MotoGP

Pedrosa sai de cena em baixa, mas com direito adquirido de figurar entre os grandes da MotoGP

Dani Pedrosa certamente não teve o fim de carreira que gostaria, mas conquistou o direito de figurar entre os grandes. O título da MotoGP nunca chegou, mas o #26 está entre os pilotos com mais vitórias, mais poles, mais pódios e por aí vai
Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
 Dani Pedrosa (Foto: Divulgação/MotoGP)

LEIA TAMBÉM
Dani Pedrosa: Entre os maiores da história

Uma era da MotoGP chegou ao fim neste domingo (18). Depois de 18 anos no paddock do Mundial de Motovelocidade, Dani Pedrosa está se despedindo. O #26 deixa o posto de titular e, ao menos nos próximos dois anos, seguirá ligado ao esporte como piloto de testes da KTM.
 
Dono de uma carreira ímpar, Dani deixa o Mundial figurando entre os maiores nas estatísticas. No total, são 54 vitórias ― 31 delas na MotoGP ―, 153 pódios ― 112 só na classe rainha ―, 49 poles ― 31 na divisão principal ― e três títulos ― um nas 125cc e dois nas 250cc.
Dani Pedrosa fez por merecer o lugar entre as Lendas da MotoGP (Foto: Divulgação/MotoGP)
Com números como esses, o piloto de Sabadell saiu de cena como o nono com mais vitórias na MotoGP/500cc, o sexto com mais poles, o terceiro com mais pódios, o quarto que mais vezes esteve na primeira fila e o segundo com mais pontos.
 
2018, porém, foi um ano bastante atípico. Longe de sua melhor performance, Pedrosa não fez sequer uma visita ao pódio e, consequentemente, encerrou a tradição de vencer ao menos uma corrida por temporada. Ainda assim, fica o recorde de sequência mais longa de anos com vitórias, registrado entre 2002 e 2017, impressionantes 16 anos consecutivos no Mundial. 
 
Não fosse isso o bastante, Dani venceu ao menos uma corrida por ano durante 12 temporadas seguidas na MotoGP. O único outro piloto a alcançar tal feito foi o lendário Giacomo Agostini. 
 
Embora a performance tenha ficado bastante aquém da de outrora, Dani é um piloto muitíssimo bem visto entre seus pares. Valentino Rossi, por exemplo, acredita que o #26 merecia ter conquistado ao menos um título da classe rainha.
 
“Quando Dani chegou, em 2006, todos estavam assustados”, recordou Rossi. “Dani merecia um campeonato, pois ele venceu muitas corridas, mais de 50, e ele foi muito competitivo na MotoGP”, frisou.
 
Companheiro de Pedrosa desde 2013 e hoje pentacampeão da MotoGP, Marc Márquez teve no espanhol um professor em sua entrada na classe rainha.
 
“Brigamos na pista, mas sempre mostramos muito respeito fora dela”, comentou. “Aprendi muitas coisas com ele e vai ser um final de semana especial para ele e para todo o time, pois ele é um piloto especial e uma lenda”, exaltou.
 
Mas o ‘samurai’ nunca teve lá muita sorte, especialmente no quesito físico. Dani é, certamente, o piloto que conhece mais intimamente as dores do esporte. Ao longo de todos esses anos, o espanhol sofreu quase duas dezenas de lesões e carrega consigo as marcas de cada uma delas.
 
As lesões, inclusive, o fizeram pensar em aposentadoria algumas outras vezes, como admitiu na quinta-feira, quando foi homenageado em Valência e se tornou o 29º integrante do rol das Lendas da MotoGP. 
 
Os machucados, entretanto, não foram os únicos desafios físicos de sua carreira. Menor e mais leve entre os pilotos do grid, Pedrosa sofreu para conseguir dar conta do pesado protótipo da classe rainha e tampouco foi bem sucedido em sua tentativa de ganhar peso. Uma ‘herança’ genética do pai, conta.
 
Talvez tenha faltado um pouco de sorte. Muito além de suas lesões e baixa estatura, Pedrosa se viu num grid de gigantes: Rossi, Márquez, Jorge Lorenzo e Casey Stoner. O grid atual, aliás, é, reconhecidamente, o mais forte da história da categoria.