Médico diz que Zanardi só aguentaria mais 10 minutos sem atendimento

Mais alguns minutos e Alessandro Zanardi teria morrido no impacto contra um caminhão na sexta-feira. Médico que participou do atendimento diz que atleta ficou com rosto “destroçado”

Alessandro Zanardi segue em tratamento na UTI do Santa Maria alle Scotte di Siena desde semana passada, quando bateu contra um caminhão enquanto andava com bicicleta adaptada. O italiano tem quadro grave, que inspira cuidados, mas o atendimento chegou perto de ter desfecho trágico: de acordo com o médico Robusto Biagioni, que participou do resgate emergencial, 10 minutos a mais de espera seriam suficientes para causar a morte de Zanardi.

“Chegamos a Pienza às 17h20 [horário local]”, recordou Biagioni, entrevistado pelo jornal ‘Corriere dello Sport’. “O operador de resgate alpino foi muito útil. Pousamos em um campo e tivemos de atravessar um bosque pequeno, mas de mata fechada. Ele [operador] nos guiou abrindo caminho até chegar no lugar correto”, seguiu.

“Era muito grave, lamentavelmente. Naquelas condições, só duraria mais uns 10 minutos. Meu colega o encontrou já em estado de coma, com momentos de agitação. Ele movia os braços de forma errática, gritava. O rosto estava destroçado, com muitas fraturas. Só que o que mais preocupou no momento foi perceber que era uma ferida muito grave, que começava no olho direito e passava pelo rosto inteiro. Também tinha outros ferimentos na cabeça”, destacou.

Alessandro Zanardi voltou a ver a morte muito de perto (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

O ferimento facial é um dos que mais causa preocupação, já que pode levar à perda da visão em pelo menos um dos olhos de Zanardi. Ainda não se sabe ao certo a extensão dos danos neurológicos, uma incógnita mesmo após mais de duas horas de operação cerebral no dia do acidente.

O que mantém a equipe médica otimista é saber que pacientes mais graves conseguiram se recuperar. Comparando com o caso de Michael Schumacher, que sofreu acidente de esqui em 2013, o caso de Zanardi parece até mais simples.

“Já intervi em casos ainda piores e, algumas vezes, terminaram de forma positiva, indo até contra nossas previsões. Por isso que estou convicto de que há esperanças de que o Alessandro sobreviva, também levando em conta que é atleta e que tem um desejo incrível de viver”, encerrou Biagioni.

Entenda o acidente

Na última sexta-feira sexta-feira (19), Zanardi se acidentou quando competia em uma bicicleta adaptada na cidade de Pienza. O ex-piloto se chocou com um veículo pesado e sofreu múltiplos traumas, sendo removido do local de helicóptero. O procedimento na cabeça de Alex aconteceu pouco mais de duas horas após a notícia de seu acidente.

Alessandro participava de uma das etapas do revezamento Obiettivo Tricolore (Objetivo Tricolor), uma jornada que reúne atletas paralímpicos em bicicletas de mão, bicicletas ou cadeiras de rodas olímpicas. Os participantes realizavam deslocamento entre duas etapas e passavam pelo km 146 da estrada entre Pienza e San Quirico d’Orci quando o incidente aconteceu. Os relatos são de que Zanardi perdeu controle, entrou na contramão e acabou atingido por caminhão.

Alessandro Zanardi teve carreira marcante no automobilismo (Foto: Reprodução)

A trajetória de Zanardi

Zanardi apareceu para o mundo do automobilismo em 1991, quando foi vice-campeão da F3000, perdendo para Christian Fittipaldi. Foi ainda no fim daquele ano que o italiano chegou ao grid da Fórmula 1, realizando três corridas com a Jordan. Nas temporadas seguintes, passou sem brilho por Minardi e Lotus até rumar para a Indy.

Foi nos EUA que Alex se encontrou e virou uma estrela. Em três anos de Ganassi, foi campeão em 1997 e 1998, conseguindo voltar à F1 em 1999, mas novamente sem sucesso, na época com a Williams. Em 2001, o piloto reapareceu na Indy com a Mo Nunn e, na etapa da Alemanha, em Lausitzring, sofreu um acidente que mudou os rumos de sua vida. Após fazer um pit-stop, o então líder da prova perdeu o controle na saída do pit-lane, rodou e foi acertado em cheio pelo carro de Alex Tagliani. A impacto da batida foi fortíssimo, e Alessandro perdeu as duas pernas.

Mas Zanardi jamais esmoreceu, jamais desanimou. Um ano depois, voltou à mesma Lausitzring e completou as 13 voltas que faltavam para completar a corrida de 2001, com um modelo adaptado. O piloto seguiu sua carreira no automobilismo, correndo no WTCC (Mundial de Carros de Turismo), pela BMW, inclusive vencendo corridas. Mas pouco a pouco, o foco do italiano mudava para as competições paralímpicas e viu nas maratonas um novo desafio a ser suplantado.

Foi em 2007 que Zanardi participou pela primeira vez da Maratona de Nova York, quando terminou em quarto na competição das bicicletas de mão. Era só o começo da sua jornada vitoriosa no esporte paralímpico. Em 2011, Alex venceu as maratonas de Nova York e também de Veneza, além de assegurar a classificação para os Jogos de Londres, seu grande objetivo, e de garantir a medalha de prata no Mundial. Naquele ano, Zanardi venceu também a Maratona de Roma, chegando assim à Inglaterra na condição de favorito nas três provas em que foi inscrito: corrida contrarrelógio, a prova de estrada e também o revezamento.

Em Londres, foram dois ouros e uma prata, marca que se repetiu quatro anos mais tarde, no Rio de Janeiro.

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