Viñales aplaca críticas, mas dúvida sobre performance segue mesmo com vitória

O espanhol da Yamaha engrossou o caldo da temporada 2020 ao se tornar o sexto vencedor diferente em sete corridas. O resultado melhora a situação do espanhol no Mundial, mas o método de trabalho segue levantando questionamentos

Maverick Viñales achou um jeito de acalmar as críticas pela performance exibida na temporada 2020. Após sair do GP de San Marino e da Riviera de Rimini bastante questionado, o espanhol da Yamaha conseguiu recolocar o campeonato nos trilhos com uma vitória em Misano neste domingo (20).

Numa espécie de ‘spin-off’ da classificação de sábado, Maverick de novo figurou como herdeiro de Francesco Bagnaia. Assim como aconteceu no dia anterior, foi o azar do italiano que promoveu o ‘Top Gun’ ao topo da tabela, mas desta vez foi pior do que uma volta anulada por exceder os limites da pista: Pecco caiu com sete giros para o fim.

Postulante ao lugar de Andrea Dovizioso na Ducati, o italiano de Torino se instalou no comando da disputa no circuito Marco Simoncelli ainda na volta 6 e logo conseguiu abrir vantagem. Maverick, contudo, se manteve empenhado em manter a diferença em uma margem alcançável, mas sem conseguir fazer avanços contra Pecco, que conta com uma moto um tanto mais veloz que a YZR-M1 ― o Desmosedici #42 bateu 300 km/h em Misano, contra 288,7 km/h da Yamaha.

Maverick Viñales venceu com sobras na Emília-Romanha (Foto: Yamaha)

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Não fosse a queda de Pecco, Viñales conseguiria encerrar um jejum que vinha desde o GP da Malásia do ano passado? Nem ele soube dizer. Mas o fato é que a sorte, ao menos desta vez, esteve ao lado do piloto de Figueres.

Ao receber a bandeirada na segunda corrida do ano em Misano, Maverick se ergueu na moto e tratou de fazer sinal de silêncio. Estaria ele calando os críticos?

“Só disse a mim mesmo, pois preciso me acalmar um pouco, especialmente vencendo a corrida. Tenho essa mentalidade de querer sempre estar na frente, então, quando a corrida não sai como eu gostaria, fico muito agitado. Só disse para mim mesmo, para mais ninguém”, disse Viñales. “Honestamente, estou muito feliz, pois pude forçar desde o início, o que é o mais importante, e aí consegui manter um bom ritmo. Fomos rápidos no fim da corrida, tentei levar a moto até o final e só. Sentia-me muito forte desde a volta 8. Melhoramos bastante e precisamos prestar muita atenção no que fizemos neste fim de semana, pois senti-me fantástico desde a primeira volta”, seguiu.

O piloto, porém, negou que este seja o ‘retorno de Maverick Viñales’: “Maverick nunca se foi. Está sempre aqui. Só precisa tentar tirar o máximo da moto, especialmente na corrida”.

Apesar de a vitória ter abafado as críticas, ainda é difícil entender Maverick completamente. Na sexta-feira, o espanhol apontou que a Yamaha não melhorou nada em três anos os problemas de aderência na traseira e falou em começar a trabalhar com a dianteira. Um trabalho que deu resultados na costa Adriática da Itália.

“Mudamos muito o equilíbrio da moto. Logo de cara me senti muito melhor para frear, pude extrair todo o potencial que temos na moto para frear e em termos de velocidade de curva. Aumentamos a confiança na dianteira”, explicou. “Fiquei muito feliz ontem, pois fizemos uma volta excepcional. Hoje tive um ritmo muito constante, especialmente no início da corrida, forcei bastante para quebrar o grupo. Era isso que estava na minha cabeça”, contou.

Na tarde de sábado, Maverick não teve puderes em culpar um integrante da Yamaha pela escolha errada do pneu traseiro duro para o GP de San Marino da semana passada, mas a eleição dos calçados é uma tarefa na qual a palavra final vem de quem vai subir na moto. Portanto, quem quer que seja o funcionário da marca dos diapasões criticado por Viñales, ele não errou sozinho.

Mas não é só isso. Maverick falou ao longo do fim de semana em mudar o método de trabalho para pensar na corrida. Mas no que mais ele deveria pensar se os pontos são distribuídos apenas pelo que se faz no domingo?

“Normalmente, você não trabalha realmente para a corrida, por que não usa o tanque cheio. Só enche o tanque para o warm-up. Depois do warm-up, você entende a realidade. Isso é algo que mudamos neste fim de semana”, explicou. “Cada saída, no TL1, no TL2, foi um pouco mais no acerto da corrida. Não no acerto da corrida realmente, mas muito próximo. Foi isso que mudamos e parece que foi bom, então vamos tentar repetir na próxima corrida”, completou.

Viñales é rápido e já mostrou que tem talento, mas talvez precise mudar a maneira de trabalho para encontrar a consistência necessária para brigar pelo título de MotoGP.

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