20º Rali dos Sertões deixa Pernambuco e parte rumo ao Ceará com campeões quase definidos

A caravana do Rali dos Sertões deixa Petrolina na manhã desta segunda-feira (27) com destino a Iguatu para a execução da penúltima especial da prova, batizada de ‘Adeus Pernambuco’, com os campeões da edição de 2012 praticamente definidos

A ‘Especial dos 20 anos’ do Rali dos Sertões, disputada no último domingo (26), entre Bom Jesus, no Piauí, e Petrolina, em Pernambuco, praticamente definiu os rumos da histórica edição de 2012. Faltando duas etapas para o fim da competição, a chance de acontecer uma reviravolta em qualquer uma das cinco categorias do grid é bastante improvável. Depois de a caravana da prova atravessar Maranhão, Tocantins, Piauí e uma pequena parte da Bahia e de Pernambuco, é chegada a hora de entrar no Ceará, último destino do Rali dos Sertões, parando nesta segunda em Iguatu e fechando na terça-feira na paradisíaca Fortaleza.

O trecho cronometrado de 335 km no domingo proporcionou aos pilotos e navegadores uma especial completa, com trechos de fazenda, terrenos arenosos e piçarra, tudo ao redor de cânions e percursos de trial, sendo a mais bela etapa de todo o rali. No entanto, apesar de toda a complexidade, não houve nenhum atendimento médico, dando assim o indicativo que a etapa foi mais tranquila do que o previsto.

Fazendo uma análise de cada categoria nesse Rali dos Sertões, a começar pelas motos, Felipe Zanol vem guiando de maneira soberba e só um grave problema poderá lhe impedir de escrever seu nome na galeria dos vencedores da prova. Em sua primeira grande competição como piloto oficial da Honda, o mineiro, de 31 anos, dominou desde o início e logo abriu vantagem confortável perante seus rivais.

Zanol venceu a 'Especial dos 20 anos' e está a dois dias de vencer seu primeiro Sertões (Foto: Marcelo Maragni/Red Bull)

Dois pilotos figuraram, desde o início, como postulantes ao título junto com Zanol: Jean Azevedo e Dário Júlio Souza. O experiente Azevedo levou azar nas duas primeiras especiais do ano — problemas no motor depois de ter cruzado o rio, rumo a Barreirinhas (MA), e uma falha no GPS na segunda etapa. Dário ganhou duas especiais e sempre manteve bom ritmo, mas não foi tão constante como Zanol, que a cada dia se consolida como melhor piloto de rali cross-country no Brasil em duas rodas.

Depois de duelar com Marc Coma, em 2010, e Cyril Després, no ano passado, Zanol aprendeu os segredos do rali com os melhores e está perto de ganhar seu primeiro Sertões. Resultado que servirá de grande incentivo para os preparativos visando seu segundo Dakar, o primeiro como piloto oficial da Honda, em 2013. A montadora japonesa termina o Sertões como a grande estrela, já que deve colocar Dário Júlio, em segundo, e a revelação Nielsen Bueno em terceiro, completando uma trifeta histórica para a marca.

Tranquilo, Zanol descartou o clima de ‘já ganhou’. “O rali parece com aquelas corridas de bicicleta em velódromo, com um marcando o outro até a hora do sprint. É mais ou menos o que a gente vai tentar fazer e buscar manter esse ritmo até o final”, falou Felipe ao Grande Prêmio, ciente de que está próximo da sua maior conquista na carreira como piloto de rali.

Assim como acontece nas motos, nos carros a disputa também já se mostra praticamente definida. Isso porque o Rali dos Sertões conta com a participação de Stéphane Peterhansel, lenda viva do rali cross-country e favorito em qualquer competição que dispute. E não vem sendo diferente neste ano. Pouco mais de oito meses após vencer pela décima vez o Dakar, o mitológico piloto da X-raid Mini e seu fiel escudeiro, o navegador Jean-Paul Cottret conquistaram seis das oito etapas do Sertões até o momento, contam com 24min30s à frente de Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, atuais bicampeões da prova.

Spinelli e Haddad fazem boa prova no Sertões e só estão atrás dos mitos Peterhansel e Cottret (Foto: Theo Ribeiro/Fotoarena)

Entretanto, por mais que a conquista do tri (ou do pentacampeonato, no caso exclusivo de Spinelli) seja improvável, ‘Guiga’ e Youssef mostraram bom trabalho ao longo dos dias no Norte-Nordeste brasileiro. Jamais foi fácil sequer andar perto do ritmo de Peterhansel, mas Spinelli está atrás do francês por uma vantagem bastante aceitável e com um carro muito bom, o Mitsubishi Lancer.

Contudo, é inegável que o Mini All4 Racing está alguns passos à frente, já que foi concebido originalmente para lutar contra a Volkswagen pelo título do Dakar no fim da década passada. Outro bom nome desta prova é Riamburgo Ximenes. Correndo ao lado de Flávio França, o cearense buscou patrocínio para bancar sua entrada na X-raid, correndo com um BMW X3 CC e também vem exibindo um ritmo de prova razoável, superando Spinelli por três dias seguidos no Sertões.

Menção também ao bom trabalho de Fellipe Bibas, que corre ao lado de Emerson ‘Bina’ Cavassin com um Evoque Range Rover da equipe Promacchina, de Maurício Neves. A dupla está na quarta colocação da classificação geral, ficando atrás somente dos três pilotos mais rápidos do grid do Sertões nos carros.

Peterhansel, vivido, sabe que está perto de faturar mais uma conquista inédita e levar mais uma taça para a França, e por isso vai evitar ao máximo cometer erros que o levem para fora da briga. Situação que, levando em conta que faltam apenas 256 km de trecho cronometrado nesses dois dias de prova e a sua vasta experiência, indica que um erro de Stéphane seria muito improvável nessa reta final de Sertões.

A competição dos caminhões surpreendeu pelo baixo número de abandonos. Apenas três dos sete ‘brutos’ que largaram, em São Luís, estão prontos para logo mais deixarem Pernambuco. Entretanto, a prova foi bastante conturbada para seus competidores, gerando inclusive críticas de André Azevedo e Guido Salvini, dois pesos-pesados e eternos favoritos ao título do Sertões.

Salvini caminha para garnatir mais um título nos Caminhões Pesados (Foto: Marcelo Maragni/Fotoarena)

Mas como quem não queria nada, Carlos Policarpo surpreendeu a todos e está perto de garantir a vitória na classificação geral dos caminhões. Correndo com um Ford F4000 4×4 da subcategoria Leve, Policarpo tem vantagem de 1h27min41s para Salvini. Mas como já aconteceu de tudo na prova dos caminhões, ainda é cedo para dizer que o piloto da Território está com uma ‘mão na taça’.

Fechando a disputa do Rali dos Sertões em 2012, pode-se dizer que os competidores dos quadriciclos e UTVs, novidade deste ano, são ‘sobreviventes’. A nova categoria do Sertões teve mais inscritos que quadris — onze contra nove —, mas apontou um problema que colocou em risco a vida de pilotos e navegadores. Três UTVs, todos da marca Polaris, pegaram fogo ao longo da prova. Junto com outros problemas, a sétima etapa teve apenas dois veículos na disputa.

Para colocar o máximo possível de UTVs no fim da prova, em Fortaleza, a organização do Rali dos Sertões, em conjunto com as equipes, trabalhou para deixar a maior quantidade possível de veículos prontos para a última parte da prova, que tem Bruno Sperancini e Thiago Vargas como líderes e próximos do título. A vantagem perante o duo segundo colocado, Carlo Collet e Eduardo Shiga, é de 11h12min50s, uma enormidade.

E nos quadriciclos, Marcelo Medeiros praticamente ficou sem adversários depois que Tom Rosa, atual campeão do Rali dos Sertões, abandonou a disputa após sofrer uma queda. Só mesmo um acontecimento do mesmo tipo pode tirar a vitória do maranhense, já que sua vantagem para Paulo Kitagawa é muito grande, 7h22min19s.

Para todos os que seguem no Rali dos Sertões, a missão desta segunda-feira será mais curta, mas não menos difícil. O percurso cronometrado entre Petrolina e Iguatu tem 143 km, mas o deslocamento final soma 355 km. Segundo Du Sachs, diretor de prova do Sertões, o traçado é traiçoeiro e será um desafio, sobretudo para os navegadores. Dessa forma, ainda que os campeões estejam quase definidos, não dá para esquecer que o Rali dos Sertões só acaba na rampa de chegada em Fortaleza, na terça-feira.

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