as outras Yamaha são bem rápidas”, reconheceu.
 
O #46, aliás, reconheceu que até mesmo o tradicional ritmo superior da Yamaha nas curvas já é coisa do passado.
 
“Isso de que a Yamaha é mais rápida do que as demais nas curvas é uma coisa de quatro ou cinco anos atrás”, comentou o italiano.
 
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A deficiência da Yamaha, porém, não foi a única coisa a se destacar nesta sexta. O primeiro dia de treinos em Mugello terminou com o estreante Francesco Bagnaia no topo da tabela de tempos.
 
“Na França, nós fizemos um bom trabalho, mas não serviu para nada, pois a corrida durou muito pouco para nós”, recordou Pecco, que caiu ainda nos primeiros giros. “Desta vez, fomos mais competitivos do que o habitual e isso é positivo. A grande sensação que tive no GP passado me permitiu ser rápido aqui já desde o primeiro treino”, seguiu.
 
“Quando você chega em Mugello, você tem de tirar um tempo para pegar a medida do circuito, já que é uma das pistas mais difíceis e rápidas do Mundial. Se não tivesse cometido um erro na minha última volta no TL1, eu teria terminado entre os dez primeiros”, ponderou. “Nós demos um grande passo de tarde. Fizemos alguns testes com o acerto que me deram uma maior confiança com a dianteira da moto”, continuou.
 
“O que me surpreendeu foi o ataque de tempo. Não esperava fazer um tempo assim. Forcei ao máximo e saiu assim”, comentou. 
 
Líder do Mundial, Marc Márquez fechou o dia com o sexto tempo, 0s330 mais lento que Bagnaia. O #93 falou em um dia positivo, mas considerou que a pista italiana evidencia as fraquezas da RC213V.
 
“Estou contente, foi um dia positivo. Nós trabalhamos para a corrida”, disse Márquez. “Esse circuito coloca em destaque os pontos fracos da nossa moto”, seguiu.
 
Além de entender que a moto não casa bem com o traçado da Toscana, Márquez também sentiu os efeitos de um resfriado.
 
“Foi um dia duro por causa da gripe. Me senti como num dia depois de cair em uma curva rápida. Você pode ser rápido, mas só pode dar algumas voltas em 100%”, comparou. 
 
Depois de vitórias dominantes na Espanha e na França, Marc contou que não está tão confortável na Itália quanto nas etapas anteriores.
Francesco Bagnaia foi o mais rápido desta sexta (Foto: Divulgação/MotoGP)
“Não estou tão cômodo quanto em Jerez ou Le Mans. Esta pista é muito diferente daquelas, temos de manter a velocidade em todo o traçado. Vai ser difícil me colocar naquelas primeiras filas do grid”, declarou Marc.
 
Vice-líder do Mundial, Andrea Dovizioso completou a sexta-feira com o 11º tempo e, mesmo considerando que não está tão longe, não se mostrou feliz.
 
“O tempo de volta foi mais rápido do que no ano passado, mas o de todo mundo também, infelizmente”, continuou Andrea. “Como esperávamos, os rivais são um pouco mais fortes do que no ano passado. Somos bem rápidos e melhores do que a classificação mostra”, continuou.
 
“Não tenho o feeling que gostaria. Então a situação não é ruim, mas eu não estou feliz. A base não é a que eu quero. Não posso pilotar como quero. Temos de pilotar. Nós tentamos um acerto diferente de tarde e foi um grande passo. Encontramos algumas coisas positivas, mas o pacote ainda não é bom o bastante”, reconheceu.
 




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