MotoGP

Yamaha encerra seca na Holanda, mas dúvida persiste: é a nova regra ou mais uma exceção?

Depois de nove corridas jejuando, a Yamaha voltou ao topo do pódio da MotoGP com Maverick Viñales e se tornou a quarta vencedora diferente na temporada 2019. Apesar do bom passo, a dúvida persiste: a YZR-M1 na ponta é a nova regra ou Assen foi uma exceção?

Grande Prêmio / JULIANA TESSER, de São Paulo
A MotoGP tem quatro fábricas diferentes no rol dos vencedores em 2019. Com o triunfo de Maverick Viñales no GP da Holanda deste domingo (30), a Yamaha se juntou a Ducati, Honda e Suzuki e encerrou um jejum que vinha desde a Austrália no ano passado, também com o espanhol.
 
Historicamente, Assen é um circuito favorável à casa dos três diapasões. Na era dos motores quatro tempos, a Yamaha agora acumula dez vitórias. E com quatro pilotos diferentes: Valentino Rossi, Jorge Lorenzo, Ben Spies e Viñales. A Honda, por sua vez, tem sete triunfos, contra um da Ducati. A Suzuki venceu pela última vez na província de Drenthe com Kevin Schwantz em 1993, ainda na era das 500cc.
 
Mas, certamente, não foi o histórico que definiu o vencedor deste domingo. Além de Viñales ter feito muito bem o seu papel, o YZR-M1 se mostrou forte, com quatro de suas cinco motos no top-5. Dono da pole, Fabio Quartararo sofreu com sua condição física ― já que ainda se recupera de uma cirurgia no braço direito ― e acabou em terceiro ― o segundo pódio seguido para o novato ―, enquanto Franco Morbidelli garantiu a quinta colocação, 14s467 atrás do vencedor. A exceção foi Valentino Rossi. 14º no grid, o italiano caiu na curva 8 ainda na quinta volta e, de quebra, ainda coletou Takaaki Nakagami.
 
Embora a vitória seja um sinal positivo em meio a uma fase meia boca da Yamaha, a dúvida segue: ver a YZR-M1 na ponta é a nova regra ou foi só mais uma exceção?
 
Muito embora Viñales e Quartararo tenham rodado bem ao longo de todo o fim de semana, Rossi sofreu durante todos os dias. E aí a gente pode até debater se é ou não o piloto, mas, antes, é preciso lembrar que isso já aconteceu outras vezes. No início do ano, quando Valentino ia bem, Maverick é quem aparecia arrastando corrente.
 
Ainda no sábado, o #46 foi questionado sobre essa situação e brincou: “A Yamaha tem uma moto boa. Agora é a vez de Maverick pilotá-la”.
Maverick Viñales venceu em Assen (Foto: Repsol)
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Enquanto a Honda ― nas mãos de Márquez, é bom que se diga ― é um primor de regularidade, a Yamaha peca nesse sentido. E Ducati e Suzuki, em maior ou menor grau, sofrem do mesmo mal. 
 
Falando à imprensa após a corrida, Viñales avaliou que não foi a moto que mudou. O #12 considera que também passou por uma importante mudança pessoal.
 
“Estou supercontente. Em poucas palavras, eu poderia descrever o que sinto agora mesmo, porque, já há algumas semanas, tudo na minha vida está funcionando muito melhor. Estou encontrando um rumo, um caminho. Me sinto muito querido em casa, isso é o mais importante, e é muito importante para a minha cabeça. Poder chegar em Assen e arrematar o domingo foi espetacular”, disse Viñales ao braço espanhol do serviço de streaming DAZN. “Em Montmeló, eu já encontrei um pouco mais de estabilidade e já pude desfrutar no fim de semana. Fiquei com um sabor agridoce, mas sabia que, se trabalhasse duro, Assen era uma pista melhor do que Montmeló. Uma vez que tive a oportunidade, aproveitei. Não queria deixar escapar, porque nunca se sabe quando voltará a acontecer”, seguiu.
 
“A sensação que eu tenho é que eu mudei mais do que a moto. Eu mudei muitíssimo a minha maneira de pensar, de piloto do meu jeito, mais livre e mais agressivo. Em Montmeló, já fizemos uma boa mudança no acerto, me senti muito melhor. Vou tentar pilotar sempre do meu jeito”, avisou. 
 
Ainda, Maverick quis agradecer a Yamaha pelo trabalho das últimas semanas, especialmente após o GP da Itália.
 
“A equipe fez um bom trabalho com base na estratégia e na classificação. Eu agradeço a eles e a Yamaha, que, desde Mugello, fez uma grande mudança, uma revolução dentro dos boxes. E isso está funcionando”, comentou. 
 
Líder do Mundial e com ainda mais folga, Márquez alertou para o crescimento da Yamaha, ainda que saiba que terá uma performance melhor na Alemanha, um dos circuitos ‘canhotinhos’ onde ele costuma se destacar.
 
“Na Alemanha vai ser bom, melhor do que aqui, mas a Yamaha não vai estar longe. Não sei o que eles fizeram, mas já são vários pilotos que vão bem e muito rápido”, frisou. “Eles se queixavam de tração, mas tracionaram melhor do que nós. Foi nisso que fizeram tempo no terceiro setor, muito melhor do que nós, escaparam sempre, embora também seja verdade que eu me sentia mais forte em outras curvas”, ponderou.
 
“Era um fim de semana difícil. Podemos ficar muito contentes com o resultado”, avaliou.
O resultado do GP da Holanda de MotoGP (Arte: Michelin/Grande Prêmio)


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