MotoGP

Quartararo na ponta e Márquez ‘escondido’: MotoGP chega competitiva à Catalunha

No primeiro dia de treinos para o GP de Catalunha, a MotoGP viu 19 pilotos rodando no mesmo segundo do líder Quartararo. Ponteiro na tabela do Mundial, Marc Márquez mudou a tática para os treinos e ‘se escondeu’ em meio a um pelotão competitivo

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
A tradicional competitividade da MotoGP deu as caras já no primeiro dia de treinos para o GP da Catalunha. Nesta sexta-feira (14), Fabio Quartararo liderou o dia inicial de atividades em Montmeló, mas 19 dos 24 pilotos inscritos para esta sétima etapa da temporada rodaram no mesmo segundo do líder. 
 
Além dos 0s991 que cobrem o top-19, são quatro fábricas diferentes no top-4 do resultado combinado dos treinos: Yamaha, Ducati, Honda e KTM. A melhor Suzuki aparece em 11ª, com Álex Rins, enquanto a Aprilia mais rápida tem a 16ª colocação, com Aleix Espargaró.
 
No topo da tabela, Quartararo completou o primeiro dia de atividades satisfeito não só com a Yamaha, mas também com sua forma física, já que foi recentemente operado para tratar a síndrome compartimental.
 
“Não tomei os analgésicos hoje, estou verdadeiramente bem”, relatou Fabio. “Claro que vou tomar alguma coisa para a corrida. Não sei como vai ser a dor, hoje é só sexta-feira. Mas francamente, não esperava estar tão bem somente uma semana após a operação, ressaltou.
Fabio Quartararo (Foto: SIC)
O #20 admitiu sua surpresa com o tempo registrado em Montmeló, mas sublinhou que a pista não está nas condições ideais.
 
“Fiquei realmente surpreso quando vi o tempo no meu painel de tempos”, admitiu. “A pista está muito suja hoje, os tempos estão bastante inferiores aos do ano passado. Eu trabalho muito com o freio traseiro, mas hoje não consegui tocá-lo, pois cada vez que freia, a moto deslizava bastante”, explicou.
 
“Fizemos um bom trabalho na parte da manhã, e nas duas sessões fomos para a pista com todos os tipos de pneus. O ritmo está bom”, assegurou.
 
Mesmo destronado pelo caçula do grid, Andrea Dovizioso fez uma avaliação positiva do primeiro dia em Montmeló, ainda que entenda que têm pontos a melhorar.
 
“Estou satisfeito com a nossa performance neste primeiro dia de treinos”, contou Andrea. “Tive um bom feeling com a moto e nós fomos rápidos. Como frequentemente aconteceu no passado aqui, a aderência é muito baixa e o layout da pista faz a gestão do pneu ser particularmente difícil, especialmente considerando a previsão de temperaturas mais altas no resto do fim de semana”, continuou.
 
“Entretanto, eu acredito que todos estão em dificuldades com esse aspecto”, comentou. “Temos trabalho a fazer antes da corrida: ainda estamos avaliando os diferentes compostos de pneus e nós precisamos melhorar a sensação com a dianteira, mas as minhas sensações são boas e os tempos de volta também, então estou confiante”, completou.
 
Companheiro de Ducati, Danilo Petrucci fechou o dia com o oitavo tempo, 0s520 atrás do líder. O vencedor do GP da Itália destacou a boa sensação com a Desmosedici, mas ressaltou que o time de Bolonha ainda tem trabalho pela frente.
 
“A minha sensação com a moto é bem boa, embora esta manhã nós tenhamos encontrado um problema atípico com a aderência da traseira, o que reduziu nosso programa um pouco”, comentou Danilo. “No Tl2, nós demos um grande passo à frente, embora ainda tenhamos margem de melhora”, seguiu.
 
“Nós ainda estamos longe da frente em termos de ritmo, embora ainda não estejamos em nosso melhor em termos de volta rápido, porque eu tenha dificuldade com a entrada de curva e sinta pouco apoio do pneu traseiro”, relatou. “Nós temos ideias claras em relação às mudanças para fazer nas motos e nós definimos nosso programa de trabalho para amanhã, então estou otimista”, contou.

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No time oficial da Yamaha, o melhor tempo veio com Valentino Rossi, que fez a sétima marca, 0s441 mais lento que o #20.
 
“A pista é boa, gosto bastante e, sinceramente, hoje foi um dia positivo para nós porque me senti bem na moto e pude pilotar bem”, declarou o #46. “Meu ritmo não é ruim, e fui capaz de ficar dentro do top-10 na parte da manhã e de tarde. No TL2 estava quente, mas não me senti mal. É verdade que não estava muito, muito quente, então teremos que ver”, ponderou. 
 
“A primeira coisa é que vamos tentar melhorar amanhã, ainda temos muito trabalho”, pressionou. “Hoje trabalhamos bem e durante a tarde fomos capazes de melhorar a moto. O mais importante é ficar dentro do top-10 amanhã para irmos ao Q2, e após isso veremos o que acontece na classificação”, defendeu.
 
Com 1min40s847, Maverick Viñales acabou em 15º no combinado das duas sessões livres.
 
“A manhã foi muito boa, trabalhamos muito para a corrida. Pareceu que a manhã foi um pouco mais fácil que a parte da tarde, quando sofri um pouco mais em todas as áreas”, comentou o espanhol. “Tentamos muitas coisas de ajuste de corrida, mas não nos ajudou a dar o passo que esperávamos. Entretanto, ainda temos o TL3 para ir ao Q2, então estamos calmos sobre isso, podemos dar boas voltas”, afirmou. 
 
“Essa tarde nós trabalhamos duro para a corrida, mas vamos tentar uma direção diferente no TL4 para ver se podemos avançar mais no domingo”, contou. “No TL3 vamos nos concentrar em sermos rápidos na volta lançada e entrar no Q2. Precisamos continuar o trabalho”, completou.
Andrea Dovizioso (Foto: Ducati)
Chama atenção, porém, o fato de Marc Márquez ter sido o único entre os 24 pilotos que não melhorou o tempo na parte da tarde. Com 1min40s692 como sua melhor volta, o #93 fechou a sexta-feira com o nono tempo, depois de ter sido apenas o 17º no TL2 da tarde catalã.
 
A posição, entretanto, está longe de significar que o pentacampeão da MotoGP está fora da briga na Catalunha. O time comandado por Santi Hernández apenas mudou a estratégia de trabalho nesta sexta.
 
“Nós pensamos menos no resultado e mais em coletar informações”, explicou Márquez. “De manhã, fizemos tempo com pneus novos, mas sabendo que a pista estava suja. De tarde, nós seguimos coletando informações. Nós coletamos boas informações e confio ― e espero ― que a posição não seja a real”.
 
Ainda, Márquez reconheceu que teve problemas com uma peça nova instalada pela Honda na segunda moto na parte da tarde, o que acarretou numa demora maior para acertar a RC213V.
 
“Tivemos algum problema quando mudei a moto, levamos algum tempo para acertá-la. É uma coisa que eu não gosto, claro, mas é compreensível. Santi falou comigo, pois eu estava ficando nervoso e ele sabe que assim, quando eu vou para a pista, o normal é cair. Mas me acalmei e isso não aconteceu”, relatou.
 
O #93 ressaltou, ainda, que a maior preocupação nos boxes da Honda era evitar uma repetição dos erros de Mugello. Apesar de ter conquistado o segundo lugar, Marc entende que cometeu erros em sua preparação, especialmente no que diz respeito a análise dos pneus Michelin.
 
“Eu foquei demais em usar o [pneu] duro e depois me dei conta de que não era o melhor. A estratégia dentro da equipe, nós interpretamos algo errado em Mugello, no Catar também, e temos de tentar entender. Agora nós mudamos a estratégia para ter mais informações dos pneus”.
 
Questionado sobre a performance de Fabio Quartararo, Márquez elogiou o “grande trabalho” do francês.
 
“Em Mugello, tinha problemas no antebraço e, se não tivesse, teria tido opções. Ele vai ser um dos rivais, se já não é, para o futuro. Ele está fazendo funcionar a Yamaha, tirando partido do que os outros não podem. Mas vejo, no momento, as Ducati um pouquinho acima”, completou.

O GP da Catalunha de MotoGP está marcado para o domingo, às 9h (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO.


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