Todos contra um? Quartararo enfrenta força caseira no GP da Catalunha de MotoGP

Dono da pole-position em Barcelona, o francês mostrou um ritmo de corrida muito bom ao longo dos treinos, mas não está sozinho nesse embalo. Maverick Viñales e Franco Morbidelli estão entre os principais rivais, mas Miguel Oliveira e Joan Mir também têm potencial para brigar pelo pódio

Fabio Quartararo conquistou a quinta pole seguida em 2021 (Vídeo: MotoGP)

Fabio Quartararo tem inimigos conhecidos para encarar no GP da Catalunha. Em grande fase, o francês conquistou neste sábado (5) a quinta pole consecutiva na temporada 2021 da MotoGP, repetindo um fato que tinha acontecido pela última vez em 2014, com Marc Márquez.

Além da posição de honra e do ótimo momento, o histórico é mais um indício do favoritismo de ‘El Diablo’, mas não é só isso. Ao longo dos treinos, Fabio mostrou um ritmo sólido e consistente, o que o credencia como principal candidato ao triunfo nesta sétima etapa da temporada 2021.

Fabio Quartararo faturou a pole para o GP da Catalunha (Foto: Yamaha)

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“A classificação foi ótima”, disse Fabio. “Fiz uma ótima primeira saída, mas, na verdade, minha melhor volta não foi perfeita. Acho que podia melhorar um pouco mais”, seguiu.

“Na segunda saída, tinha preparado o pneu traseiro muito bem, mas aí tinham bandeiras amarelas no terceiro setor. Ainda assim, o mais importante é que estamos na primeira fila, na primeira posição”, comentou.

Fabio explicou que no domingo pela manhã fará mais um teste com os pneus para avaliar qual a melhor opção para o GP.

“Sinto-me muito bem com a moto. No TL4, experimentei pneus diferentes e tive excelentes resultados com os dois. Temos tudo para fazer uma grande corrida”, considerou. “Vamos fazer o warm-up com os mais duros e aí veremos se devemos usar os médios. Não é um problema com os pneus, pois me sinto bem e os coloco na temperatura com facilidade”, relatou.

O piloto de Nice, contudo, não espera poder extrair mais da YZR-M1. “Não acho que tenho potência extra para ser mais rápido. Talvez na corrida ache os recursos para ser mais rápido, mas é uma questão de adrenalina, não da moto”, pontuou.

24 pontos à frente na classificação da MotoGP, Quartararo quer se manter focado, já que sabe pela experiência do ano passado que é cedo demais para comemorar.

Jack Miller vai sair em segundo em Montmeló (Foto: Ducati)

“Temos de ir passo a passo, mantendo o pé no chão, pois comecei forte no ano passado também e aí perdi. Não tenho dificuldades em manter os pés no chão”, avisou.

Um dos destaques desses dias em Barcelona, Franco Morbidelli fechou a classificação com a quinta colocação, 0s256 mais lento que Quartararo. O ítalo-brasileiro mostrou um bom ritmo ao longo de todo o fim de semana e indicou satisfação com o desenho da YZR-M1.

“Foi uma boa classificação para nós e sinto que fizemos três voltas realmente boas, o que resultou na quinta colocação”, falou Franco. “Acho que talvez minha volta que foi cancelada por causa das bandeiras amarelas na segunda saída podia ter sido um pouco melhor, mas nossa performance foi boa e estou feliz com isso”, continuou.

“Agora temos de fazer a escolha correta de pneus para a corrida de amanhã. Vai ser importante fazer uma boa largada, ficar com o grupo e cuidar dos pneus”, alertou. “Me sinto preparado para lutar na corrida e para dar meu máximo. As últimas corridas não foram tão boas quanto gostaríamos, então seria importante conseguir o melhor resultado possível amanhã”, concluiu.

Companheiro de equipe do piloto da moto #20, Maverick Viñales mostrou bom ritmo ao longo dos treinos, mas acabou ficando apenas no fim da segunda linha, em sexto. Ainda assim, o espanhol saiu satisfeito, também pela aparente animação com o início do trabalho com Silvano Galbusera.

“Estou muito feliz com o trabalho feito hoje”, contou. “Acho que conseguimos uma grande melhora no TL3. No TL4, tentamos muitas coisas diferentes. De sexta para sábado, demos um grande salto à frente e queremos tentar dar mais um amanhã”, destacou.

“Me sinto bem. Estamos otimistas em relação ao pódio. Vamos ver”, frisou. “Até aqui, tudo funcionou bem e não estamos sob pressão. Sabemos que leva tempo para melhorarmos nisso nível e estamos trabalhando nisso”, ressaltou.

Arqui-inimiga da Yamaha em 2021, a Ducati colocou dois pilotos na primeira fila. Jack Miller, mesmo com uma queda no final da sessão, assegurou o segundo posto, com Johann Zarco largando em terceiro.

Johann Zarco fecha a primeira fila (Foto: Pramac)

O poderio da Desmosedici na largada é um velho conhecido da MotoGP, daí a expectativa em torno dos dois pilotos.

“Hoje a tarde na classificação, me senti confortável com a moto e talvez tenha me deixado me levar na segunda volta rápida e aí cometi um erro no primeiro setor. Felizmente, a moto me jogou para a frente e não para cima, então não me machuquei”, comentou Miller. “Durante o dia, conseguimos achar algo que nos permitiu dar um passo a frente, o que me ajudou a ir do Q1 para o Q2”, sublinhou.

“No TL4, fiz 17 voltas seguidas com os mesmos pneus e permaneci em 1min40s, então acho que nosso ritmo para a corrida é bom. Claro, 24 voltas é muita coisa, mas acho que podemos controlá-los bem, então estou confiante para amanhã”, afirmou o australiano.

Zarco, por sua vez, entende que ele e Jack terão de trabalhar juntos para impedir a fuga de Quartararo no início da disputa.

“Começar na primeira fila será crucial amanhã”, comentou. “Jack e eu temos de tentar impedir Fabio de escapar, porque o ritmo de corrida dele é notável. Tenho uma boa sensação e estou confiante. No entanto, preciso dar mais um passo”m reconheceu.

Fechando a terceira fila do grid catalão, Francesco Bagnaia não saiu muito satisfeito dos treinos, mas não está necessariamente insatisfeito com a performance da GP20.

“Depois de um início de dia positivo, não curti muito nesta tarde. Tanto no TL4 quanto na classificação, o vento me incomodou um pouco”, relatou. “De qualquer forma, esta manhã o nosso ritmo era bom, então estou confiante para a corrida. A meta para amanhã será ter uma boa largada e recuperar algumas posições imediatamente. Vai ser uma corrida longa e teremos de controlar bem os pneus para sermos competitivos, especialmente nas últimas voltas”, considerou.

Yamaha e Ducati, porém, não serão protagonistas únicas, especialmente na briga pelo pódio. Confirmando a evolução apresentada pela KTM, Miguel Oliveira garantiu a quarta colocação no grid e vai focar em uma boa largada ― algo que já provou ser capaz de fazer neste ano ― para tentar um resultado.

Maverick Viñales mostrou bom ritmo, mas vai só fechar a segunda fila (Foto: Yamaha)

“Foi um dia positivo. É a melhor classificação da temporada até aqui. Tivemos um TL3 forte, mas as condições foram um pouco mais difíceis de tarde. Ainda fiz o tempo de volta e aí fui um pouco infeliz com as bandeiras amarelas na curva 10 no Q2”, afirmou Miguel. “Vamos abrir a segunda fila do grid amanhã e torço por uma boa largada para terminar a corrida forte neste fim de semana”, avisou.

Campeão vigente, Joan Mir ficou mais atrás e vai largar em décimo, mas ainda assim acredita que pode escalar o pelotão. O espanhol, contudo, ressaltou que não está satisfeito com a performance da GSX-RR em volta rápida.

“As sensações voltam a ser boas, a moto vai bem, mas não pude fazer mais no Q2, o que é uma pena. Estou sempre decepcionado aos sábados depois da classificação”, disse Mir. “Acho que amanhã poderemos fazer uma boa corrida se eu me colocar bem nas primeiras voltas”, ponderou.

O campeão vigente, porém, espera poder usar o warm-up na manhã de domingo para melhorar mais um pouco a GSX-RR.

“Em termos de aderência, não tenho a melhor sensação, não é o melhor nesta pista, e isso não está me ajudando com o pacote que nós temos. Existe margem de melhora e tenho certeza que a equipe fará um bom trabalho neste aspecto de hoje para amanhã”, confiou.

Mir disse ainda que não acredita que a vitória já esteja nas mãos de Quartararo, mas reconheceu que ele não é o principal candidato a destronar o francês.

“Vai ser muito difícil lutar pela vitória. A MotoGP mudou muito nos últimos anos. Assim, posso chegar ao pódio, mas é difícil alcançar a vitória”, indicou. “Temos de largar mais na frente se queremos vencer corridas. Aos domingos, normalmente somos mais fortes ou entre os mais fortes, mas nos falta a volta rápida no sábado. Não gosto nada dos sábados, estou sempre assim”, sublinhou.

“Acho que ele pode ser batido. Têm alguns pilotos que podem pará-lo. Não acho que ele tenha a corrida vencida, mas, sinceramente, ele larga na frente e tem um bom ritmo, então é muito complicado”, avaliou. “Se você tem ritmo e larga atrás, você pode chegar. Ano passado, estivemos perto de conseguir [foi segundo]. Seria difícil chegar na ponta, mas vou dar tudo. Não acho que ele tenha a vitória assegurada”, encerrou.

A largada para o GP da Catalunha, sétima etapa da temporada 2021 da MotoGP, acontece neste domingo (6), às 8h (de Brasília). Acompanhe a cobertura do GRANDE PRÊMIO sobre o Mundial de Motovelocidade.

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