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Pioneiro do jornalismo automobilístico, Marcus Zamponi morre aos 63 anos no interior de SP

O carioca já vinha lutando contra um câncer há alguns anos. Ele começou a carreira nos anos de 1970, quando trabalhou na F1 pela equipe March. Depois disso, voltou ao Brasil, onde assinou uma coluna na revista ‘Racing’
Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 Vinheta Outras

Marcus Zamponi, o Zampa (Foto: Vinicius Nunes/Diário Motorsport)
Marcus Zamponi, o Zampa, morreu na noite desta segunda-feira (15), aos 63 anos, na cidade de São José do Rio Preto no interior do estado de São Paulo. Um dos pioneiros do jornalismo esportivo, o carioca já vinha lutando contra o câncer há alguns anos e sucumbiu à doença.

Nascido no Rio de Janeiro, Zampa veio morar em São Paulo ainda jovem dizendo-se ter uma bagagem de "piroco", como ele mesmo costumava a dizer. Apaixonado por automobilismo, teve seu primeiro trabalho na F1 pela equipe March, de Max Mosley, nos anos 1970.

Após a passagem pela principal categoria do automobilismo mundial, Zamponi voltou ao Brasil para trabalhar na revista 'Auto Esporte', onde ficou por quase duas décadas, e foi colunista da revista 'Racing'. Também atuou como assessor de imprensa, manager e repórter especial da 'Motorsport Brasil'.

Suas marcas foram a irreverência, o profundo conhecimento e a qualidade dos textos, dos melhores que o jornalismo automobilístico e esportivo já conheceram, além da presença de espírito, da ironia, do deboche e do riso fácil que contagiava os amigos e colegas.

A saúde passou a inspirar mais cuidados há quatro anos. O 'Gordo' Zamponi teve de passar por uma cirurgia de redução de estômago pela propensão a ter doenças cardiovasculares. Na sequência, um tumor foi encontrado em suas costas. Zampa morreu ontem em São José do Rio Preto aos 63 anos. Ele deixa dois filhos, Bruno e Ugo.

Ao GRANDE PRÊMIO, Reginaldo Leme, um dos nomes mais respeitados do jornalismo especializado em esporte a motor no Brasil e comentarista da TV Globo, também falou sobre Zamponi e trouxe um pouco da personalidade peculiar do jornalista.  "As histórias do Zampa, metade com algum fundo de verdade, a outra metade pura ficção, eram fruto de uma criatividade sem limite. Já vi a mesma história contada por ele com versões diferentes e um final sempre inesperado. Era o que nos dava a certeza de que nada havia de verdadeiro. Até então, pela riqueza de detalhes era possível ficar na dúvida", contou Leme.

"Marcus Zamponi foi um gênio da criatividade. Usada, na grande maioria das vezes, com o objetivo de desviar o rumo das coisas para que ficassem mais interessantes do que eram na realidade. Nisso, sempre sobrava alguém sacaneado."

"Jamais saberemos se o Zampa foi feliz. Ele era capaz de criar histórias que mascarassem qualquer infelicidade. Brilhante em tudo. Mas onde ele usou a plenitude de seu talento foi mesmo para viver. Bonachão é o termo que o define. A descrição fiel da figura é a que fez o amigo Marcio Fonseca: ‘Exagerado em tudo, no peso do corpo, nas drogas, nas paixões’.  Assim viveu, de forma bem vivida, Marcus Cícero Zamponi", encerrou.

FLAVIO GOMES |  Zampa
Gordo dos infernos, estás proibido de morrer desse jeito, sem mais, nem menos. E longe. O que você está fazendo em São José do Rio Preto? Quer morrer, Zampa, morra. Mas que seja em Monza.