Zarco evita comparações, mas diz: “Importante estar na frente de Lorenzo”

Johann Zarco não quis comparar sua atuação com a de Jorge Lorenzo no GP da Austrália, mas considerou que foi importante não ser a última Honda. O #5 fez um balanço positivo da estreia com a LCR

Johann Zarco fez uma avaliação positiva de sua estreia com a LCR. O francês terminou o GP da Austrália na 13ª colocação e foi a terceira Honda em Phillip Island, já que Jorge Lorenzo ficou apenas com o 16º posto.
 
Falando à imprensa após a corrida, Zarco contou que a instrução da Honda foi clara antes da corrida em Phillip Island: se divirta e não crie ilusões. Johann ainda busca uma vaga para 2020 depois de abandonar o acordo com a KTM.
 
“Antes de mais nada, sou grato por esta oportunidade”, disse Zarco. “Honda me disse para não ter ilusões em relação ao futuro, pegar essa corrida e aproveitar. E eu estou pegando essa corrida e até mesmo checando opções para o meu futuro, falando com outros times na Moto2. Por que não?”, continuou.
 
Zarco, que está substituindo Takaaki Nakagami enquanto o nipônico se afasta para fazer uma cirurgia, disse que se desculpou com Alberto Puig, chefe da Honda, por estar tão atrás, mas relatou que o dirigente se mostrou satisfeito com a performance.
 
“Eu disse ao Alberto que lamento que os dois primeiros caras sejam na Honda e eu, eu estou numa Honda, mas atrás na classificação. Então eu me desculpei. Mas ele disse para não me preocupar, que na Malásia será diferente”, contou. “E, como eu disse, é verdade que tive de reaprender muitas coisas, então seria muito fácil se eu pudesse lutar com Cal [Cruthclow] na primeira corrida. Então eu agradeço a ele, pois para mim, sinto que não foi super bom, mas se eles estão satisfeitos com o trabalho, é só uma coisa positiva para mim”, comentou.
Johann Zarco (Foto: Divulgação/MotoGP)
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Questionado se terminar sua primeira corrida com a Honda 39s na frente de Jorge Lorenzo dava uma satisfação especial, Johann respondeu: “Não. Precisaria de algum ego [para isso]”.
 
O #5 explicou que achava “importante” não ser a última Honda na tabela, mas explicou que seu foco era o atraso em relação a Marc Márquez e Cal Crutchlow.
 
“Sim, é importante estar na frente de Jorge, mas, para mim, o mais importante é ter um atraso menor para Marc. E, se acabei de checar Marc, ok, ele colocou 11s para o segundo colocado, então, no fim, comparado com Cal, já tenho um pouco menos”, ponderou. “Mas, para mim, 26s no fim da corrida é demais. Acho que eu estaria mais satisfeito se eu estivesse cerca de 16s com esse grupo de quinto a décimo. Mas também, entendemos o motivo de não alcançar esse grupo”, continuou.
 
“Não sou a pior Honda, mas com o que sinto e com todas as decisões que tomei desde o verão, não é a questão de ter a melhor moto, mas ficar na mesma posição. É dar um passo à frente. É verdade que não lutei com Pol [Espargaró] o ano todo, então hoje foi um passo melhor. Pois fiz a corrida, foi possível batê-lo. Ele só fez um bom trabalho. As coisas estão acontecendo”, avaliou.
 
Zarco terminou o GP da Austrália na 13ª colocação, depois de brigar com Pol Espargaró nas voltas finais pelo 12º posto.
 
“O time também está bem feliz. Tive um bom espírito de luta e tentei meu melhor, e o bom é o feeling que tive com a moto”, apontou. “Não tive um feeling pior, ele permaneceu muito constante do início ao fim da corrida, só em aceleração que era difícil controlar. Talvez tenha usado muito o pneu ou não, pois Marc venceu com o macio, então isso significa que o macio era um bom pneu”, comentou.
 
“E, no geral, ele venceu com 11s de vantagem para o Segundo lugar. Então é possível controlar alguma coisa, mas ainda não sou capaz de fazer isso. Sinto coisas na moto nas quais vou trabalhar para poder controlar melhor essa moto e tenho de ficar feliz”, falou. “Como eu disse, foi meio irônico lutar com Pol, a única KTM restante, minha primeira corrida com a Honda, e era com ele que eu estava lutando. Mas nós estávamos sorrindo no final da corrida, pois dissemos, talvez ele tenha sentido que eu tinha a possibilidade de ser mais rápido, mas disse: ‘Não, não, você fica atrás, pelo menos em uma corrida!’”, brincou.
 
“Esta é uma pista enorme, muito rápida. Como Marc disse na coletiva de quinta-feira, você precisa de confiança. Se não tem confiança, é quase melhor que não tente”, comentou. “E eu tive de reaprender tudo isso, 300 km/h, lutar com os caras, manter o ritmo, fazer 27 voltas e ter a confiança na entrada da curva em todas as áreas. Então foi um bom trabalho e é normal estar insatisfeito. É normal estar insatisfeito, mas, pensando de onde venho, posso curtir o resultado de hoje”, admitiu. 
 
Zarco considerou que atingiu seu limite pessoal em Phillip Island, mas avaliou talvez possa extrair mais da versão 2018 da RSC213V nas próximas corridas.
 
“Com certeza, eu estava no meu limite para a corrida, mas talvez não no limite certo da moto”, opinou. “E o que melhorei entre sábado e agora, é por fazer voltas. Pois, na sexta-feira, eu entendi que podia fazer coisas melhores nas curvas, eu estava fazendo três ou quatro voltas e aí tinha de descansar por uma volta, forçar de novo por uma volta e aí descansar uma volta”, contou.
 
“Agora eu fiz 27 voltas focado, lutando, porque tive de lutar com pol. E é verdade que com Pol, no início, o ritmo estava ok e nós éramos rápidos”, considerou. “Foi possível ser ainda mais rápido com [Francesco] Bagnaia, [Franco] Morbidelli, [Joan] Mir. Mas, como estávamos lutando, nós perdemos tempo. Mas o foco estava lá e eu fiz todas as voltas corretamente. E eu não tive aquela sensação de exaustão de que teria de desistir”, concluiu. 


 

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