Rossi tira coelho da cartola com recuperação recorde e sai na primeira fila de corrida que pode ser loteria em Aragão

De volta 23 dias após fraturar a perna direita, Valentino Rossi tirou um coelho da cartola e conquistou a terceira colocação no grid de largada para o GP de Aragão atrás de Maverick Viñales e Jorge Lorenzo. A prova no MotorLand, entretanto, tem contornos de loteria por conta do pouco tempo que os pilotos tiveram para avaliar os pneus Michelin em condições ideais

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Valentino Rossi pode até não ser o melhor posicionado na briga pelo título de 2017, mas foi o protagonista deste sábado (23) em Aragão. De volta à YZR-M1 apenas 23 dias após fraturar tíbia e fíbula da perna direita em um acidente num treino de enduro, o italiano conquistou a terceira colocação no grid de largada do MotorLand, apenas 0s180 atrás de Maverick Viñales, o dono da pole, e 0s080 atrás de Jorge Lorenzo, o segundo colocado.
 
Aos 38 anos e recém-operado, Rossi chegou ao circuito de Alcañiz acompanhado por uma muleta, mas sem mostrar grande dificuldade para caminhar, embora ainda manque um pouco. Na sexta-feira, aliás, o piloto da Yamaha removeu a proteção que vem usando na perna direita diante da imprensa pouco após ser questionado sobre os absurdos rumores de que sua fratura é uma invenção criada como estratégia de marketing.
Perna fraturada não foi o suficiente para deixar Valentino Rossi fora de combate (Foto: Divulgação/MotoGP)
Pouco mais de três semanas após a operação, a perna direita do #46 tem aparência relativamente inalterada, já que tem colocação normal e não aparenta inchaço. A principal evidência manipulação cirúrgica é um calombo na região do joelho.
 
“Se quiserem, posso mostrar a radiografia”, respondeu Rossi ao ser questionado em tom de brincadeira sobre os boatos. “Também tenho algo a dizer a respeito disso. Não disseram a verdade. Ela nunca saiu do hospital. Quando essas coisas acontecem, falam muita estupidez. Não estou realmente interessado em mostrar o que aconteceu”, esclareceu o piloto de Tavullia em relação aos rumores de que seus exames teriam sido furtados do hospital.
 

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Nesta tarde, o #46 reconheceu que também ficou surpreso com sua performance na classificação, mas ressaltou que melhora a cada dia. 
 
“É uma surpresa também para mim, também para nós, porque eu não sabia o que esperar”, disse Rossi. “Há uma semana, eu comecei a pensar que talvez fosse possível pilotar em Aragão. Então eu fiz algumas voltas com a R1 e entendi que podia pilotar, mas com muita dor. Mas eu tive sorte, porque a perna melhora a cada dia”, continuou. 
 
“Na sexta-feira, quando pilotei a M1 pela primeira vez, já me senti mais confortável do que na terça-feira, também pela posição na moto. A M1 é mais confortável e melhor para o meu tamanho”, comparou. “Pilotar ontem no molhado não foi tão ruim, não senti muita dor na perna, mas não sabia como seria no seco. Mas já nesta manhã eu me senti muito bem. Posso pilotar, com alguma dor, mas não muita, então posso me concentrar em pilotar. A minha posição na moto não é perfeita, mas é bem próxima da normal. E nós também trabalhamos muito bem com a equipe. Na classificação, me senti bem com a moto e com o segundo pneu pude fazer uma volta muito boa. Começar na primeira fila é importante sempre, mas para mim amanhã é ainda mais importante, porque normalmente é mais fácil da ponta. Ainda precisamos trabalhar um pouco, porque com o pneu da corrida o meu ritmo não é fantástico, mas vamos tentar melhorar amanhã”, avisou.
 
Indagado se acredita que pode dar conta das 23 voltas da prova no MotorLand, Rossi se mostrou positivo e confiante em uma nova melhora em sua condição física.
 
“Na sexta de manhã quando eu acordei, eu tinha dor. Hoje quando acordei, estava já em uma melhor condição. Se continuar assim e amanhã der outro passo, posso lidar com a perna. Eu consigo fazer a corrida. Mas precisamos esperar. Precisamos ver”, ponderou. “Claro, com os pneus da corrida, a moto é um pouco mais difícil de pilotar, mais exigente. A corrida é difícil para todo mundo em condições normais, então certamente terei de sofrer, mas vou tentar”, garantiu.
 
Para estar de volta à pista em tão pouco tempo, Rossi precisou de disciplina. Além do bom trabalho feito pelo Dr. Raffaele Pascarella, o #46 se empenhou em recuperar a forma.
 
“Eu aprendi que, nessas ocasiões, se você é capaz e não tem muita dor, você tem de atacar bastante a lesão”, contou. “O primeiro passo foi fazer a cirurgia depois de algumas horas. Só foi na primeira noite porque o médico veio de Bolonha para Ancona. E, sinceramente, já no dia seguinte eu comecei a colocar o pé no chão. A partir deste momento, eu trabalhei muito duro, no mínimo duas vezes por dia”, relatou. 
 
“Fisioterapia o tempo todo e, especialmente, sendo muito ativo. Começar a mover o joelho, o tornozelo”, explicou. “Acho que por isso e também porque tive sorte, porque a perna não sofreu muito na cirurgia, pois a cirurgia foi feita da maneira perfeita”, completou.
 
Surpresa geral
 
Não foi só Valentino quem ficou surpreso com o terceiro posto desta tarde. Vice-líder do Mundial, Andrea Dovizioso admitiu que não esperava ver o #46 tão forte, mas lembrou que a corrida será diferente.
 
“Quando você roda atrás de Valentino, você o vê muito bem e rápido. Eu esperava vê-lo bem, mas não tanto”, reconheceu Dovizioso. “Temos de esperar a corrida, porque aqui em Aragão os treinos e a corrida não têm nada a ver”, seguiu.
 
“Ser rápido em uma volta e ser durante toda a corrida são coisas diferentes”, concluiu.
 
Colega de Yamaha, Johann Zarco classificou Rossi como “gênio”, mas admitiu que ficou envergonhado e irritado por perder para um piloto lesionado.
 
“Eu disse na quinta-feira que seria uma vergonha para todos atrás dele. Eu aceito e é por isso que estou desapontado e um pouco irritado, porque não é normal que ele esteja na frente”, considerou. “Isso significa que ele é como um gênio, um piloto inteligente e muito bom. Ele sabe como forçar, quando forçar e sabe como acertar a moto, ou o time dele sabe”, seguiu.
 
“Ele está fazendo coisas boas e, pouco antes, eu disse que o respeito, porque, para mim, estou em melhor forma do que ele, e ele está na minha frente, então precisamos trabalhar”, reconheceu.
 
Um dos pilotos que mais se lesionou ao longo da carreira, Dani Pedrosa também se surpreendeu com o multicampeão.
 
“É surpreendente”, resumiu. “Ele baixou de 1min48s. Eu tentei fazer isso e não consegui”, ressaltou.
Maverick Viñales ficou com a pole em Aragão (Foto: Yamaha)
Reconhecido por um retorno igualmente espantoso, Jorge Lorenzo foi mais um a exaltar a recuperação do ex-companheiro de Yamaha.
 
“Outro piloto talvez tivesse encarado com mais calma, mas ele luta pelo Mundial e gosta de estar aqui, gosta deste mundo, e, como ele mesmo disse, é feliz estando aqui, e isso influi muito”, comentou Lorenzo. “A medicina avançou muito nos últimos anos e talvez a lesão tenha sido um pouco menor do que a de 2010. E o motociclismo te permite fazer essas coisas. Não tem impacto físico como o futebol ou o atletismo, você tem de guiar a moto e isso ajuda com que vejamos estas coisas que parecem impossíveis”, continuou.
 
“Me surpreende a recuperação que ele teve. E me surpreende a posição no Q2, ele foi muito rápido, como se não tivesse nada”, declarou.
 

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Atrás de Rossi na classificação, Cal Crutchlow elogiou o italiano, mas negou surpresa com a performance.
 
“Eu o vi nesta manhã. Ele leva mais tempo para ele alcançar velocidade, claro, mas na classificação foi uma volta fantástica do caralho e foi rápido todo o fim de semana”, elogiou. “Honestamente, não esperava nada diferente dele. Eu esperava que ele fosse rápido todo o fim de semana, espero que ele lute pelo pódio amanhã. Ele não vai vir aqui e simplesmente passear”, garantiu.
 
“Vai ter uma onda nova e todo mundo agora vai querer quebrar a perna para poder voltar mais rápido”, brincou.
 
Loteria
 
Com o primeiro dia de treinos realizado com pista molhada e previsão de sol para domingo, os pilotos não conseguiram trabalhar como gastariam na análise dos pneus. Para ajudar, o TL3 ainda teve temperaturas bem baixas e, com a necessidade de marcar tempo para avançar à fase final da classificação, o tempo disponível foi ainda mais reduzido. Nesse cenário, todos concordam que é difícil fazer previsões.
 
Depois de fechar o primeiro dia bastante cabisbaixo, Viñales se mostrou mais animadinho e confiante na performance da YZR-M1.
 
“Amanhã no warm-up nós vamos decidir os pneus para a corrida. No momento, não temos isso claro. Espero que faça calor amanhã e que nós possamos acabar de prová-los para fazermos uma boa escolha”, falou Maverick. “As Honda, tando Marc como Dani, vão estar na briga, mas temos a oportunidade de largar e forçar ao máximo. Vou dar tudo desde a primeira volta para tentar marcar um bom ritmo e escapar um pouco”, avisou.
 
Terceiro colocado na classificação do Mundial, Viñales sabe que precisa partir para o ataque para descontar os 16 pontos de atraso que tem para Marc Márquez e Andrea Dovizioso no topo da tabela.
 
“Tenho a sensação de que devo ir ao máximo em cada corrida, lutar pela vitória. Não resta outra opção”, ponderou. 
 
Segundo no grid, Lorenzo avaliou que participar do Q1 no MotorLand acabou sendo uma vantagem, já que o permitiu completar mais voltas com o pneu macio.
 
“Hoje nós fizemos um trabalho realmente bom e estou satisfeito com o progresso da manhã para a tarde”, comentou Lorenzo. “Tive ótimas sensações tanto no TL4 como na classificação e foi meio que uma surpresa estar na primeira fila se você olhar para os meus tempos da manhã”, seguiu.
 
“Desta vez, foi útil participar do Q1, porque consegui fazer muito mais voltas com o pneu macio e me preparar melhor para o Q2”, avaliou. “Acho que tenho um bom ritmo, mas vai ser muito importante escolher o pneu traseiro e controlá-lo bem durante a corrida. De qualquer forma, estou pronto para fazer uma boa corrida”, completou.
Marc Márquez sofreu duas quedas neste sábado (Foto: Repsol)
No meio da segunda fila, Marc Márquez não ficou nada satisfeito com sua atuação. O #93 caiu na parte final da sessão e desperdiçou a chance de brigar pela pole.
 

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“Não estou feliz, porque foi um erro meu. Eu quis ser mais rápido do que podia”, reconheceu Márquez. “Eu exagerei um pouco demais e, vendo os tempos, acho que, me limitando às minhas situações, poderia ter lutado pela pole”, seguiu.
 
O piloto da Honda explicou que o comportamento da moto muda muito com os vários tipos de pneu e, por isso, é difícil saber o que usar na corrida.
 
“É muito complicado saber que pneu usar e qual será o ritmo de corrida. De um pneu novo para um usado, a moto muda muito, especialmente atrás”, opinou. “É muito difícil entender a corrida. Tem uma grande diferença de tempo e comportamento quando o pneu é novo e desgasta, custa muito e muda o acerto da moto. Temos de entender os pneus”, insistiu.
 
“Viñales é o favorito, porque está na pole, mas Pedrosa também estará na luta e Rossi se aguentar a perna. Também incluo Lorenzo”, listou.
 
Forte ao longo de todo o fim de semana, Pedrosa ficou com o sexto posto no grid e se mostrou confiante até mesmo em lutar pela vitória.
 
“Há chances de brigar pelo pódio e, se trabalharmos muito, podemos incluir a vitória”, falou Dani.  “Temos a dúvida de quais pneus usar e isso afeta diretamente nosso ajuste. Amanhã teremos o warm-up, e mesmo que seja mais frio, teremos que aproveitá-lo ao máximo”, alertou.
 
“Pelo que vi, acredito que Marc está um pouco mais forte e Maverick também”, apontou.
 
Vice-líder do Mundial, Andrea Dovizioso teve o dia mais apagado e ficou apenas em sétimo. Mesmo assim, o italiano manteve a calma e destacou que é difícil prever qual tipo de corrida terá pela frente.
 
“Hoje foi um dia duro. Fazer em duas sessões o que você normalmente faz em quatro não é fácil e nem suficiente”, disse Dovizioso. “A questão não está clara, temos de estudar muitas coisas e trabalhar no acerto”, seguiu.
 
“As minhas sensações não eram boas no TL4 e assim não é fácil fazer uma boa sessão cronometrada. Não me saiu mal se levarmos em conta as sensações ruins do quarto treino livre”, avaliou. “Temos de ver que tipo de corrida temos amanhã, que estratégia uns e outros terão. Não somos os mais rápidos, mas não vamos nos apressar antes de começar a corrida”, acalmou.

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