MotoGP

Pilotos focam na preparação para GP, e MotoGP vê seis fábricas no top-10 no segundo dia de testes no Catar

No segundo dia de testes da MotoGP em Losail, a classe rainha viu as seis fábricas do grid dentro do top-10 deste domingo (24). Ao contrário do que aconteceu na Malásia, no entanto, o trabalho foi mais focado no GP de abertura da temporada
Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo / NATHALIA DE VIVO, de São Paulo
O segundo dia de testes da pré-temporada 2019 em Losail foi mais uma mostra da alta competitividade da MotoGP. Mesmo com os pilotos trabalhando focados na preparação para o GP do Catar, o pelotão completo ficou separado por 2s3, com 13 pilotos rodando no mesmo segundo do líder, o espanhol Álex Rins.
 
Além disso, a tabela de classificação deste domingo (24) traz as seis fábricas do grid ― Suzuki, Yamaha, Ducati, Honda, Aprilia e KTM, pela ordem ― no top-10. 
 
Com 1min54s593, Rins assegurou a ponta da tabela, mas com apenas 0s057 de margem para Maverick Viñales, o segundo colocado. A surpresa do dia ficou por conta de Fabio Quartararo. Agora com uma moto do ano ― ainda que não exatamente nas mesmas configurações das Yamaha de fábrica ―, o jovem francês foi só 0s315 mais lento que o #42 e ficou em terceiro.
Álex Rins se mostrou bastante satisfeito com a GSX-RR (Foto: Michelin)
Do lado da Ducati, o melhor desempenho, de novo, veio de Danilo Petrucci, que ficou com a quarta colocação, 0s360 atrás de Rins. Ainda lidando com o ombro recém-operado, Marc Márquez avançou mais um pouco e ficou em quinto, 0s411 atrás do ponteiro.
 
Com a Aprilia, Aleix Espargaró ficou com o sexto tempo, com sua melhor volta em 1min55s173. O irmão Pol foi o melhor entre os pilotos da KTM e ficou com o décimo posto, 0s662 atrás do líder.
 
No comando da atividade, Rins fechou o segundo dia bastante satisfeito com o desempenho da GSX-RR, que acredita ser uma moto mais forte do que a do ano passado.
 
“Acho que estamos fazendo um trabalho realmente bom. Nós testamos muitas coisas em Sepang, aqui nós confirmamos que todas essas peças estão funcionando bem, mas aqui o importante é pilotar como sempre, passo a passo, com pneus usados, aí colocar um pneu novo para ver onde estamos com 100% de aderência”, comentou Rins. “Acho que nosso pacote agora é um pouco melhor do que no ano passado. Nós mudamos pequenas coisas, não foram coisas grandes, mas melhoramos”, frisou.
 
Questionado se tem algo para melhorar na GSX-RR antes de retornar à pista na segunda-feira, Álex respondeu: “Não. Estou bem feliz com a moto toda”.
 
O mesmo, no entanto, não acontece com Viñales. Mesmo vendo melhora na YZR-M1, o espanhol segue cobrando um melhor entendimento da Yamaha com a eletrônica para ganhar em aceleração.
 
“Honestamente, estou bastante feliz, pois fizemos boas melhoras hoje durante o dia. Hoje foi importante para sentir um pouco mais a moto, tentando encontrar um novo ajuste para irmos mais rápidos”, explicou o #12, que passou o dia focando no GP do Catar. “Acredito que o trabalho foi feito, estou bastante feliz com isso. Mas ainda não é o suficiente, perdemos em velocidade máxima, na aceleração. Ainda temos muita coisa para fazer amanhã para tentar melhorar isso”, cobrou.
Valentino Rossi teve um dia difícil em Losail (Foto: Yamaha)
“Espero que amanhã encontremos uma aderência um pouco melhor. Mas, no momento, os níveis de aderência para mim estão baixos, mas estamos na frente, então, isso é o mais importante”, ponderou. “Para amanhã acredito que é importante melhorar a aceleração, pois estamos perdemos muito nos setores quatro e um. Então são os principais pontos para nos focar amanhã. Não achamos nada na eletrônica para melhorar a aceleração. Então estou ansioso para trabalhar duro amanhã para tentar melhorar isso”, ressaltou.
 
Ao contrário de Maverick, Rossi ficou decepcionado com o segundo dia em Losail. No fundo da tabela ao longo da maior parte do domingo, o italiano contou que algumas coisas não funcionaram como o esperado.
 
“Hoje eu fiquei sempre atrás e sofri com falta de aderência, especialmente na traseira. Foi um dia difícil. Foi uma pena, porque testamos coisas importantes e deveríamos ter melhorado um pouco. Vamos rever amanhã”, comentou Rossi. “Tive um pouco de dificuldade ao longo de todo o dia, então, no final, eu coloquei o pneu macio, mas não dei meu melhor, pois sabia que não era rápido o suficiente. Nós trabalhamos muito e coletamos muitos dados. Esperamos melhorar amanhã”, continuou.
 
“Ontem, nós trabalhamos na base, hoje provamos um outro material para ver se poderíamos melhorar, mas não conseguimos. Algumas coisas foram boas em Sepang, mas aqui não responderam como esperado”, contou. “Testamos diferentes acertos, várias distribuições de peso, algumas coisas diferentes para tentar encontrar aderência na traseira, mas elas não funcionaram. Tentamos coisas com o chassi, com o acerto e com a eletrônica para tentar melhorar a aceleração na saída da curva, mas a moto escorregava muito. Em comparação com os ponteiros, faltam alguns décimos”, reconheceu.
 
Melhor entre os representantes da Ducati, Petrucci voltou a celebrar a performance constante da Ducati, mas, tal qual fez ontem, se queixou do ritmo com pneus novos.
 
“Foi um longo dia. Eu fui um dos primeiros pilotos a irem para a pista, mas fui bem desde o início. Eu estou bem feliz com o feeling com a moto com o pneu usado, especialmente com o médio, mas também com o macio. Mas, sinceramente, não estou feliz com a velocidade com um pneu novo”, contou Danilo. “Sou constantemente rápido, mas, para mim, ainda não é possível dar um passo à frente em termos de velocidade. O ritmo está sempre em 1min55s, mesmo com um pneu com 20 voltas, mas quando uso um pneu novo, eu forço, forço, mas falta alguma coisa sempre”, relatou.
 
“Nós precisamos de algo mais para amanhã, pois acho que temos de melhorar um pouco o nosso ritmo para sermos realmente competitivos e vencer”, sublinhou. “Eu não examinei o ritmo dos outros, mas, com certeza, estamos lá com Márquez, com Rins, com Viñales, também com Dovi”, avaliou.
 
Tradicionalmente centrado, Dovizioso fez uma leitura mais ampla dos testes e concluiu que as posições na tabela não servem de indicativo para a ordem de forças.
Danilo Petrucci ainda quer mais da Ducati (Foto: Michelin)
“Foi outro dia estranho se olharmos para os tempos de volta. Não acho que a posição de muitos pilotos seja real. Acho que muitos pilotos trabalharam pensando na corrida, então ainda é difícil entender exatamente o potencial dos competidores”, comentou Andrea. “Fizemos, como na Malásia, o long-run dividido em duas partes, para ter um espectro mais amplo. Isso é sempre importante. As condições são diferentes do ano passado, por exemplo. A pista, no momento, acho que está um pouco mais lenta do que no ano passado. Mas o ritmo que fizemos não é muito importante. É melhor tentar trabalhar nos detalhes para a corrida. A sensação é bem boa, mas é difícil entender se somos mais rápidos ou mais lentos do que os rivais”, acrescentou.
 
0s411 atrás de Rins, Márquez avaliou que deu mais um passo no trabalho com a Honda, mas ainda espera melhorar um pouco mais para chegar nos ponteiros.
 
“Estou feliz, pois, primeiro de tudo, foi o primeiro dia que dei muitas voltas. Me senti muito bem em termos de condição física. Demos um grande passo com o ajuste da moto, com o feeling, agora estamos mais próximos dos caras da ponta”, considerou Marc. “Ainda não somos os mais rápidos. Mas, de qualquer maneira, estamos nos aproximando cada vez mais e isso é o mais importante”, continuou.
 
“Hoje fizemos muitas coisas. Primeiro de tudo, nos concentramos no ajuste da moto, pois ontem estávamos fora, estávamos longe. Demos um grande passo nisso, parece que encontrei o feeling na moto”, comentou. “Começamos a testar muitas, muitas coisas, uma foi a carenagem, o pacote aerodinâmico, nos concentramos em muitas diferentes áreas e amanhã acredito que podemos dar outro passo”, resumiu.
 
Tal qual o novo companheiro de equipe, Lorenzo também celebrou avanços, ainda que reconheça que está longe do ideal.
 
“Hoje foi um pouco melhor. Começamos olhando para alguns ajustes para melhorar o feeling e a confiabilidade com a moto nas curvas. Melhoramos mais de 1s, não é muito melhor, mas estamos muito mais próximos dos mais rápidos, isso é uma coisa importante”, avaliou. “Encontramos uma maneira de melhorar a moto, me sinto melhor. Me sinto melhor fisicamente também, especialmente na primeira parte do dia. No final, estive com um pouco de dor, então não fiz tantas voltas na última hora. Amanhã não vamos dar o último passo, mas mais um passo adiante”, concluiu.