MotoGP

Quartararo é cereja no bolo da Yamaha, mas GP da Catalunha promete briga boa na MotoGP

11 dias após operar o antebraço direito para se livrar dos efeitos da síndrome compartimental, Fabio Quartararo foi o destaque de um sábado altamente positivo para a Yamaha, especialmente após o revés da Itália. Com suas quatro motos no top-5 catalão, a casa de Iwata dá sinais de reação, mas Honda, Ducati e Suzuki não estão para brincadeira nesta sétima etapa da temporada 2019

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo / NATHALIA DE VIVO, de São Paulo
Depois de um GP da Itália para esquecer, a Yamaha, enfim, teve um dia de puro açúcar na MotoGP. Neste sábado (15), Fabio Quartararo foi a cereja em um bolo de quatro andares preparado pelo ‘chef’ dos três diapasões e assegurou a pole-position ― a segunda da ainda curta carreira na classe rainha. 
 
O tamanho do bolo, claro, teve de ser compatível com o número de convidados para a festança. E, seguindo a máxima de que é melhor sobrar do que faltar, a casa de Iwata colocou logo suas quatro YZR-M1 no top-5 do grid de Montmeló.
 
A única intromissão no banquete nipônico foi Marc Márquez, que aproveitou o rastro de Valentino Rossi para assegurar o segundo posto. Curiosamente, o #93 é representando por uma formiga. Nada mais apropriado para um dia tão doce na Catalunha.
 
Vindo de um fim de semana azedo em Mugello, a fábrica representada por Rossi, Maverick Viñales, Quartararo e Franco Morbidelli foi para a Catalunha compreensivamente temerosa, mas, até aqui, as coisas saíram melhores do que o esperado.
Fabio Quartararo ficou com a pole em Montmeló (Foto: SIC)
Com 1min39s484, o jovem ‘El Diablo’ conseguiu a posição de honra na grelha, com Viñales virando 0s211 mais lento para voltar para a primeira fila pela primeira vez desde o GP da Argentina no início da temporada. Morbidelli, por sua vez, se destacou na classificação apesar de ter sofrido uma forte queda no terceiro treino e, só mais 0s001 atrás, ficou com o quarto posto. Recuperado do terrível 18º no grid de casa, Rossi virou 0s269 mais lento que o #20 e ficou com o quinto tempo.
 
Um desempenho como o exibido pela Yamaha neste sábado é inesperado, mas é também um bom indicativo. A YZR-M1 segue tendo suas fraquezas ― as quatro motos ficaram na base da tabela do Speed Trap do Q2, com Franco, responsável pela menor velocidade (336 km/h), exibindo um déficit de 9,6 km/h em relação a melhor registro a sessão, feito por Márquez em 345,6 km/h ―, mas o desempenho mostrado na etapa anterior foi bastante aquém das possibilidades do protótipo azul e preto.
 
E, muito embora o dia tenha sido bastante positivo para a Yamaha, o domingo não deve ser assim tão adocicado. Márquez não foi, ao menos ate aqui, o destaque do fim de semana, mas não está fora da briga. Da mesma forma, a Ducati, que venceu em Montmeló nos últimos dois anos, é também uma forte candidata, tal qual a Suzuki, já que, apenas pela quarta vez no ano, Álex Rins vai começar a corrida dentro do top-10.
 
Largando na frente, Quartararo terá um desafio físico extra. O francês operou há 11 dias para lidar com o arm-pump e ainda não sabe como o corpo vai reagir na distância da corrida. 
 
Ainda assim, Fabio, que deu os primeiros passos da carreira em campeonatos da Espanha, celebrou o bom resultado em Montmeló.
 
“Com certeza, essa pole-position é especial. Esta é uma das minhas pistas favoritas, nós temos ótimas memórias daqui”, comemorou. “11 dias depois da cirurgia, eu não sabia qual seria a minha condição nesta pista. Acho que está ok. Nós conseguimos um bom ritmo e uma volta realmente boa na classificação, então estou realmente feliz com a forma como hoje correu”, seguiu.
 
“Fisicamente, não tomei remédio ontem e hoje, mas amanhã vou tomar alguma coisa e tentar fazer uma boa largada, porque não consegui ganhar uma posição em todas as seis corridas, então espero seguir nessa posição e não perder muitas posições”, declarou. “Nós ainda temos de analisar os pneus, mas estou muito feliz depois de hoje”, completou.
 
Mais discreto ao longo do fim de semana, Márquez celebrou a forma diferente com que trabalhou em Montmeló e garantiu que está vivo na briga.
 
“Durante o fim de semana, nós trabalhamos de uma maneira diferente e tentamos ser consistentes, trabalhar para a distância da corrida, tentar pneus diferentes. Na classificação, nós mostramos o potencial de uma boa maneira”, ressaltou. “Acho que fizemos uma boa volta. Estávamos prontos para brigar pela pole, mas perdemos por nada, mas acho que estamos em boa forma para amanhã e isso é o mais importante”, sublinhou. 
 
“Parece que os pilotos da Yamaha estão pilotando de uma maneira muito boa. A escolha do pneu traseiro será crucial, porque parece que o duro está trabalhando bem. Fora isso, nós estamos sofrendo, mas estamos lá. Isso é o mais importante para o campeonato”, sublinhou.
 
Questionado se espera uma corrida nos moldes do GP da Itália, com vários candidatos à vitória, Márquez respondeu: “Vamos ver. Parece que o ritmo dos pilotos é muito parecido. Tem três ou quatro pilotos com ritmo muito similar. Mas, de qualquer forma, eu me sinto melhor do que em Mugello. Isso é importante. Sinto que posso controlar de uma maneira diferente, ser mais constante”. 
 
“Vamos ver o resultado final, mas a nossa meta é tentar terminar na frente dos nossos oponentes no campeonato, que são as duas Ducati e Rins. Se algum piloto da Yamaha for mais rápido do que nós, vamos precisar sobreviver. Tentaremos sobreviver”, falou.
 
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De volta à primeira fila, Maverick celebrou a performance, especialmente por entender que a equipe conseguiu melhorar a M1 ao longo do últimos dois dias.
 
“Nós trabalhamos de uma boa maneira todo o fim de semana. Como sempre, nós tentamos trabalhar para a corrida. Esta manhã foi bem boa, de tarde, no TL4, nós demos um pequeno passo que nos deu um bom ritmo, então amanhã vamos tentar largar bem, fazer boas voltas e tentar estar no máximo”, afirmou. “Nós modificamos um pouco a moto, tentando melhorar a freada e conseguir um pouco mais de tração. De alguma forma, alcançamos isso no TL4, na primeira e na última saída, então me senti bem na moto. Temos de ver amanhã depois da Moto2, porque a aderência é sempre muito baixa e nós sofremos muito, mas este fim de semana nós tentamos trabalhar de uma maneira diferente, sempre sofrendo com os pneus. Vamos ver se fizemos um bom trabalho”, continuou.
 
Maverick, no entanto, teve um pouco da doçura de seu fim de semana removida à força pela direção de prova. O #12 foi punido por um incidente com Quartararo no fim da classificação e perdeu três posições no grid. Assim, vai largar em sexto.
 
Quarto treino, Morbidelli foi promovido à primeira fila depois do que considerou ser um “ótimo dia”, apesar da queda “dolorosa” desta manhã.
 
“Antes de mais nada, quero agradecer ao time, porque eles prepararam a moto muito bem entre o TL3 e o TL4”, começou Franco. “A queda desta manhã foi dolorosa e eu não sabia o que esperar nesta tarde. Nós conseguimos fazer um bom TL4 e uma boa sessão de classificação passando pelo Q1, então foi um ótimo dia”, opinou.
 
“Temos de ver as condições e como a moto vai se comportar amanhã, embora nosso ritmo tenha sido bom ao longo de todo o fim de semana”, lembrou. “Estamos confiantes e agora e uma questão de resolver algumas coisas esta noite e ir para a corrida de amanhã”, completou.
Marc Márquez garantiu que está preparado para brigar pelo pódio (Foto: HRC)
Ao contrário do que aconteceu em Mugello, Rossi apareceu muito mais feliz neste sábado, especialmente por ver que a Yamaha conservou um bom ritmo.
 
“Foi um bom dia, porque seguimos com um bom ritmo e uma boa velocidade”, considerou Rossi. “Ter quatro Yamaha nas cinco primeiras posições não ótimas notícias”, frisou. 
 
Ainda assim, o #46 ressaltou que as coisas podem mudar no domingo, já que a M1 está mais exposta às mudanças de temperatura.
 
“Esperamos que seja uma corrida de grupo, mas pode ser que não seja”, reconheceu. “A Yamaha é uma moto muito difícil de entender. Nós fazemos o tempo nas curvas e os demais, na reta. Por isso, nós estamos mais expostos às mudanças de temperatura”, completou.
 
Atrás do italiano no grid, Andrea Dovizioso se mostrou satisfeito com o resultado, especialmente por considerar que as condições da pista estavam longe das ideais.
 
“Estou feliz com nossa posição de largada porque hoje as condições da pista estavam particularmente complicadas em termos de aderência, e estava realmente muito fácil cometer erros, então começar amanhã das duas primeiras filas é ok”, avaliou Andrea. “O ritmo de corrida ainda vai ser visto, porque a aderência é realmente baixa, como podemos ver dos tempos de volta mais lentos comparados com o passado. Tivemos outro exemplo também no TL4, em que os pilotos tentaram praticamente todos os tipos de combinação de pneus, o que significa que ainda há questões a serem respondidas”, ponderou. 
 
“Trabalhamos bem até o momento e estamos no grupo da frente, mas as diferenças são pequenas e é difícil de avaliar o potencial de nossos adversários. Estamos competitivos, mas precisamos ser muito espertos amanhã e lidar com a corrida sem cometer erros”, finalizou.
 
Vindo de vitória, Danilo Petrucci lamentou a queda que atrapalhou sua performance na classificação, mas se mostrou confiante em brigar por um bom resultado no domingo.
 
“Hoje começamos com o pé direito e estávamos rápidos desde as primeiras voltas. Mesmo durante o TL4, mesmo com nossa posição final, estávamos competitivos já que fomos os únicos a rodar com pneus usados”, avaliou. “Na classificação fui capaz de anotar uma boa volta logo de cara, mas quando estava voltando para os pits acabei caindo em baixa velocidade. Infelizmente, quando fui para a pista com a segunda moto, não consegui a mesma sensação e não consegui melhorar”, seguiu. 
 
“Os níveis de aderência são muito menores dos que do ano passado, e espero uma corrida complicada com muitas variáveis, desde os pneus até a consistência geral. Para nós, nos focamos em manter os pneus para a distância da corrida, então estou confiante que conseguiremos brigar bem amanhã”, encerrou.
 
O comentário geral em Montmeló é sobre a baixa aderência. Assim, a escolha de pneus será fundamental. Neste fim de semana, a Michelin manteve a alocação tradicional, com pneus macios, médios e duros. O dianteiro mais resistente e as opções traseiras todas são em configuração assimétrica, com a borracha mais dura do lado direito.
 
O GP da Catalunha de MotoGP está marcado para o domingo, às 9h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO.




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