Acosta chega como novo Marc Márquez na MotoGP: é justo com ele?

Pedro Acosta será o único novato na MotoGP em 2024, mas chega ao grid carregado de expectativas de uma pressão absurda em seus ombros. O espanhol é digno de tanto agito antes mesmo da temporada começar?

Uma das grandes novidades da MotoGP em 2024 chega cercada de olhares e expectativas. Atual campeão da Moto2 e com apenas 19 anos, Pedro Acosta foi promovido para a classe rainha do Mundial de Motovelocidade e vai correr na GasGas, uma equipe satélite da KTM. Sem sequer ter feito a estreia, o espanhol já é motivo de análises profundas e previsões que envolvem vitórias e títulos. Mas há mesmo razão para criar tanto frenesi em torno dele?

Acosta não é nenhum desconhecido para acompanha o mundo do motociclismo. Em 2020, com 16 anos, conquistou o título da Red Bull Rookies Cup com extrema facilidade e subiu para a Moto3 no ano seguinte. Na classe inferior do Mundial, emplacou três vitórias nas primeiras quatro provas — uma delas, no Catar, largando dos boxes — e venceu o campeonato com sobras.

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Na Moto2, o jovem espanhol sofreu em 2022. A adaptação ao equipamento foi difícil, os resultados demoraram para surgir e uma lesão no GP da Holanda acabou com qualquer tipo de consolidação. Para piorar, terminou em quinto lugar e viu o companheiro Augusto Fernández — com quem vai reeditar parceria em 2024 — tornar-se o campeão da categoria de base.

A temporada 2023, porém, foi a ressurgimento para Acosta. Implacável durante todo o certame, conquistou o título da Moto2 com duas provas de antecedência e se credenciou de vez como piloto da MotoGP. Acabou na GasGas, mas foram muitos os rumores de que poderia pintar na equipe de fábrica da KTM e até mesmo na Honda logo de cara. Afinal, todos queriam ter o piloto que é considerado o ‘novo Marc Márquez’.

Pedro Acosta chega credenciado após o título da Moto2 (Foto: Red Bull Content Pool)

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Com só três anos de carreira no Mundial de Motovelocidade, Acosta já soma dois títulos e chega à classe rainha como o único estreante de 2024. Claro que currículo aumenta a expectativa para bons resultados mesmo como novato na MotoGP. No primeiro teste oficial, ficou apenas em 18º, a 1s223 do líder e uma queda nos instantes finais da atividade.

Mas é justo colocar tanta pressão em um jovem de 19 anos? O espanhol é o queridinho da KTM e, de fato, tem sido digno das comparações após quebrar recordes no Mundial. Há muito tempo não se criava uma atmosfera tão observadora sobre um novato na classe rainha, talvez desde que Marc Márquez chegou em 2013 ou mesmo quando Valentino Rossi subiu para a categoria em 2000. Curiosamente, dois dos maiores nomes da história do esporte.

Oriundo de uma família modesta, com pai pescador, por exemplo, Acosta é visto como uma pessoa calma e calada dentro do paddock, sem ostentar luxos ou não ter educação com outras pessoas. Além disso, todos que trabalham ao seu lado gostam de ressaltar a inteligência para ajustar a moto ao longo do final de semana, sempre prestando atenção aos detalhes. Por isso, o chefe Hervé Poncharal já o apelidou de Bob Esponja.

“Por que Bob Esponja? Por causa das primeiras palavras do chefe de equipe dele no intervalo do primeiro dia dele na MotoGP. Eu disse a ele: ‘O que você quer me dizer?’. E ele respondeu que ele era uma esponja, que absorvia tudo que falamos. E dá para ver que ele imediatamente coloca em prática na pista o que ele absorveu. Honestamente, não queremos nos deixar levar pela empolgação”, comentou o dirigente.

O jeito humilde ainda se reflete em declarações sobre os objetivos para seu primeiro ano na MotoGP. Questionado sobre título após o primeiro teste, foi enfático ao dizer que “é estúpido” porque “não há como saber o que vem nesse ano e nem no seguinte”. Com pés no chão, claro, conquistou a equipe.

Apesar do jeito calmo, Acosta também se deixa levar pelas comemorações e, por conta disso, já foi comparado com Rossi. Desde mandar beijos e saudações para as arquibancadas até brincar de entregar pizzas para a equipe no GP da Itália, passando por jogar luvas para os torcedores. O ‘tubarão‘, como é conhecido, não peca em ser carismático em um mundo que muitas vezes é frio e sem emoções honestas.

Comparações sempre serão feitas, especialmente com os recentes feitos e conquistas de Rossi e Márquez. Mas é preciso dar tempo para Acosta, como foi feito na Moto2. Jovem pilotos costumam ser construídos passo a passo, como em um desenvolvimento gradual, com o bônus de que neste caso já vimos o talento desabrochar. Existem mil e um motivos para acreditar no sucesso do espanhol, só não pode ser depositada uma pressão absurda nos ombros de um menino de 19 anos.

MotoGP volta a acelerar entre 6 e 8 de fevereiro de 2024, com os testes de pré-temporada na Malásia, no circuito de Sepang. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

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