Pego no contrapé em 2019, Morbidelli cresce e retoma protagonismo na Yamaha SRT

Contratado para ser o novo Valentino Rossi em 2019, o italiano de Roma foi superado com facilidade por Fabio Quartararo, então estreante na MotoGP. Mesmo com menos prestigio dentro da equipe malaia, o simpático Morbidelli conseguiu dar a volta por cima

Franco Morbidelli consolidou uma impressionante volta por cima com a vitória no GP de San Marino e da Riviera de Rimini deste domingo (13). A primeira do ítalo-brasileiro na MotoGP. Depois de ser pego desprevenido pela estreia surpreendente de Fabio Quartararo em 2019, o campeão de 2017 da Moto2 conseguiu recuperar seu papel não só dentro da SRT, mas também com a própria Yamaha.

Inicialmente, Franco foi escalado para ser o número 1 do time malaio. A expectativa era até de que ele fosse o ‘novo Valentino Rossi’. Mas a transição da Honda com que fez a temporada de estreia para a YZR-M1 de fábrica se mostrou custosa. Aliado a isso, o francês de Nice teve um ano de estreia surpreendente: seis poles, sete pódios e o quinto lugar no campeonato. Franco foi apenas décimo na classificação final, com 77 pontos de desvantagem para o companheiro de equipe.

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Franco Morbidelli foi o quarto piloto a conquistar a primeira vitória na temporada 2020 da MotoGP (Foto: SRT)

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A disparidade entre a dupla mudou consideravelmente a ordem de forças dentro da equipe malaia. Quartararo ― com justiça, é bom que se diga ― ganhou uma M1 do ano para a temporada e também a vaga no time de fábrica da Yamaha a partir de 2021, justamente no lugar de Rossi. Morbidelli acabou com uma especificação B, mas nem ele é capaz de explicar ― vai ver também não pode ― as discordâncias entre as motos. A diferença claramente conhecida era a ausência do dispositivo de largada, o chamado ‘hole shot’, na M1 #21 no início do ano, mas de tanto pedir, Franco convenceu a casa de Iwata a atualizar a moto e passou a contar com a peça a partir da Áustria.

Em 2020, Morbidelli deu um jeito de colocar as coisas nos trilhos. Desde a pré-temporada, mostrou um ritmo competitivo e, pouco a pouco, foi escalando o pelotão. No GP da Andaluzia, segunda etapa da temporada, Franco caminhava para o primeiro pódio na classe rainha, mas uma quebra acabou forçando o abandonar. Na Tchéquia, o campeão de 2017 da Moto2 estreou na primeira fila da classe rainha, com um terceiro lugar. Em Misano, foi além: largou em terceiro, dominou a corrida e venceu pela primeira vez.

“Estou tomado por emoções, estou muito feliz e acho que estarei assim nas próximas 24 horas, talvez 48”, disse Morbidelli. “Foi um ótimo fim de semana. Tive um grande ritmo, me senti forte, fiz uma boa largada na corrida, fui pressionado por Vale no início, mas me senti bem, senti que podia lidar com isso e que podia fazer meu próprio ritmo. Aí vi que estava escapando e, naquele momento, me senti ótimo”, seguiu.

“Depois fiquei completamente sozinho nas últimas dez voltas. Foi um momento muito psicológico. Tive a chance de pensar em muitas coisas, em todas as pessoas que trabalharam comigo e que me ajudaram ao longo de toda a minha carreira, o que foi bem curta e íngreme, pois há só sete anos eu estava correndo aqui, no Campeonato Italiano, com a Stock 600. Tive a chance de pensar também nisso”, relatou. “E só posso agradecer a todas as pessoas que fizeram desta uma carreira tão íngreme e tão boa. Quero continuar por muitos anos mais, mas até aqui, foi uma jornada muito boa”, resumiu.

Curiosamente, a única ameaça à vitória em Misano veio de Valentino, alguém com quem Franco está mais do que acostumado a lidar. Afinal, é um dos integrantes da Academia de Pilotos VR46.

“Nunca é fácil. Eu treino sempre com ele, sempre luto com ele no Rancho, com mini motos e tudo mais, mas no Mundial é um pouco diferente, pois você também vê todas as bandeiras amarelas tremulando quando você passa. Então você entende que ele está lá”, comentou. “Ele tem muita empolgação da torcida e dá para ver e sentir isso, mas eu disse a mim mesmo: ‘Só relaxa, faz o seu ritmo e vê o que acontece’. E saiu bem. Estou realmente orgulhoso e grato”, contou.

Apesar do bom resultado, Morbidelli não quer pensar muito mais longe. Sétimo na classificação do campeonato, 19 pontos atrás do líder Andrea Dovizioso, o italiano prefere focar corrida após corrida.

“Eu sou um piloto satélite. Não tenho ambição… Quer dizer, eu tenho ambição, mas não estou mirando o campeonato e pensando no campeonato no momento, estou só pensando em vencer corridas e fazer o melhor resultado que puder a cada domingo”, explicou. “Vou ver onde estou no fim do ano, mas estou pensando corrida a corrida, pois, no fim das contas, sou só um cara satélite”, concluiu.

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