Rossi apoia punição, mas critica relargada para cinco voltas na Moto3: “Roleta-russa”

Piloto mais experiente do grid do Mundial de Motovelocidade, italiano evitou focar as criticas em Deniz Öncü, mas ressaltou que os jovens pilotos têm apresentado um comportamento reprovável nas classes menores. O multicampeão também avaliou que não era inesperado que algo errado acontecesse em uma corrida de apenas cinco voltas na Moto3

Grave acidente envolveu diversos pilotos da Moto3 e encerrou a prova (Vídeo: Reprodução/DAZN)

Valentino Rossi considerou que uma corrida de só cinco voltas na Moto3 é a mesma coisa que uma “roleta-russa”. O italiano apoiou a suspensão de Deniz Öncü por duas corridas após o acidente do GP das Américas, mas considerou que os comissários da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) precisam ser severos com os jovens pilotos.

A corrida de Austin da classe menor contou com duas interrupções em bandeira vermelha. A primeira aconteceu na volta 7, após uma queda feia de Filip Salac. Como os pilotos ainda não tinham completado 2/3 da corrida, a decisão foi reiniciar a disputa, mas para um sprint de apenas cinco giros.

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MOTO3; ACIDENTE; CIRCUITO DAS AMÉRICAS;
Acidente gravíssimo encerrou corrida da Moto3 com bandeira vermelha nos EUA (Foto: Reprodução)

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Desta vez, porém, a corrida foi interrompida após um acidente muito mais grave. Deniz Öncü fechou Jeremy Alcoba, que caiu no meio do pelotão após um toque na roda dianteira. Andrea Migno e Pedro Acosta foram vítimas do tumulto, com o líder do Mundial sofrendo uma queda muito feia.

Segundo contou ao diário espanhol AS, Pedro voou a uma altura de seis metros e percorreu 50 metros entre o ponto que foi ejetado da moto até parar no chão.

Apesar do enorme susto, os pilotos escaparam sem maiores lesões, já que as motos foram as únicas atropeladas. Ainda assim, a opção foi encerrar a disputa e validar o resultado da corrida original, apesar de os chefes de equipe terem debatido a realização de um novo sprint de cinco voltas. Assim, Izán Guevara ficou com a vitória.

Assustado com o acidente, Andrea Migno desabafou e cobrou mudanças do esporte. O italiano definiu o acidente como “potencialmente mortal”.

Pouco depois do encerramento das atividades em Austin, a FIM anunciou a suspensão de Öncü por duas corridas ― os GPs do Feito na Itália e da Emília-Romanha e do Algarve. A pena dura chega na esteira de três acidentes fatais com pilotos jovens no intervalo de 118 dias: Jason Dupasquier foi vítima de um acidente na classificação da Moto3, em Mugello; Hugo Millán se acidentou na corrida da Talent Cup Europeia, em Aragão; e Dean Berta Viñales morreu em consequência de um atropelamento na corrida do Mundial de Supersport 300, em Jerez de la Frontera.

Falando à imprensa após o GP das Américas, Rossi considerou que a situação na classe menor está “fora de controle” e apoiou a punição severa, mesmo que tenha evitado apontar unicamente para Öncü.

“Não quero falar de Öncü ou outro piloto, mas, para mim, a punição é correta”, disse Rossi. “Eles tinham de fazer alguma coisa. Passar duas corridas em casa é o mínimo, pois eles têm de fazer alguma coisa séria, pois a situação, para mim, está completamente fora de controle”, seguiu.

O italiano, porém, ressaltou que a relargada foi um erro, já que era certo que a corrida terminaria em confusão.

“Para mim, eles cometeram um erro hoje, pois fizeram a relargada da Moto3 para cinco voltas. E é muito perigoso fazer só cinco voltas. É como uma roleta-russa”, comparou. “Mas, fora isso, Öncü se moveu na reta, quando sabia que tinha outro piloto atrás, e cortou a linha. É, potencialmente, um acidente mortal. Fiquei muito assustado por todo mundo”, comentou.

“Acosta teve uma queda terrível e tiveram muita sorte de que nada aconteceu”, reconheceu. “Precisam fazer algo sério com esses jovens desde o início. A situação precisa mudar antes que algo aconteça. As corridas de moto são muito perigosas para ainda termos esse comportamento na pista. Você precisa respeitar a sua segurança e a segurança do seu rival, e isso é mais importante do que ganhar uma posição, pois aqui você brinca com a vida de jovens e é um desastre em potencial”, ponderou.

Jack Miller, que já na quinta-feira tinha feito declarações fortes por conta do alto índice de mortalidade dos últimos meses, acompanhou Rossi e considerou que poderia ter sido um acidente ainda pior.

“Aquilo não foi uma infelicidade. Foi um movimento flagrante em linha reta”, declarou Miller. “Merdas assim têm acontecido ao longo de todo o ano. Olhando para Barcelona neste ano, por exemplo, foi uma corrida em que eu fiquei com o coração na boca por causa de movimentos deste tipo na reta. Hoje, honestamente, foi muito, muito ruim. Fico muito feliz que os rapazes tenham escapado, especialmente Acosta e Migno, que eram espectadores inocentes daquela coisa toda”, comemorou.

“Eles estavam apenas tentando usar o vácuo como seres humanos normais e aí os idiotas da frente foram bater um no outro e colocaram um moto no meio da linha”, disparou. “Acho que demos sorte de ter acontecido aqui no Texas, onde temos uma reta que dá para pousar um Boeing 747, larga assim. Isso dá muito espaço para o pessoal desviar, mas se acontecesse em Jerez, acho que o resultado não teria sido este”, ressaltou.

“Com certeza, acho que isso e o fato de estarem pensando em recomeçar a corrida mais uma vez foi uma estupidez”, criticou.

MotoGP volta às pistas no próximo dia 24 de outubro para o GP do Feito na Itália e da Emília-Romanha, em Misano. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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