Viñales aproveita melhor chance para aplacar seca na Austrália, mas problemas da Yamaha persistem

Maverick Viñales conseguiu aproveitar a melhor chance da Yamaha nesta reta final de temporada para colocar fim a uma estiagem de 491 dias, mas o triunfo deste domingo (28) em Phillip Island não marca fim dos problemas da YZR-M1

491 dias depois da vitória de Valentino Rossi no GP da Holanda de 2017, a Yamaha, enfim, voltou a sentir o sabor da Cava no pódio da MotoGP. Neste domingo (28), Maverick Viñales não deixou passar a melhor chance da casa de Iwata nesta reta final de temporada e, mesmo depois de uma largada ruim, conseguiu se recompor para receber a bandeirada com 1s543 de vantagem para Andrea Iannone, o segundo colocado.
 
Em um ano bastante difícil para a equipe dos três diapasões, o traçado de Victoria aparecia quase como uma luz no fim do túnel. Afinal, o retrospecto era positivo. Na era da MotoGP, são quatro vitórias da M1 em Phillip Island ― três com Valentino Rossi e uma com Jorge Lorenzo. Além disso, o #46 e Viñales terminaram o GP da Austrália do ano passado em segundo e terceiro, respectivamente, com Johann Zarco colocando uma terceira Yamaha dentro do top-5.
 
Em 2014, a Yamaha dominou o pódio australiano com Rossi, Lorenzo e Bradley Smith. Mas aquela foi a última vez que a casa de Iwata se apresentou assim dominante.
Maverick Viñales encerrou jejum de vitórias em Phillip Island (Foto: Divulgação/MotoGP)
A realidade deste ano, porém, é bastante diferente. Rossi e Viñales vêm sofrendo para encontrar soluções para a performance da moto, que tem falhar tanto em termos de eletrônica, quando de motor ― que é congelado no início do ano e, portanto, não pode evoluir.
 
Além das próprias fraquezas, a Yamaha também enfrenta um dos grid mais fortes da história da MotoGP, não só pela alta qualidade dos pilotos, mas também pelo desempenho das fábricas. A Ducati, por exemplo, cresceu muito nos últimos anos e, assim, conseguiu superar a gigante japonesa.
 
O resultado em Phillip Island marca o fim de uma seca de 25 corridas, a mais longa estiagem da história da Yamaha na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. Do lado motivacional, o resultado desta 17ª etapa da temporada 2018 pode representar um impulso extra para o time e, especialmente para Maverick ― que vinha se mostrando um tanto desnorteado ―, mas não representa uma ‘cura’ milagrosa para as deficiências do protótipo 1000cc.
 
Ao receber a bandeirada na frente pela primeira vez desde o GP da França do ano passado, disputado a mais de um ano e cinco meses, Maverick mal se conteve e não escondeu o alívio por voltar ao topo do pódio.
 
“Finalmente, finalmente! Agora eu posso curtir depois de um ano muito duro”, desabafou Maverick. “São muitas emoções, foi difícil mentalmente, estive mal durante toda a temporada, nunca pude dar 100%, é a primeira corrida em que posso fazer isso. Não tenho palavras. Quero agradecer todas as pessoas que me apoiaram em momentos tão duros. Às vezes, não é fácil não se dar por vencido, mas eles seguiram me empurrando e deram tudo de si”, continuou, emocionado.
 
O início da corrida, no entanto, não foi dos mais fáceis para o espanhol. “Fiquei travado por Marc e Johann na saída, não consegui acelerar e fiquei para trás”, contou. 
MotoGP teve corrida movimentada na Austrália (Foto: Divulgação/MotoGP)
Desta vez, porém, Maverick conseguiu guiar mais a seu gosto. “Fui muito agressivo, em outras corridas eu não podia ultrapassar e aqui fui de décimo a quinto em cinco voltas com aderência na traseira. Eu me sentia muito bem na moto. No fim, pequei um pouco por querer conservar demais o pneu, mas estou contente. Foi incrível”.
 
Mesmo exultante, Viñales aproveitou para repetir a pressão que tem aplicado na Yamaha nas últimas semanas. Afinal, o espanhol quer protagonismo no desenvolvimento da moto.
 
“Espero que a Yamaha veja que podem vencer corridas comigo e façam um pequeno esforço para me darem uma moto mais competitiva no ano que vem”, disparou.  “Acabamos com a seca, que era consequência de não termos trabalhando bem durante todo o ano. Este fim de semana, nós fomos bem desde sexta-feira, trabalhando com a mesma moto”, ressaltou.
 
“A vitória repara o momento, mas não a temporada. É verdade que era muito importante conseguir uma vitória, porque sofremos muito, mas já foi e vamos ver do que seremos capazes até o fim da temporada”, comentou. 
 
Questionado sobre a posição de Valentino Rossi, que afirmou no sábado que, ainda que a Yamaha vencesse em Austrália, Malásia e Valência, os problemas não estariam resolvidos, Viñales respondeu: “Eu concordo com ele. Temos um ótimo chassi, mas precisamos mudar a eletrônica e o motor”. 
 
“Eu realmente amo o chassi, depois de hoje sei que posso ser bastante veloz com um chassi que se adéqua ao meu estilo de pilotagem, mas existem muitas coisas que precisam melhorar”, concluiu.
 
Ao contrário do companheiro de equipe, Rossi fez uma corrida de mais para menos e recebeu a bandeirada apenas em sexto, 5s132 atrás de Maverick.
 
“Eu sofri muito durante toda a corrida, porque a moto patinava muito atrás. Com dez voltas para o fim, a aderência caiu muito, especialmente na saída das curvas para esquerda. No fim, de fato, tive de diminuir o ritmo por causa disso, algo que aconteceu em todo o fim de semana”, ressaltou. “O resultado é decepcionante, porque eu esperava poder lutar pelo pódio. Na volta de formação, o pneu traseiro já começou a derrapar e me dei conta de que seria duro. Nós trabalhamos muito para tentar minimizar isso. Também acontece com Maverick, mas ele não perde tanta tração. Eu estava mais lento que ele”, reconheceu.
 
Assim como já tinha feito ontem, Rossi frisou que a vitória não altera a situação da Yamaha.
 
“É positivo para a Yamaha, porque ela já estava sem vencer faz muito tempo. A vitória de Maverick é um bom resultado para todos, uma injeção de moral, mas não muda muito as coisas”, ponderou.

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