Outras

Autódromo de Curitiba confirma venda, construção de condomínio e fim das atividades em junho de 2016

Por meio do seu site oficial, o Autódromo Internacional de Curitiba divulgou um comunicado no qual apenas confirma o que já se esperava: que as atividades do circuito, um dos mais tradicionais do Brasil, vão se encerrar neste ano, uma vez que seus proprietários venderam a área para a construção de condomínio
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 A Stock Car desembarca em Curitiba para a décima etapa da temporada 2015 (Foto: Duda Bairros/Vicar)
Não chega a ser uma surpresa, uma vez que a notícia ganhou força no fim do ano passado, quando os proprietários do Autódromo Internacional de Curitiba confirmaram a intenção de vender a área que abriga um dos circuitos mais tradicionais e importantes do Brasil. Mas na última quinta-feira (14), o site oficial do autódromo confirmou a transação e a venda do empreendimento, que vai se tornar um condomínio residencial e empresarial numa das áreas mais valorizadas de Pinhais, na região metropolitana da capital paranaense.
 
“Conforme informações já prestadas anteriormente, estamos sacramentando a utilização da área do AIC (Autódromo Internacional de Curitiba) para um empreendimento imobiliário misto, justamente com duas empresas paranaenses, que se transformará, com certeza, num dos mais belos projetos urbanos do país e será um orgulho para Pinhais, Curitiba e o Paraná”, diz o comunicado assinado por Jouvenal de Oms, um dos coproprietários do empreendimento.
 
Jouvenal, conhecido como Peteco, é sócio do empreendimento ao lado de Fortunado José Guedes. Oms listou os tópicos da viabilização do novo projeto que vai ocupar o terreno do Autódromo Internacional de Curitiba, embora tenha frisado que o circuito será mantido, porém a pista vai receber apenas eventos especiais.
Muito em breve, as corridas em Curitiba serão apenas imagens de arquivo (Foto: Duda Bairros/Vicar)
“Escolha e aprovação do projeto junto à Prefeitura Municipal de Pinhais; viabilização do projeto para conservação do circuito, apenas para eventos especiais; geração de empregos e incremento econômico da região; nova opção de moradia para a grande Curitiba; provável utilização do AIC será até junho de 2016”, informou Peteco.
 
Não à toa, a Vicar, empresa que promove e organiza a Stock Car, marcou apenas uma etapa em Curitiba, a abertura da temporada, em 6 de março, com a corrida de duplas, antevendo o desfecho que vai culminar com o encerramento das atividades do AIC no meio de 2016.
 
Ao GRANDE PRÊMIO, Guedes justificou a venda do Autódromo de Curitiba. A crise econômica pela qual passa o Brasil e o escândalo de corrupção na Petrobras levaram os sócios à decisão de negociar o empreendimento. 
 
“Em 1994, o Peteco surgiu na nossa vida e se propôs a terminar o empreendimento. E estamos juntos nesse tempo todo. Nunca tivemos nada em desacordo, tem sido uma sociedade maravilhosa. Sempre nos entendemos. Mas, infelizmente, diante da situação nacional, que envolve todos os empreendimentos no país hoje, também estamos em dificuldade”, explicou Guedes.
A valorizada área do Autódromo Internacional de Curitiba vai virar condomínio residencial (Foto: Divulgação)
“A situação exige que a gente venda esse empreendimento. E fazemos isso com dor no coração. A crise econômica do país afetou o Grupo Inepar, que dependia muito, muito da Petrobras. Muitas das obras que a empresa edificava eram para a Petrobras e, diante do esvaziamento da empresa, isso afetou a Inepar. E em um nível mais alto, consequentemente, isso nos faz vender agora esse empreendimento”, completou.
 
“A gota d’água foi a Petrobras mesmo, que tirou o faturamento maior da empresa, que praticamente sustentava o autódromo. Foi um efeito dominó. A desvalorização das ações da Petrobras fez a nossa sócia ficar debilitada. Isso porque, no mês que faltava dinheiro aqui, era a Inepar que cobria. Nunca deixou faltar nada”, acrescentou.
 
O fato é que o fim do Autódromo Internacional de Curitiba representa mais um duro golpe no automobilismo brasileiro, que recentemente perdeu Jacarepaguá, que hoje dá lugar ao Parque Olímpico do Rio de Janeiro, bem como Brasília, cujo destino é incerto após a reforma inacabada para receber, sem sucesso, a Indy, no fim do ano passado. Um alento, contudo, é a construção do Autódromo dos Cristais, em Curvelo, Minas Gerais, que ficará pronto no segundo semestre.
 
VIU ESSA? PILOTO DÁ SURRA EM RIVAL EM PROVA DE MOTO