Retrospectiva 2019: Zarco joga futuro pro alto, mas acaba resgatado pela Ducati

Do passe valorizado nos tempos de Tech3, Johann Zarco foi resgatado pela Ducati aos 45 do segundo tempo. Infeliz com a forma na KTM, o francês jogou pro alto uma carreira no time de fábrica e colocou o próprio destino na MotoGP ao vento

Sabe quando um jogador de futebol se transfere do Brasil, onde era sempre titular e goleador, e vai para o futebol europeu para ficar no banco de reserva? Foi mais ou menos isso que aconteceu com Johann Zarco quando ele acertou com a KTM.
 
Depois de estrear na MotoGP com a Tech3 e sua Yamaha, o francês acertou ― de forma bastante precoce, diga-se ― com a KTM por dois anos. Muito embora a fábrica de Mattighofen seja uma força reconhecida mundialmente, especialmente no off-road, é público e notório que a RC16 é um projeto em desenvolvimento. 
 
Mas Zarco se deixou seduzir uma proposta de fábrica e, aparentemente, se iludiu com o desafio que tinha pela frente. A bordo do protótipo austríaco, o bicampeão da Moto2 se mostrou irreconhecível, com resultados bastante distantes daqueles que tinha mostrado a bordo da YZR-M1.
Johann Zarco (Foto: Red Bull Content Pool)
Paddockast #44
RETROSPECTIVA 2019: MUITO QUE BEM, MUITO QUE MAL

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Nas 13 primeiras corridas da temporada 2019, primeiro ano de Johann com a KTM, o francês conseguiu como melhor resultado um décimo lugar no GP da Catalunha, costumeiramente atrás de Pol Espargaró e, às vezes, ameaçado pelo estreante Miguel Oliveira.
 
Insatisfeito, Zarco jogou a toalha e pediu para ser liberado do segundo ano de contrato, ainda que o grid não contasse com vagas em aberto, já que a maioria dos pilotos, principalmente nas equipes maiores, tem vínculo até 2020.
 
O francês explicou que estava infeliz andando tão atrás e não queria apenas ficar ganhando o dinheiro da KTM. A cúpula do time austríaco, aliás, revelou que o pedido para ser liberado foi acompanhado de muitas lágrimas.
 
Inicialmente, Zarco cumpriria o contrato até o fim de 2019, mas a KTM acho melhor encerrar a ligação e, a partir do GP de Aragão, entregou a moto a Mika Kallio, piloto de testes da marca
 
A pé, Johann passou a procurar alternativas: voltar para a Moto2 se apresentava como opção, mas ele deixou claro que achava uma vaga de piloto de testes na MotoGP mais interessante. A Yamaha, então, se apresentou como opção e, quando parecia que estava tudo certo para um acerto entre os dois, o #5, mais uma vez, jogou tudo para o alto e aceitou uma proposta da LCR para substituir o lesionado Takaaki Nakagami nas últimas três corridas de 2019.
 
Embora a decisão o afastasse da Yamaha, Zarco entendeu que valia a pena arriscar, já que existia a possibilidade de abrir uma vaga na Honda. O que acabou mesmo acontecendo.
 
Às vésperas da última etapa da temporada, Jorge Lorenzo anunciou a aposentadoria, deixando uma vaga na Repsol Honda, a equipe principal da marca da asa dourada. Imediatamente, a impressão que se tinha era de que o francês tinha recebido um colete salva-vidas em meio a um naufrágio. Mas a sorte mudou mais uma vez.
 
Apoiado pelo irmão Marc, Alex Márquez acabou sendo escolhido para a última vaga disponível no grid de 2020.
 
Zarco, então, ficou sem ter para onde ir. Segundo consta, a Dorna, promotora do Mundial, passou a ajudar na busca de uma vaga e surgiu o nome da Avintia. O #5, porém, rejeitou a equipe, que considera ― com razão ― pouco competitiva.
 
A estrutura espanhola, todavia, conseguiu um amparo maior da Ducati e, em meio a muitos boatos, demitiu Karel Abraham ― por e-mail ―, numa manobra que abriu caminho para o acerto com Johann. No último dia 9, o bicampeão da Moto2 confirmou que acertou por um ano direto com a fábrica de Borgo Panigale para correr na Avintia. A casa de Bolonha vai fornecer dois engenheiros de pista e dois técnicos em eletrônica ao time, e o francês contará com uma GP19, uma versão, portanto, desatualizada da Desmosedici.
 
Ainda que resgatado, o fato é que Zarco teve um 2019 decepcionante, jogou o futuro pro alto e agora, dentro ou fora do grid, tem condições menos confortáveis do que aquelas que tinha no time comandado por Pit Beirer, ainda que com o amparo de Gigi Dall'Igna. 

O #5 mira o time de fábrica, mas tem concorrência de sobra por essa vaga. Com uma moto 'atrasada' e num grid altamente competitivo, Johann vai ter estabilidade emocional o suficiente para lidar com eventuais resultados negativos? Veremos em 2020.

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