Prévia: de volta à briga, Márquez promete apimentar disputa entre Rossi e Lorenzo

74 pontos atrás de Valentino Rossi na classificação da MotoGP, Marc Márquez já não vê mais o título como possível, mas nem por isso vai deixar de interferir na disputa. Com uma versão híbrida da RC213V — que conta com o motor de 2015 e o chassi do ano passado —, o espanhol mostrou melhor forma e vai exigir atenção redobrada da dupla da Yamaha

A cobertura completa do GP da Alemanha no GRANDE PRÊMIO

Não é só na Copa do Mundo que o placar chega a 7 x 1. Passadas as primeiras oito etapas da temporada 2015, o marcador da MotoGP mostra Yamaha 7 x 1 Honda. 
 
Ao contrário do que aconteceu no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, no ano passado, quando Müller, Klose, Toni Kroos, Khedira e Schürrle foram os responsáveis pelos tentos da Alemanha, a disputa na classe rainha do Mundial de Motovelocidade tem dois goleadores do lado de Iwata: Valentino Rossi e Jorge Lorenzo. Na seleção da asa dourada, coube a Marc Márquez assumir o papel de Oscar e marcar o ‘gol de honra’ — um único triunfo no GP das Américas.
Marc Márquez deve meter a colher na disputa entre Valentino Rossi e Jorge Lorenzo (Foto: Honda)
Mas se o time da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) pouco fez para dar a volta por cima, não dá para dizer o mesmo do selecionado da Honda. É bem verdade que o jovem bicampeão já se conformou em perder a ‘final da Copa América’, mas Márquez está decidido a não passar vergonha na entrega da coroa.
 
Depois de muito sofrer para se entender com a RC213V de 2015, Marc encontrou um caminho e, em Assen, já usando uma versão híbrida do protótipo — que agora conta com o motor e braço oscilante de 2015 e chassi de 2014 —, voltou a brigar pela vitória em uma prova que entrou para a história da MotoGP.
 
74 pontos atrás de Rossi na classificação do Mundial, Márquez não se vê mais com chances de título, mas já avisou que vai brigar por vitórias. Sendo assim, o piloto de Cervera é um forte candidato ao posto de coadjuvante de 2015 e vai ter influência direta no resultado, já que pode roubar pontos de um lado e de outro. 
 
Seguindo na linha do futebol, Márquez vai encarnar o árbitro pouco inspirado, daqueles que aprontam das suas para lá e cá e deixam uma marca no resultado. 
 
Com o espanhol mais preparado para a briga, Rossi e Lorenzo vão precisar de atenção redobrada se quiserem assegurar uma nova plaquinha na Torre dos Campeões da MotoGP. Até porque o espanhol vai mirar o troco depois da derrota na Holanda
 
Apesar da evolução do #93, é a Yamaha que chega para o 77º GP da Alemanha — o 18º consecutivo em Sachsenring — como favorita. A casa de Iwata venceu seis provas consecutivas pela primeira vez nos 67 anos de história do Mundial de Motovelocidade, liderou 124 voltas seguidas — um recorde na era da MotoGP —, venceu sete das oito primeiras provas do ano pela primeira vez e tem 191 pontos no Mundial de Construtores, a maior soma já exibida pela marca dos três diapasões neste ponto da temporada.
 
 No caso do #46, é a primeira vez desde 2009 que o italiano vence mais de duas vezes no ano. Além disso, Rossi terminou no pódio 12 vezes seguidas, a maior sequência de tops-3 desde que venceu as últimas nove provas de 2008 e as três primeiras de 2009. O multicampeão é também o segundo piloto com mais vitórias em Sachsenring (um triunfo nas 250cc e quatro na MotoGP), atrás apenas de Dani Pedrosa, que soma seis vitórias na pista de Chemnitz. 
 
Lorenzo, por sua vez, nunca conseguiu vencer na pista de 3.671 km, a menor do calendário, mas esteve no pódio de Sachsenring nas últimas cinco provas que disputou por lá. O espanhol, no entanto, não está esperando vida fácil na Alemanha, pois acredita que terá dificuldades para acertar a YZR-M1.
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Valentino Rossi travou uma dura briga com Marc Márquez no GP da Holanda (Foto: AP)
Chegando cada vez mais perto de sua melhor forma, Pedrosa é sempre um candidato ao pódio, mas a história da temporada não coloca o espanhol no foco dos holofotes.
 
Do lado da Ducati, é fato que a GP15 é uma moto infinitamente mais competitiva que suas mais recentes antecessoras, mas, com Andrea Dovizioso bem definiu, a fábrica de Bolonha não conseguiu acompanhar o ritmo de evolução das rivais
 
Ainda assim, Dovizioso e Andrea Iannone vêm apresentando boas atuações e se estiverem competitivos em Sachsenring, também podem brigar pelo pódio.
 
Destaque nas provas mais recentes, a Suzuki vai ter um atrativo a mais na Alemanha: um design comemorativo. O time de Aleix Espargaró e Maverick Viñales vai celebrar neste fim de semana os 30 anos de história da GSX-R, a moto esportiva que foi lançada em 1985, e, por isso, vai ter uma pintura branca e azul em tributo ao layout original da moto guiada por Kevin Schwantz em suas muitas vitórias no AMA.
 
Como curiosidade, vale ressaltar que desde 1998 o piloto que saiu como líder da etapa de Sachsenring foi o campeão. Nos últimos 17 anos, essa história se repetiu com Mick Doohan, Álex Crivillé, Kenny Roberts Jr., Rossi, Casey Stoner, Lorenzo e Márquez.
 
Moto2
 
Líder incontestável do Mundial, Johann Zarco surge mais uma vez como favorito, muito mais pelo roteiro da temporada do que pelo histórico em Sachsenring. O titular da Ajo tem um único pódio no traçado de Chemnitz — um segundo lugar na etapa de 2011 das 125cc.
 
O francês, no entanto, só fez aumentar sua vantagem no topo da tabela desde que assumiu a liderança do Mundial a Argentina. Chegando na metade do ano, Johann tem 45 pontos de vantagem para Tito Rabat.
Tito Rabat melhorou, mas não consegue reduzir vantagem de Johann Zarco (Foto: Ajo)
Embora venha se apresentando como principal rival, o piloto da Marc VDS não chega à Alemanha no auge da forma. O campeão vigente sofreu um acidente em um treino e fraturou a clavícula direita. Apesar da cirurgia, o espanhol já voltou aos treinos e acredita que poderá lutar pelo pódio. A capacidade de recuperação dos pilotos é surpreendente!
 
Depois de três provas na quarta colocação, Sam Lowes voltou ao pódio da Moto2 em Assen, mas se tiver pretensões de lutar pelo título, precisa voltar a vencer para reduzir os 63 pontos de atraso que tem para Zarco.
 
Moto3
 
Na classe menor, nenhum dos atuais pilotos do grid tem vitórias em Sachsenring, mas foi a KTM que venceu todas as provas da Moto3 disputadas no traçado alemão. O último triunfo da Honda no circuito na categoria de entrada data de 1999, ainda nas 125cc.
Danny Kent só faz aumentar sua margem na liderança (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Assim como Johann Zarco na Moto2, Danny Kent vem aumentando sua vantagem na liderança do Mundial e os 57 pontos que o separam de Enea Bastianini na classificação representam a maior margem exibida na divisão menor após oito provas desde que Haruchika Aoki abriu uma diferença de 69 pontos para Stefano Perugini nas 125cc em 1995.
 
Os dois primeiros na tabela, aliás, são também os únicos pilotos a terem pontuado em todas as etapas disputadas até aqui. 

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